Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

Maior acesso decorrente da recente medida adotada pelo governo americano

Verificamos no final desta semana que passou, a tomada de decisão do governo dos EUA em prol dos pesquisadores americanos, que visa facilitar o seu acesso à informação científica. Antes dessa decisão, os EUA, como o restante dos países que não adotaram nenhuma medida aderente aos mecanismos definidos pelo movimento OA,  eram obrigados à assinar as revistas científicas comerciais, se quisessem facilitar o acesso a essas revistas aos seus pesquisadores.

Ora, se os EUA que é uma potência econômica e científica e, se preocupa com seus pesquisadores à ponto de tomar essa decisão de enfrentar os editores científicos comerciais, porque os outros países não fazem o mesmo, buscando defender os seus pesquisadores e dando-lhes acesso a esta informação científica? É importante ressaltar, aqui, que alguns países como o Brasil e outros países da América Latina, assim como, muitos outros países, preferem pagar a esses editores e dotá-los  de um Portal de Periódicos como o Portal da Capes,  fornecendo acesso a esses periódicos científicos às suas comunidades científicas. Entretanto, isto representa um custo altíssimo, o custo de assinatura desses periódicos.

Com a decisão tomada pelos EUA, o governo americano experimentará um razoável economia na manutenção de suas pesquisas. Evidentemente que, nesse momento, não se tem qualquer número que explique esta assertiva. Isto será demonstrado em futuro próximo.  Vale à pena acompanhar. O fato importante, a observar, é que com esta decisão, os mais importantes resultados de pesquisa estarão acessível livremente, uma vez que as principais pesquisas são realizadas naquele país. Trata-se de uma ação estratégica que beneficiará não apenas os americanos mas, à todos os países, uma vez que todos os pesquisadores passarão a ter acesso a esses resultados. Portanto, mais do que uma simples vitória dos pesquisadores americanos, essa vitória virá em benefício de toda a comunidade científica mundial, porque todos terão acesso a esses resultados.

A título de exemplo, relembro a todos o caso de serviços como os fornecidos pela  BASE – Bielefed Advanced Search Engine, da Bielefeld University na Alemanha que, desde o dia 22 de novembro de 2012 vem disseminando o acesso a mais de 39 milhões de registros de artigos científicos, teses e dissertações. Esta base de dados faz coleta atualmente em mais de 2.300 repositórios ou fontes de informação e, certamente, com as medidas adotadas pelos EUA esse número crescerá, pois, as referidas medidas beneficiarão o surgimento de novos repositórios, os quais serão objeto de coleta e disseminação por meio de mecanismos como esse.

É importante, também ressaltar que os benefícios não se prendem unicamente na questão do acesso à informação mas, também e principalmente, na visibilidade da pesquisa e do pesquisador, pois, o seu trabalho terá a oportunidade de ser visitados e lidos por mais e mais pessoas. A diferença básica entre um trabalho ser disseminado por uma revista científica e constar, também, de um repositórios digital é que os trabalhos depositados em um repositório digital, potencialmente, ganha maiores possibilidades de aumentar a sua visibilidade, dado que mais pessoas terão acesso a esses trabalhos. Enquanto que, os trabalhos constantes das revistas científicas comerciais, serão visíveis e, eventualmente, lidos e citados apenas por pessoas que têm condições e ter acesso à estas revistas e, isto, todos sabemos que nem sempre é possível, visto que esses portais são de uso restrito das instituições habilitadas ou que tenham algum convênio que proporcione tal benefício. Enfim, os repositórios digitais são mecanismos mais democráticos onde quaisquer usuários que tenham acesso à Internet podem visitar, recuperar e ler os documentos alí depositados.

 

março 1, 2013 Posted by | artigo | , , , | Deixe um comentário

Repositórios Institucionais invisíveis para o Google Scholar

Leiam um interessante artigo publicado no Library Hi Tech sob o título: Invisible institutional repositories: addressing the low indexing ratios of IRs in Google. Interessante paradoxo, trata-se de um artigo muito interessante para corrigir um problema advindo das iniciativas de auto-depósito, portanto, relacionado com a estratégia da via Verde do Acesso Livre, entretanto, o artigo não é acessível livremente, pois, está publicado em um periódico comercial. Felizmente, nós brasileiros, funcionários públicos podemos contar com o Portal de Periódicos da Capes e  ter acesso a este interessante artigo, cujos dados referenciais poderão ser vistos abaixo:

Title: Invisible institutional repositories: addressing the low indexing ratios of IRs in Google
Author(s): Kenning Arlitsch, (J. Willard Marriott Library, University of Utah, Salt Lake City, Utah, USA), Patrick S. O’Brien, (J. Willard Marriott Library, University of Utah, Salt Lake City, Utah, USA)
Citation: Kenning Arlitsch, Patrick S. O’Brien, (2012) “Invisible institutional repositories: addressing the low indexing ratios of IRs in Google”, Library Hi Tech, Vol. 30 Iss: 1, pp.60 – 81
Keywords: Digital librariesGoogle ScholarInstitutional repositoriesMetadata,Search engine optimizationSearch engines
Article type: Research paper
DOI: 10.1108/07378831211213210 (Permanent URL)
Publisher: Emerald Group Publishing Limited
Acknowledgements: The authors would like to thank Dr Awesome for her expertise, edits, and unflagging support.
Abstract: Purpose – Google Scholar has difficulty indexing the contents of institutional repositories, and the authors hypothesize the reason is that most repositories use Dublin Core, which cannot express bibliographic citation information adequately for academic papers. Google Scholar makes specific recommendations for repositories, including the use of publishing industry metadata schemas over Dublin Core. This paper aims to test a theory that transforming metadata schemas in institutional repositories will lead to increased indexing by Google Scholar.Design/methodology/approach – The authors conducted two surveys of institutional and disciplinary repositories across the USA, using different methodologies. They also conducted three pilot projects that transformed the metadata of a subset of papers from USpace, the University of Utah’s institutional repository, and examined the results of Google Scholar’s explicit harvests.

Findings – Repositories that use GS recommended metadata schemas and express them in HTML meta tags experienced significantly higher indexing ratios. The ease with which search engine crawlers can navigate a repository also seems to affect indexing ratio. The second and third metadata transformation pilot projects at Utah were successful, ultimately achieving an indexing ratio of greater than 90 percent.

Research limitations/implications – The second survey is limited to 40 titles from each of seven repositories, for a total of 280 titles. A larger survey that covers more repositories may be useful.

Practical implications – Institutional repositories are achieving significant mass, and the rate of author citations from those repositories may affect university rankings. Lack of visibility in Google Scholar, however, will limit the ability of IRs to play a more significant role in those citation rates.

Social implications – Transforming metadata can be a difficult and tedious process. The Institute of Museum and Library Services has recently awarded a National Leadership Grant to the University of Utah to continue SEO research with its partner, OCLC Inc., and to develop a toolkit that will include automated transformation mechanisms.

Originality/value – Little or no research has been published about improving the indexing ratio of institutional repositories in Google Scholar. The authors believe that they are the first to address the possibility of transforming IR metadata to improve indexing ratios in Google Scholar.

março 6, 2012 Posted by | artigo | , , , , , , | Deixe um comentário

OA: Mitos e Verdades II

Continuando a série OA: Mitos e Verdades, e considerando a definição do objetivo do OA no post passado passo a discutir outro ponto polêmico.

Quando comecei a divulgar o OA no Brasil, houve quem entendesse que tínhamos o objetivo de acabar com o Portal de Periódicos da Capes (PPC). Isto jamais existiu. Sempre reafirmei a importância do PPC para a comunidade científica e para o desenvolvimento da ciência neste País. Aliás, à época defendi a idéia de que ambas as iniciativas eram complementares, o importante é fornecer acesso à informação científica, independente da forma.

Hoje, após dez anos do início das inicitivas OA, é possível vislumbrar um futuro diferente. À medida que essas iniciativas se tornem universais, todos os 2,5 milhões de artigos terão acesso livre. O OA é um movimento global e, assim, diversos países vêm implantando a estratégia preconizada pela via Verde. As suas universidades, institutos de pesquisa e agências de fomento vêm implantando políticas OA e repositórios digitais OA. Esses repositórios integram uma infraestrutura global de acesso livre à informação científica, a partir da qual todo o acervo alí existente é acessível via search engines como o Google, Google Scholar, Yahoo dentre outros, que se aperfeiçoaram para indexar os repositórios digitais e fornecerem acesso, livre de custos, aos acervos constantes desses repositórios. Se todos os países adotarem a via Verde essa infraestrutura global consolidar-se-á e o OA será universal.

O OA não foi lançado para acabar com o PPC, mas, para promover o acesso livre à informação científica aos pesquisadores de uma forma geral. Aliás, nada impede que o PPC continue existindo, esta é uma decisão que cabe a quem de direito. Independente de o Brasil adotar ou não o OA, o movimento do OA continuará a sua marcha em direção ao OA universal.

A propósito, façamos uma reflexão: digamos que o Brasil não adote o OA. Neste caso, o OA não conseguirá ser universal, dado que a produção científica brasileira não estaria disponível para acesso livre. Então, o PPC continuaria sendo necessário para as pesquisas brasileiras. Assim, todas as comunidades científicas teriam acesso livre à produção científica global, menos à brasileira. Desta forma, o governo brasileiro continuaria pagando para ter acesso à produção científica brasileira, dado que ela não estaria depositada em repositórios OA – consequência da premissa levantada no início deste parágrafo. Além do prejuízo de ter que pagar para ter acesso àquilo que o País produziu, as nossas pesquisas abdicariam do benefício de maximização da sua visbilidade, uso e impacto, proporcionados pela estratégia da via Verde.

Se, no entanto, o Brasil aderir às iniciativas do OA, adotando uma política OA e construir seus repositórios digitais para hospedar a sua produção científica e fornecer acesso livre, a nossa comunidade científica terá os mesmos benefícios de forma similar às estrangeiras, sem custos para os cofres públicos, além de ver maximizada a sua visibilidade, uso e impacto em âmbito global.

O que é mais importante para o Brasil, ter e manter o PPC ou fornecer acesso livre à produção científica global, inclusive à brasileira?

agosto 12, 2011 Posted by | artigo | , , , , , | 4 Comentários

   

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