Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões sobre o Acesso Livre (OA)

Acesso Livre (OA): pode uma revista mantida com recursos publicos adotar o modelo de negócio “autor-paga”?

Helio Kuramoto

Há alguns posts atrás fiz um elogio a duas revistas brasileiras que adotaram o modelo de negócio “autor-paga” e me parece que tal elogio tem sido utilizado para justificar o injustificável. É preciso esclarecer que o elogio foi apenas à decisão da revista em adotar o modelo de negócio “autor-paga”, a qual me levou ao entendimento de que se tratava de uma decisão em busca da auto-sustentabilidade. Este elogio foi um ato precipitado de minha parte, considerando que eu não tinha conhecimento que uma das revistas era mantida com recursos públicos e utilizava infraestrutura de instituição pública.

Assim, é preciso esclarecer melhor as coisas para evitar mal-entendidos e não prejudicar o entendimento sobre Acesso Livre (Open Access), e neste caso o meu elogio se deveu à coragem dos editores em adotar um modelo de negócio que vem sendo adotado por grandes editores comerciais. Consequentemente, entendi que o intuito das revistas era ter auto-sustentabilidade, obviamente isto significa total independência de recursos públicos.

Soube, por colegas, que os meus posts teriam sido utilizados para reafirmar o acerto da decisão por parte da (s) revista(s) junto à sua comunidade de autores. Longe de querer ser redundante, devo reiterar que o movimento Open Access, visando tornar livremente acessível o acervo de cerca de 1,5 milhões de artigos científicos que são publicados anualmente em aproximadamente 28 mil revistas centíficas, estabeleceu as seguintes estratégias: 1) que os pesquisadores publicassem preferencialmente em revistas científicas de acesso livre (Open Access) – via Dourada (Gold road); 2) que as universidades e demais instituições de pesquisa construam repositórios institucionais (RI), assim como as agências de fomento construam o seus repositórios centrais (RC) e que sejam estabelecidas políticas de acesso livre tornando obrigatório a todos os seus pesquisadores o depósito de sua produção científica publicada em revistas científicas – via Verde (Green Road);

Após 11 anos da adoção dessas estratégias verificou-se que a estratégia via Verde é a que oferece melhor relação benefício/custo. E, que por outro lado, a estratégia via Dourada é ainda muito cara e lenta, além de ser totalmente dependente da tomada de decisão dos seus editores, usualmente, vinculados a empresas. Como toda empresa, estas têm como objetivo principal a obtenção de lucros. Alguns desses editores até já lançaram revistas de acesso livre utilizando o modelo “autor-paga”. No entanto, a taxa de publicação estabelecida por esses editores é ainda muito cara. Então, não vale à pena publicar nessas revistas. Assim, é preferível que os pesquisadores continuem publicando em revistas comerciais e ao mesmo tempo façam o auto-depósito dos artigos nos RI e RC. Essa é também a minha opinião.

No contexto mundial, observamos uma particularidade, a grande maioria dos editores tem como suporte empresas comerciais, com infraestrutura própria e não dependem diretamente de recursos públicos, ou seja não são financiadas com recursos públicos.

Agora vejamos o caso das revistas científicas brasileiras. A maioria delas são mantidas com recursos públicos provenientes de agências de fomento, de universidades públicas ou de instituições de pesquisa públicas. A maioria delas utilizam a infraestrutura de instituições públicas, assim como do quadro de pessoal dessas instituições que são também funcionários públicos. Portanto, essas revistas são totalmente dependentes de recursos públicos.

Sempre defendi que as revistas científicas brasileiras buscassem uma forma de se auto-sustentarem, tornando-se independentes de financiamentos de agências de fomento e consolidassem a indústrial editorial científica no País. Daí o meu elogio, pois, ingênuamente, pensei que as revistas elogiadas não dependessem de qualquer recurso público.

A questão é: seria ético ou moral e políticamente correto que essas revistas adotem o modelo de negócio “autor-paga”, sabendo previamente que estas são financiadas e mantidas com recursos públicos?

Evidentemente que, a adoção do referido modelo é livre e depende apenas do interesse dos editores. Mas, se a revista já era de livre acesso e continuará dependendo de recursos públicos, então não se justifica a adoção deste modelo. A simples adoção do referido modelo não é uma iniciativa aderente ao Acesso Livre, pois, acaba tornando-se uma restrição à disseminação da informação. É preciso conhecer o contexto sob o qual o referido modelo foi criado. Ele foi criado por editores comerciais. Portanto, a adoção do modelo “autor-paga” deve ser precedida de uma análise mais profunda sobre todo o contexto da revista, de sua vinculação institucional, e de seus interesses e propósitos. Alem disso, obviamente, a tomada de decisão deve ser em proveito da sua comunidade usuária e autoral.

Antes de concluir este post faço as seguintes considerações:

1. Até onde eu sei, as revistas científicas que adotaram o modelo “autor-paga” são revistas científicas comerciais, à exceção das revistas do PLoS (Public Library of Science”) que já adotam o referido modelo às suas revistas desde o seu nascedouro, e no que me consta, é uma organização independente criada por editores científicos e não dependem de recursos públicos;

2. O Acesso livre veio para facilitar o acesso às pesquisas e não para impedir o seu acesso ou a sua disseminação

3. O conhecimento gerado por pesquisas é um bem público e como tal deveria ser de livre acesso.

4. Assim, não posso entender como uma revista que já é mantida com recursos públicos e fornece Acesso Livre e, como tal, deveria servir aos interesses da comunidade científica possa adotar o modelo de negócio “autor-paga”, isto é como dar um tiro no próprio pé.

Deixo esta questão no ar para que os leitores deste blog possam emitir a sua opinião e debater por intermédio dos comentários via este blog.

fevereiro 9, 2012 Publicado por | artigo | , , , , | 2 Comentários

Preservação do conteúdo das revistas científicas x Preservação do conteúdo em Acesso Livre

US OSTP RFI

Vejam que interessante a questão formulada pelo OSTP .  A questão colocada é um tanto quanto confusa e dá a entender que o objetivo das agências de fomento ao estabelecerem as suas políticas de Acesso Livre querem manter em seus domínios a guarda de toda a produção científica. Stevan Harnad responde de forma bem clara e objetiva.

Por quais razões uma agência de fomento à pesquisa científica deve manter a guarda de todo o conteúdo publicado, e, considerando que esse conteúdo é distribuído por várias fontes, de que forma o governo pode garantir a filosofia de Acesso Livre por um longo período de tempo?

Resposta de Stevan Harnad:

É imperativo distinguir (i) o problema do acesso aos artigos científicos /impacto do (ii)  problema de armazenamento digital e preservação. São problemas distintos  e misturando-os torna-se mais difícil de entender e resolvê-los.

Há de fato um problema de armazenamento digital e sua preservação, e muitas medidas estão em curso para atendê-los, mas não tem nada a ver com o problema do acesso à pesquisa ou com o Acesso Livre. Conteúdo digital precisa ser preservado, independentemente de o mesmo ser livremente acessível ou ser acessível por intermédio de aquisição da assinatura da revista que o publicou. Preservá-lo não o torna acessível livremente.

A obrigatoriedade do autoarquivamento dos artigos científicos, provenientes de todas as  pesquisas financiadas com recursos públicos, preconizada pela estratégia da via Verde do Acesso Livre,  resolve o problema do acesso/impacto dessas pesquisas.

Não existe ainda essa “guarda”. Assim que uma política de Acesso Livre é estabelecida, os artigos científicos dos pesquisadores beneficiados com o financiamento público de sua pesquisa, estarão, em linha,  acessíveis livrementes a todos os usuários, a nível global, tendo estes acesso ou não  por meio do pagamento de assinaturas às revistas que o publicaram.  Esses artigos depositados nos Repositórios Institucionais mediante o estabelecimento de políticas de Acesso Livre (estratégia da via Verde) são coletados por vários serviços de coleta/repositórios centrais  e é do interesse de todos mantê-los livremente acessíveis, indefinidamente, migrando e replicando-os com atualizações e desenvolvimentos tecnológicos.

Mas esses registros, provenientes das iniciativas preconizadas pela via Verde não são as versões-de-registro do editor.

A preservação da versão digital da versão-de-registro do editor é um assunto para o arquivo  das bibliotecas nacionais, espelhamento, LOCKSS, etc. Isto é, porém, independente do problema do Acesso Livre  - nem mesmo os  documentos digitais estão em causa !

As versões dos artigos científicos, objeto da estratégia da via Verde do Acesso Livre, necessitam ser preservados também, e os repositórios institucionais, assim como os repositórios centrais que coletam esses artigos podem e vão garantir o livre acesso ao seu conteúdo.  Mas isso não é o problema da preservação da versão digital da(s) revistas científicas.

Surge nessa resposta uma questão interessante e pouco debatida aqui no Brasil, a quem compete preservar o conteúdo digital das revistas científicas? À CAPES? À Biblioteca Nacional?

Trata-se de um conteúdo cuja propriedade é das revistas científicas e, portanto, pouco acessíveis, visto que, é necessário ser detentor de assinaturas para que o seu conteúdo seja acessível aos seus assinantes.

Quando essas revistas eram impressas, cabia às bibliotecas a sua guarda e conservação, tendo em vista, que faziam parte do patrimônio das bibliotecas. Mas, com a mudança das tecnologias de transporte e acesso a esse conteúdo, salvo melhor juízo, as bibliotecas deixam de ter o controle a esses conteúdos para preservá-los, uma vez que quem os mantém e controlam são as editoras dessas revistas.

Por outro lado, todo o conteúdo digital dos repositórios institucionais devem ser mantidos e preservados pelas suas respectivas instituições, em conformidade com a resposta do Stevan Harnad.

Abro um parêntese para colocar uma outra questão. Enquanto as revistas eram impressas, conforme foi dito anteriormente, a responsabilidade pela sua manutenção e preservação cabia às bibliotecas. Entretanto, depois do advento do Portal de Periódicos da Capes, a maioria das bibliotecas universitárias brasileiras deixaram de assinar os periódicos de suas coleções de revistas científicas. Em contrapartida, a CAPES passou a manter a assinatura da maioria dessas revistas. A pergunta que intriga muito de nossos profissionais de informação é: os contratos que a CAPES mantém com esses editores permitem aos usuários brasileiros o acesso a um número retrospectivo de uma dessas revistas eletrônicas que deixaram de ser acessível em meio impresso, portanto, inexistente nas bibliotecas universitárias brasileiras? Ou melhor ainda, se daqui alguns anos, o Brasil não tiver condições de manter o Portal de Periódicos da Capes, e o acesso for cortado, os nossos pesquisadores terão acesso a algum fascículo ou número retrospectivo de alguma dessas revistas assinadas ao longo desses dez anos?

São estas as grandes dúvidas que pairam nas cabeças de nossos profissionais de informação. Não conheço os referidos contratos e sei que essas questões não foram respondidas. Considerando a possibilidade de que não haja um plano ou procedimento de preservação definido ou ativo, qual seria a solução? A única solução são os Repositórios Institucionais, preconizados pela estratégia da via Verde do Acesso Livre.

janeiro 30, 2012 Publicado por | artigo | , , , , , , | 2 Comentários

Adoção do modelo Autor-paga no Brasil

No post publicado ontem cometi um pequeno deslize indicando a Revista de Saúde Pública como sendo a primeira a adotar o modelo Autor-paga. Felizmente, a bibliotecária Letícia Sthrel, do Departamento de Serviço aos Usuários da Biblioteca Central da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, me corrigiu informando que uma outra revista, a Brazilian Journal of
Medical and Biological Research
, hospedada no SciELO, já adota tal modelo de recuperação de custos. Agradeço aos leitores, que tiverem conhecimento de outras iniciativas similares, informar-me pelo email: alokura2010@gmail.com.

Conforme mencionei em um post anterior, entendo que essas iniciativas são bastante interessantes.  Considerando que  já existem, pelo menos duas revistas adotando o modelo “Autor -paga” e que se bem sucedidas abrirão caminho para que outras sigam o mesmo caminho e consolidem a indústria editorial brasileira, sem dependência direta dos cofres públicos ou subsídios diretos das agência de fomento.

janeiro 28, 2012 Publicado por | artigo | , , , , | Deixe um comentário

BERLIN 10: Open Access Conference

A Universidade de Stellenbosch anunciou que, em parceria com o Instituto Max Planck e a Academia de Ciência da África do Sul, organizará e fará realizar a prestigiosa Conferência de Acesso Livre, Berlin 10 Open Access Conference,  será realizada em Stellenbosch, África do Sul, de 07-08 de Novembro de 2012.

janeiro 27, 2012 Publicado por | Evento | , , , , | Deixe um comentário

Revista da Saúde Pública: a primeira revista brasileira onde o Autor paga

A Revista da  Saúde Pública publica em seu sítio a seguinte nota:

Comunicado aos autores
A partir de Janeiro de 2012, a RSP instituirá uma taxa por artigo publicado. Esta taxa será paga por todos os autores que tiverem seus manuscritos aprovados para publicação, excetuadas situações excepcionais devidamente justificadas. Manuscritos submetidos antes de Janeiro de 2012 estarão isentos do pagamento da taxa. A taxa de publicação será utilizada para complementar os recursos públicos que a Revista obtém da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo e de órgãos de apoio à pesquisa do Estado de São Paulo e do Brasil. Esta complementação é essencial para assegurar a qualidade, impacto e agilidade do periódico, em particular para manter várias melhorias introduzidas na RSP nos últimos anos. Tais melhorias incluem  sistema eletrônico de submissão e avaliação de manuscritos,  revisão da redação científica por especialistas com pós-graduação em Saúde Pública e  tradução para o Inglês de todos os manuscritos não submetidos originalmente naquele idioma. Este último procedimento passou a permitir a leitura no idioma Inglês de todos os artigos publicados pela RSP sem prejuízo da opção pela leitura em Português dos artigos originalmente submetidos neste idioma. A taxa será de R$ 1.500,00 (US$ 850.00) para artigos Originais, Comentários e Revisões e de R$ 1.000,00 (US$ 570.00) para Comunicações Breves. Assim que o manuscrito for aprovado, o autor receberá instruções de como proceder para o pagamento da taxa, bem como para, quando couber, solicitar isenção da cobrança. A RSP fornecerá aos autores os documentos necessários para comprovar o pagamento da taxa perante instituições empregadoras, programas de pós-graduação ou órgãos de fomento à pesquisa.

Testemunhamos, assim, a primeira revista brasileira a adotar o modelo “Autor-paga” para sua autosustentabilidade. É uma iniciativa corajosa buscando a sua autosustentabilidade, portanto, mais do que uma decisão corajosa, uma decisão plausível e inovadora em termos da indústria editorial nacional, uma vez que fora do País, existem diversas iniciativas similares e bem sucedidas.

janeiro 27, 2012 Publicado por | artigo | , , , , | Deixe um comentário

Pesquisa comprada, então pague-a

Michael B. Eisen

Transcrevo e traduzo o artigo abaixo,  de Michael B. Eisen,   publicado na coluna “The opinion pages” do The New York Times do dia 10 de janeiro de 2012. O seu autor, Michel B. Eisen é professor associado de biologia molecular e celular da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e um dos fundadores da Public Library of Science, uma organização dedicada a tornar a pesquisa disponível gratuitamente. É uma manifestação contrária ao Research Work Act (RWA). Após a apresentação do artigo, ouso fazer algumas observações sobre o posicionamento de Michael B. Eisen. Segue o artigo.

Os contribuintes americanos têm apoiado, por intermédio dos National Institutes of Health (NIH), as pesquisas voltadas para a compreensão e tratamento de doenças humanas. Desde 2009, os resultados dessas pesquisas estão disponíveis em acesso livre no sítio da National Library of Medicine – Biblioteca Nacional de Medicina – na Web, permitindo ao público (pacientes, médicos, estudantes e professores) ler artigos contendo as descobertas ou resultados de pesquisas pagos com os seus impostos.

No entanto,  um projeto de lei, o Research Works Act (RWA), apresentado na House of Representives no mês passado, ameaça interromper esse sítio. O RWA proibiria o N.I.H. de exigir, como agora o faz, que seus beneficiários forneçam cópias dos artigos científicos que publicam em revistas científicas. Se o projeto for aprovado, a maioria dos americanos, caso queiram ler esses artigos, teria que comprar o seu acesso a um custo de US $ 15 ou US $ 30 cada. Em outras palavras, os contribuintes que já pagaram pela realização da pesquisa teria que pagar novamente para ler os seus resultados.

Esta é a mais recente salva de tiros em uma batalha contínua entre os editores de revistas científicas na área biomédica, como Cell Science e The New England Journal of Medicine, que  tentam proteger uma franquia valiosa, e os pesquisadores, bibliotecários e grupos de defesa dos pacientes que procuram fornecer acesso livre aos resultados de pesquisa finaciada com recursos públicos.

O projeto de lei RWA é apoiado pela poderosa Association of American Publishers -Associação de Editores Americanos  e patrocinado pelos Representantes Carolyn B. Maloney, democrata de Nova York, e Darrell Issa, republicana da Califórnia. Os editores argumentam que agregam valor ao produto acabado, e que ao exigir que eles permitam o acesso livre e gratuito aos artigos de revistas em um prazo um ano da publicação nega-lhes a sua justa compensação. Afinal, dizem eles, enquanto a pesquisa científica pode ser financiada com recursos públicos, as revistas não podem.

Mas, na verdade, as revistas recebem bilhões de dólares em pagamentos de assinaturas derivados em grande parte de recursos públicos. O valor que eles dizem adicionar reside principalmente no processo de revisão por pares, o processo através do qual as obras são avaliadas para validar a sua importância antes da publicação. Mas, enquanto as revistas administram esse processo, que é realizado quase que inteiramente por pesquisadores que trabalham como voluntários. Espera-se que os pesquisadores  participem nesse processo como parte das atividades de seu emprego e, portanto, os seus salários são provenientes de recursos públicos, uma vez que a maioria deles é selecionado de universidades ou organizações de pesquisa. Portanto, trata-se de mais uma forma em que  os contribuintes já subsidiam o ciclo da publicação cinetífica.

Ao invés de reverter o acesso livre, o Congresso americano deve se articular para consagrar um princípio simples, em leis, dos Estados Unidos: se os contribuintes pagaram por um bem, eles são, portanto,  donos deste bem. Este é o caso dos artigos científicos publicados por pesquisadores do campus do NIH, em Bethesda, Md., como funcionários do governo, cujo trabalhos, foram explicitamente excluídos da proteção de direitos autorais desde 1976. Seria fácil estender esta cobertura para todas as obras financiadas pelo governo federal americano.

Mas não é só o Congresso que deve agir. Para os cientistas por muito tempo, bibliotecas e instituições de pesquisa têm apoiado o status quo da publicação científica, uma combinação de tradição e conveniência. Mas, o mais recente esforço para derrubar a política de acesso livre do NIH deve dissipar quaisquer ilusões remanescentes de que as editoras comerciais estão servindo aos interesses públicos e da comunidade científica.

Os pesquisadores devem interrmper o fornecimento de artigos às revistas científicas comerciais e optar pela publicação exclusiva em alguma das muitas revistas de acesso livre  que são perfeitamente capazes de administrar a revisão por pares (como os publicados pela Public Library of Science, do qual sou co-fundador). Bibliotecas devem interromper o  fornecimento de recursos por meio do cancelamento de assinaturas. E o mais importante, o NIH, universidades e outras entidades públicas e privadas que patrocinam a pesquisa acadêmica deve deixar claro que, para cumprir a sua missão, exigem que os resultados das pesquisas conduzidas por seus pesquisadores e acadêmicos devem ser livremente acessíveis ao público no momento da publicação.

Estes passos não só preservam um importante bem público – acesso ilimitado às últimas descobertas científicas e médicas – mas eles também enviariam um forte sinal de gratidão para os contribuintes, em cujo apoio contínuo depende a nossa pesquisa.

A princípio, Michael B. Eisen foi muito feliz em sua argumentação. No entanto, discordo do fato de ele exortar os pesquisadores a publicarem em revistas de acesso livre. Evidentemente, o PLoS a organização co-fundada por ele é uma das maiores editoras a produzir revistas de acesso livre, de forma aderente à estratégia da via Dourada.

Entretanto, como diz Stevan Harnad, as taxas de publicação cobradas por essas revistas  são ainda muito caras. Portanto, o melhor a fazer é estular os pesquisadores  a continuar publicando nas revistas científicas que atendem aos seus interesses, mesmo que estas sejam comerciais, e imediatamente em seguida à seleção de seus artigos para publicação deposite a sua versão final, revisada por pares, em um repositório de acesso livre, preferencialmente, no seu repositório institucional. Mas, nada impede que, na ausência de um repositório de sua instituição, o referido artigo seja depositado em um repositório temático ou central de acesso livre. Se, de toda a forma, inexistirem tais repositórios, existe uma outra opção, depositem no OpenDepot, ainda que provisoriamente até a sua instituição implantar o seu próprio repositório institucional. A estratégia da via Verde ainda é a que oferece melhor relação benefício/custo.

janeiro 17, 2012 Publicado por | artigo | , , , , , , | Deixe um comentário

Existem outras políticas para o acesso livre?

Por outro lado, existem políticas que não deveriam ser adotadas com relação ao acesso  público aos artigos científicos de modo a não prejudicar quaisquer direitos de propriedade intelectual dos editores, cientistas, agências de fomento  e outras partes interessadas?

(i) Não há necessidade de exigir que a  versão-de-registro do editor se torne acessível livremente.  A maioria dos editores já aprovaram o imediato auto-arquivamento das versão final, do autor, revisada pelos pares. A versão final do autor é suficiente para garantir que nenhum potencial  usuário tenha acesso em linha, aos artigos científicos resultados da pesquisa, negado.

(ii) A obrigatoriedade de acesso gratuito à versão final do autor  ( Acesso Livre gratis) seria o suficiente como um primeiro passo. O Acesso Livre Gratis  é absolutamente essencial para maximizar o acesso à pesquisa e seu fator de  impacto. Em alguns campos, o “libre” Acesso Livre  (acesso em linha  livre de restrição direitos de acesso), seria bem-vinda também, mas a necessidade de OA libre não é tão universal ou urgentes como a necessidade de gratis OA.

Todos os autores querem que os resultados de suas pesquisas sejam acessíveis  a todos os potenciais usuários, não apenas para aqueles cujas instituições podem assinar as revistas científicas em que foram publicados.  Mas nem todos os autores querem que seu trabalho seja “remixado”. E uma vez livremente  acessível online, não há praticamente nenhuma necessidade de ser re-publicado!

Observe  que juntamente com o acesso livre em linha gratuito, as  seguintes facilidades virãotambém  automaticamente:

(1) seleção,
(2) o acesso na tela do monitor,
(3) enlace, conexão,
(4) o dowload (baixar, descarregar),
(5)  armazenamento local,
(6) impressão local,  cópia impressa,  e
(7) mineração de dados local executado pelo usuário,

(iii) Os pesquisadores devem continuar a  publicar suas descobertas na revista que seja mais apropriada para publicar o seu trabalho – geralmente a revisão por pares da revista  com o mais alto nível do padrão de revisão por pares que seu artigo possa encontrar.  É bom estimular os pesquisadores a  publicarem em revistas de acesso aberto (via Dourada) desde que haja revista de acesso livre adequada, e  que haja recursos disponíveis para financiar o pagamento da taxa de publicação,  mas a publicação em revistas de acesso livre não deve e não precisa ser obrigatória. Publicar na revista ideal para o artigo e depois fazer o depósito ou auto-arquivamento no repositório institucional ou central ou temáticos já é suficiente.

As agências de fomento à pesquisa,  em nenhum caso,  deve esperar passivamente pelos editores para decidir se e quando eles desejam  converter suas revistas para acesso livre (via Dourada), oferecendo, apenas para desviar, os escassos recursos para pagar taxas de publiação. A adoção da estratégia da via Verde  agora e, posteriormente, a publicação de acesso livre  será bem sucedida em sua adaptação  à  nova realidade do acesso livre, naturalmente, por sua própria vontade – e o custo total será substancialmente menor para ambas as instituições e agências de fomento.

Ou seja, o entendiento é de que  a melhor estratégia a ser adotada é o da via Verde, que deve ser adotada imediatamente.  A conversão das publicações para revistas de acesso livre virá posteriormente, de forma natural, voluntariamente, de acordo com os interesses dos editores.  Não há necessidade de as agências de fomento apoiar essa conversão.

janeiro 17, 2012 Publicado por | artigo | , , , , , | Deixe um comentário

OA: medidas concretas para proteger a propriedade intelectual

US OSTPApresento, a seguir, mais uma das respostas dadas por Stevan Harnad ao questionamento do OSTP (RFI). Para facilitar o entendimento e tornar a tradução mais clara, utilizarei o termo pesquisa científica em lugar do termo “artigo revisado por pares proveniente de pesquisa financiada com recursos públicos”. Da mesma forma, utilizarei o termo revistas científicas com o entendimento de que são revistas que adotam a revisão por pares no processo de seleção e publicação de artigos científicos. Da mesma forma para evitar retições desnecessárias usarei a frase “mandato/política de acesso livre Verde” com o entendimento de que se trata de “mandato/política de acesso livre aderente à estratégia da via Verde (Green OA), ou seja, a estratégia que preconiza o auto-arquivamento de artigos científicos”.

Que medidas concretas podem ser tomadas para proteger os interesses de propriedade intelectual dos editores, cientistas, agências federais e outras partes interessadas envolvidas com a publicação e difusão de artigos científicos?

Cientistas: Com a  adoção de um mandato/politica de acesso livre Verde  os interesses de propriedade intelectual dos cientistas continua  protegida exatamente como ela esta agora: os cientistas retêm a autoria de seu trabalho. Os Uso e citações devem ser atribuídos. Isso é tudo o que os cientistas necessitam, uma vez que nunca publicaram os seus artigos com o interesse em obter lucros provenientes das receitas de royalties da venda de seus artigos às revistas científicas.  O único interesse/objetivo era que os seus artigos científicos  fossem acessados​​, lidos, utilizados, aplicados e que novas pesquisas e aplicações fossem desenvolvidas a partir deles, contribuindo para aumentar o seu fator de impacto da pesquisa e promovendo o avanço da pesquisa científica.  É também por esta razão que no sistema de avaliação de desempenho da pesquisa, por intermédio do fator de impacto das pesquisas,   os pesquisadores são recompensados ​​com o aumento do emprego, salário, promoção, gestão, financiamento de pesquisas, prêmios e outras honrarias.  É também por meio do incremento no fator de  impacto da pesquisa – e progresso das pesquisas científicas / aplicações - que os contribuintes são reembolsados pelo investimento no financiamento da científica. A obrigatoriedade de acesso aberto maximiza o fator de impacto da pesquisa.

Agências de fomento : A adoção de mandato/política de acesso Verde  assegura a maximização dos interesses de propriedade intelectual e investimentos das agências de fomento, por intermédio da garantia de que os artigos científicos sejam acessíveis a todos os potenciais usuários e não apenas para aqueles cujas instituições podem ter o acesso por meio de assinaturas das revistas científicas. O resultado é que a  assimilação, uso, aplicaçõeses e fator de impacto dos artigos científicos provenientes de pesquisas científicas  são maximizadas.

Outras partes interessadas: Com a adoção de mandato/política de acesso livre Verde,  as outras partes interessadas e beneficiárias são: (1) a pesquisa em si – a sua evolução, aplicações e fator de impacto, (2) os pesquisadores, instituições (3) a pesquisa, (4 ) as agências de fomento à pesquisa (5), a vasta indústria de P & D, (6) os alunos (7) os professores , (8) o mundo em desenvolvimento, os jornalistas, (9) a ciência e os contribuintes  cujos impostos financiam a pesquisa para o benefício de quem a pesquisa é conduzida.

Observe que o real interesse aqui não é a “propriedade intelectual”, mas a acessibilidade à pesquisa, assimilação, uso, aplicações e progresso da ciência.

Editores: Com a adoção de mandato/política de acesso livre Verde, os interesses de propriedade intelectual dos editores estão protegidos por meio da cessão, por parte do autor, do direito exclusivo de vender o acesso à edição impressa e em linha  da  versão-de-registro da editora.

Se e quando o acesso em linha gratuito à versão final do autor, eventualmente, provocar cancelamentos de assinaturas, tornando-as insustentáveis como meio de cobrir os custos de publicação, os editores podem cortar custos obsoletos, eliminando totalmente o acesso em linha e a edições impressas (para o quais não não haverá mais uma demanda sustentável, se e quando as assinaturas não forem mais sustentáveis) , transferindo todo o acesso e prestação de serviço de arquivamento para a rede mundial de repositórios de institucionais de acesso livre. O único custo essencial remanescente é o de revisão por pares em sí dos artigos submetidos será, que as instituições não terão dificuldades de pagar – modelo “autor-paga” usualmente adotado, hoje, pelas publicações que aderiram à estratégia da via Dourada – a partir de uma fração de sua eventual economia anual obtida a partir do cancelamento das assinaturas de revistas científicas.

 

Hoje, no Brasil, quase todas as universidades que estão tentando implantar os seus repositórios institucionais vêm encontrando dificuldades devido à forte resistência que as suas Procuradorias Jurídicas fazem por intermédio de exigências excessivas devido ao receio de que as editoras venham interpelar as respectivas universidades. É preciso fazer os advogados, usualmente provenientes da Advocacia Geral da União entenderem que o auto-arquivamento é uma prática que já se tornou usual em todo o mundo e que mais de 60% das editoras permitem este auto-arquivamento. É importante também que as políticas institucionais de informação tenham o cuidado de observar que a obrigatoriedade de depósito deve se restringir aos artigos científicos e que aqueles que possuam restrição de acesso e divulgação devem manter-se de acesso restrito com a facilidade do uso do botão “fair dealing” que existe tanto no software Dspace quanto no Eprints. São detalhes que devem ser muito bem explicados aos advogados das Procuradorias Jurídicas.

Infelizmente não tenho poderes para criar uma norma geral nacional a respeito desta questão. Mas, seria interessante que a Advocacia Geral da União expedisse uma norma nesse sentido de forma a facilitar a vida das universidades. Esta é uma questão institucional.

janeiro 16, 2012 Publicado por | artigo | , , , , , | Deixe um comentário

O Acesso Livre (OA) Significa Antecipar o Acesso à Pesquisa

Em seguida aos questionamentos anteriores, o  Office of Science and Technology Policy (OSTP) faz a seguinte pergunta:

Que tipo de acesso a estas publicações é necessário para maximizar o crescimento econômico dos EUA e melhorar a produtividade de seus empreendimentos científicos?

Stevan Harnad responde dizendo que o que é exigido é o  acesso livre, em linha,  para todos os usuários  à versão final do artigo revisado por pares. Aforma de fornecê-lo é tornar obrigatório, ou seja exigir que esta versão proveniente de todas as pesquisas financiadas com recurss públicos sejam depositadas (auto-arquivadas) no repositório institucional do seu pesquisador imediatamente à aceitação de sua publicação.

É importante também especificar que o locus do depósito direto deve ser o repositório institucional da instituição à qual se vincula o pesquisador e não um repositório central externo ou repositórios temáticos. Após este depósito, o referido repositório instiucional pode automaticamente exportar seus conteúdos para um repositório central ou temático – e/ou os repositórios central e temático podem automaticamente coletá-los – para consulta e navegação.

Mandatos/Políticas OA reforçam-se mutuamente. Se forem complementares, o depósito institucional convergente torna-se obrigatório tanto pelas agências de fomento quanto pelas insituições (universidades e instituições de pesquisa), ao invés de competirem desnecessarivamente por meio de  depósitos divergentes em múltiplos repositórios instituicionais/centrais/temáticos. Assim as instituições – fornecedoras universais de todas as pesquisas científicas financiada com recursos públicos e não financiadas – estarão em posição de reforçar, monitorar e garatir o cumprimento dos mandatos/políticas de acesso livre das agências de fomento. Isto encorajará também as instituições a adotar o depósito obrigatório de suas próprias pesquisas, para todos os artigos resultado de pesquisa. Revisado por pares, financiadas e não finaciada com recursos públicos. Isto, por sua vez, aumentará o escopo e os benefícios dos mandatos/políticas das agências de fomento, muito além das pesquisa que eles financiam (veja a Figura 1, para a importância de obter o resto das pesquisas mundiais, para o Acesso Livre recíproco, de forma que cada um possa se beneficiar completamente).

Figura 1. Gráfico mostrando a análise Benefício/Custo para o Reno Unido feita por Houghton et al.

Muitas universidades já têm seus repositórios, construídos a partir de pacotes de software livre, tais como o Dspace e Eprints. Mas, para os pesquisadores beneficiários de financiamento com recursos públicos cujas instituições não tenham o seu próprio repositório, existem repositórios bak-up, como o OpenDepot, criado especificamente para desempenhar a mesma função até que a instituição tenham o seu próprio repositório, quando então a instituição poderá importar todos os depósitos de seus pesquisadores.

De forma ideal, o acesso aos depósitos devem ser abertos imediatamente ao depósito, de maneira que a assimilação e impacto possa ser maximizado imediatamente. A vantagem do impacto de uma pesquisa em acesso livre mostrou não apenas que o impacto é perdido se a pesquisa não se encontra em acesso livre, mas que o acesso tardio não necessariamente recupera o impacto perdido; Muitas vezes é importante a pesquisa ganhar visibilidade enquanto o ferro está quente, caso contrário o resultado pode não atingir todo o seu potencial impacto.

Veja maiores detalhes no artigo

Gentil-Beccot A, Mele S, Brooks T.C. (2010) Citing and reading behaviours in high-energy physics. Scientometrics. 2010;84(2):345–55

Figura 6. Gráfico apresentando vantagens do impacto de uma pesquisa em Acesso Livre Open Access Incluindo a vantagem do acesso antecipado na área de Física

ArXiv – Repositório Temático de Acesso Livre que contém artigo provenientes da area de Física e outras áreas.

Stevan observa que o impacto perdido provocado pelo acesso tardio não constitui apenas em  atraso, alguns desses acessos tardios podem provocar a perda permanente de impacto. É por isso que qualquer restrição ao acesso é prejudicial para a pesquisa

Porém,  se as agências de fomento concorda , no entanto, em permitir um embargo temporário sobre acesso livre, o tempo  permitindo esse embargo deve ser mínimo – não mais que 6 meses. Enquanto isso, o depósito obrigatório deve ser feito imediatamente após a aceitação para publicação. Durante o período de embargo o pacote de software que administra o repositório deve tornar possível, aos pesquisadores individuais, solicitar - e os autores  fornecerem - uma única cópia do artigo embargado para o usuário individual para fins de pesquisa com apenas um clique do solicitante e um clique do autor.  (Isto não é um acesso completamente livre, mas pode ajudar no atendimento às necessidades de informação do usuário  durante o embargo.)

Maiores detalhes sobre esta funcionalidade podem ser encontrado no artigo que segue:

Sale, A., Couture, M., Rodrigues, E., Carr, L. and Harnad, S. (2012) Open Access Mandates and the “Fair Dealing” Button. In: Dynamic Fair Dealing: Creating Canadian Culture Online (Rosemary J. Coombe & Darren Wershler, Eds.)

ABSTRACT:  Trata-se da descrição do botão ”Fair Dealing” , uma funcionalidade desenhada para autores que depositaram seus artigos  em um Repositório Institucional de Acesso Livre, cuja permissão de acesso é restrita  ”Closed Access”  (isto significa que apenas os metadados são visíveis, mas não o texto integral do artigo), portanto, o seu acesso não está liberado. O referido botão permite aos usuários individuais  solicitá-lo aos seus autores e estes fornecem uma simples cópia do referido artigo via um processamento semi-automatizado de email.  O propósito desse botão é atender as necessidades de uso da pesquisa durante o seu embargo ou restrição ao Acesso Livre e, mais importante, trnar possível às instituições a adoção da política “Depósito imediato/acesso opcional”, sem exceções. Esta facilidade evita a adoção de mantados/políticas que permiterm o depósito tardio ou isenção de depósitos, depnedência das cláusulas de embargo ou permissões dos editores  (ou nenhum mandato). Isto e apenas o “Acesso Quase livre” ( “Almost-Open Access” . Apesar de ser uma cláusula de exceção nos mandatos/políticas que estabelecm o depósito imediato, esta facilidade vai acelerar o advento do Acesso Livre Universal.

janeiro 14, 2012 Publicado por | artigo | , , , , , | Deixe um comentário

Quais são os custos e benefícios das políticas de acesso livre?

Ainda respondendo ao questionamento do Office of Science and Technology Policy (OSTP) do governo americano, Stevan responde a uma outra parte da primeira questão colocada pelo RFI do OSTP.

Quais os custos  e benefícios relativos das políticas de acesso livre?
 (Question 1c) What are the relative costs and benefits of such policies?

Os custos e benefícios de fornecer o Acesso Livre tê sido exaustivamente analisados, país por país, no Economic implications of alternative scholarly publishing models: Exploring the costs and benefits (see Figure 1):

Figura 1. Gráfico mostrando a análise Benefício/Custo para o Reno Unido feita por Houghton et al.

Houghton, J.W. & Oppenheim, C. (2009) The Economic Implications of Alternative Publishing ModelsPrometheus 26(1): 41-54

Houghton, J.W., Rasmussen, B., Sheehan, P.J., Oppenheim, C., Morris, A., Creaser, C., Greenwood, H., Summers, M. and Gourlay, A. (2009). Economic Implications of Alternative Scholarly Publishing Models: Exploring the Costs and Benefits, London and Bristol: The Joint Information Systems Committee (JISC)

Houghton, J.W. and Sheehan, P. (2009) Estimating the potential impacts of open access to research findingsEconomic Analysis and Policy, vol. 39, no. 1, pp. 127-142.

Harnad, S. (2010) The Immediate Practical Implication of the Houghton Report: Provide Green Open Access NowPrometheus 28 (1): 55-59

janeiro 13, 2012 Publicado por | artigo | , , , | Deixe um comentário

Como a estratégia da via Verde pode ser usada para o crescimento da economia e da produtividade da Ciência?

A segunda parte do RFI do Office of Science and Technology Policy (OSTP) do governo americano é muito interessante. Vejam abaixo:

US OSTPComo as políticas para o arquivamento de artigos científicos, tornando-os acessíveis publica e livremente, podem ser usadas para o crescimento da economia  e melhoria da produtividade nos empreendimentos científicos?

Comentário deste blogueiro (HK) : Trata-se de uma questão  pertinente e difícil de responder, uma vez que o uso da  informação científica não é evidente e muitos não conseguem entender devido à sua especificidade. Poucas pessoas conhecem  a verdadeira dimensão do termo “informação científica”: políticas, tratamento, disseminação, difusão e usos.  A informação científica é crucial para o desenvolvimento das pesquisas científicas e, consequentemente da ciência.

O resultado dessas políticas será a retomada das pesquisas, construída e aplicada por qualquer pesquisador, ao invés de, como agora, apenas os pesquisadores cujas instituições assinam as revistas científicas em que os artigos científicos foram publicados. Isso maximiza o acesso à pesquisa, uso e impacto, que por sua vez, maximiza o progresso da pesquisa, a  produtividade, e os benefícios do P & D para os contribuintes que financiaram a pesquisa.

O sistema atual de acesso restrito aos resultados de pequisas financiadas com recursos públicos, no qual apenas os pesquisadores cujas instituições podem se dar ao luxo de assinar a revista em que foram publicados é um legado da economia da era da imprensa (Gutenberg), e não é mais necessário. Na era digital não há mais qualquer motivo para que esses resultads não sejam acessíveis a todos os potenciais usuários.

Nas comparações cuidadosas do impacto da pesquisa (citações e downloads) entre os resultados publicados em uma mesma revista e ano que tornnaram-se de acesso livre, tem sido repetidamente relatados, em todos os campos testados, que aqueles que se tornaram livremente acessíveis são baixados (downloaded) e citados significativamente mais do que os resultados publicados (na mesma revista e ano) que não se tornaram  livremente acessíveiso (ver Figura 5). Barreiras de acesso significa barreiras à aplicações da pesquisa e benefícios.  Portanto, perdas aos contribuintes nos investimentos em pesquisa científica.

Firuga 5. Gráfico mostrando o incremento do fator de impacto das pesquisas disponbilizadas em acesso livre via a estratégia da via Verde (Green OA).

Em todas as disciplinas testadas, as citações (e downloads) são significativamente maiores para os artigos que se tornaram livremente acessíveis por seus autores (self-archiving) em comparação com artigos no mesmo jornal e ano que não se tornaram livremente acessíveis. (O ponto importante é que o impacto OA é sempre maior, em todos os disicplinas, e não a ordem de classificação do tamanho da vantagem por disicplinas, que varia de ano para ano e de amostra para amostra.) Citações indicam que a pesquisa está sendo usada e desenvolvida dando origem a mais pesquisas e aplicações.

Vejam mais em:

The effect of open access on downloads (‘hits’) and citation impact: a bibliography of studies

Gargouri, Y., Hajjem, C., Lariviere, V., Gingras, Y., Brody, T., Carr, L. and Harnad, S. (2010) Self-Selected or Mandated, Open Access Increases Citation Impact for Higher Quality ResearchPLoS ONE 5 (10) e13636

Hajjem, C., Harnad, S. and Gingras, Y. (2005) Ten-Year Cross-Disciplinary Comparison of the Growth of Open Access and How it Increases Research Citation ImpactIEEE Data Engineering Bulletin 28(4) pp. 39-47.

Harnad, S. & Brody, T. (2004) Comparing the Impact of Open Access (OA) vs. Non-OA Articles in the Same JournalsD-Lib Magazine 10 (6) June

Perdas ou atrasos no progresso da pesquisa também significam perdas para o crescimento e produtividade da indústria de P & D em todos os campos e, portanto, à economia dos EUA (e em qualquer outro país). É um erro muito amplo e profundo contar os ganhos ou perdas potenciais de fornecer ou não acesso livre em termos de ganhos ou perdas para a indústria editorial.

A publicação de resultados de pesquisa revisados por pares em revistas científicas é um serviço prestado pela indústria editorial.  É próprio do serviço de pesquisa, pesquisadores e progresso da pesquisa, que são muito maiores e mais importantes economicamente do que a editoração de revistas científicas em si, como um negócio. É, portanto, a indústria editorial científica que deve se adaptar ao potencial da nova e poderosa  era digital, que se abriu para a pesquisa, pesquisadores, instituições de pesquisa, financiadores de pesquisa, a vasta indústria de P & D, professores, estudantes e os contribuintes que financiam a pesquisa científica.  E não o contrário.

Economicamente falando, seria um grande erro conceituar essa nova situação como a pesquisa, pesquisadores e a indústria de P & D terem que comprometer os seus potenciais achados para maximizar o progresso da pesquisa – considerando as possibilidades fornecidas pela era digital – para proteger e preservar os fluxos de receitas correntes e modus operandi da indústria editorial científica, que evoluiu para a tecnologia e economia da era passada de Gutenberg (imprensa).

A pesquisa científica ter que se adaptar à indústria editorial científica   equivaleria a um cão abanando a cauda. Deve-se ter em mente, muito claro, que a industria editorial científica existe para servir à pesquisa, e não o contrário.

A pesquisa com financiamento público tem direito ao benefício integral científico e público da sua abertura por intermédio da comunicação em linha. A indústria editorial científica pode e deve continuar a evoluir até que se adapte naturalmente às novas demandas e necessidades da era digital de acesso livre à pesquisa científica.

Harnad, S. (2007) The Green Road to Open Access: A Leveraged Transition. In: The Culture of Periodicals from the Perspective of the Electronic Age, pp. 99-105, L’Harmattan.

RESUMO: O que a comunidade científica precisa, urgentemente, é do acesso livre (Open Access, OA) a seus próprios resultados de pesquisa.  Pesquisadores podem fornecer isto de duas maneiras: 1) publicando os seus artigos em revistas centíficas de acesso livre (Gold OA, via Dourada) ; ou continuando a publicar em revistas científicas não OA (revistas científicas acessíveis via pagamento de assinaturas)  e auto-arquivando a versão final de seus artigos revisados por pares no Repositório Institucional de sua instituição (Green OA, via Verde). O auto-arquivamento em Acesso Livre, uma vez que se torna  obrigatório pela instituição de pesquisa e/ou agências de fomento, pode gerar confiavelmente 100% do acesso livre (Green OA).  A estratégia da via Dourada ( Gold OA) requer que as revistas científicas acessíveis mediante o pagamento de assinaturas convertam-se em revistas científicas de acesso livre (OA), que não se encontra nas mãos da comunidade científica e também requer receitas para cobrir os custos da sua publicação.  Com 100% Green OA, os problemas de acesso e impacto  da comunidade científica está resolvido. Se e quando for alcançado os 100%  da literatura científica em acesso livre, pela estratégia da via Verde (Green OA), este novo contexto causará significante pressão para cancelamento de (ninguém sabe se e quanto isto acontecerá, porque a estratégia da via Verde (OA Green) crescerá anarquicamente, artigo a artigo, e não revista a revista) então a pressão por cancelamento causará uma redução de custos, achatamento e eventualmente a transição pela adoção da conversão das revistas científica baseadas na captação de recursos via assinaturas para revistas científicas de acesso livre.  Como as receitas provenientes de assinaturas serão achatadas,  eventuais economias provenientes do cancelamento tende a crescer.  Se e quando as assinaturas de revistas tornarem insustentáveis,  o custo por artigo publicado cairá o suficiente, e as economias institucionais provenientes do cancelamento das assinaturas de revistas, serão suficientes para cubrí-los, porque as revsitas científicas terão reduzdo os seus custo para apenas arcar com os custos da revisão por pares. , geração/envio de textos para os autores e fornecimento de acesso/ arquivamento na rede global de repositórios institucionais. A estratégia da via Verde (Green OA) terá provocado a transição para a revista científica de acesso livre (Gold OA).

 

Aqui se encerra a segunda parte da resposta de Stevan Harnad ao RFI do OSTP.

janeiro 12, 2012 Publicado por | artigo | , , , , | 3 Comentários

OA: Respostas de Stevan Harnad à solicitação de informações do US OSTP (Parte 3)

Algumas das respostas de Stevan Harnad já foram amplamente divulgadas neste blog e, certamente, elas continuarão fazendo parte das suas respostas ao RFI do OSTP do governo americano. Portanto, peço aos leitores deste blog desculpas por essa duplicidade de informação. No entanto, acho interessante continuar publicando as respostas para reiterar e levar ao conhecimento dos leitores que visitam este blog pela primeira vez e não tem conhecimento do estágio do OA. Isto reforçará os conhecimentos daqueles que já possuem algum contato com o OA, assim como nivelará o conhecimento daqueles que nada sabem a respeito do OA.

Segundo Harnad, a adoção e estabelecimento de mandatos/políticas de acesso livre é, portanto, ótima também para os EUA.

A principal barreira que limita o acesso aos resultados das pesquisas  na era da Internet é o fato de que, embora a pesquisa seja financiada com recursos públicos, os resultados delas só são acessíveis aos pesquisadores cujas instituições podem pagar pelas assinaturas de acesso às revistas na quais foram publicadas. Existem mais de 25.000 revistas arbitradas por meio de revisão por pares em todos os domínios científicos e acadêmicos em todo o mundo. Nenhuma universidade ou instituição de pesquisa conseguem assinar todas ou a maioria dessas revistas. A maioria das universidades só conseguem assinar uma pequena e diminuta fração delas:

Indicadores estatísticos, produzidos pela ARL, sobre coleções de revistas científicas nas universidades 

ARL – Association of Reseach Libraries

Na era de Gutenberg – impressão em papel – antes da era da Internet, não havia remédio para isso, porque os verdadeiros custos de fornecimento de acesso, via impressão em papel, eram tão altos que, a fim de cobrir os custos essenciais, os custos não elimináveis, as instituições tiveram que pagar pela assinatura dessas revistas.

Os custos de fornecimento de acesso à revista impressa, hoje, são ainda altos. Mas, o custo de fornecimento de acesso, por sí só, em linha não é – na realidade são próximos de zero: uma vez que os artigos após serem revisados por pares e aceitos para publicação, poderiam ser depositados por seus autores/pesquisadores em repositórios institucionais ou centrais para torná-los disponíveis via o acesso em linha, livre para todos, independentemente de a sua instituição (ou, no caso do Brasil, os governos Federal e Estadual) ter condições ou não de assinar a versão impressa da revista ou da sua versão em linha :

Registry of Open Access Repositories (ROAR)

O custos de fornecer a revisão por pares não é zero. A revisão por pares pode ser gratuíta, mas o editor da revista deve escolher os revisores e aprovar as revisões. Porém, o custo da revista (revisão por pares  +  impressão e distribuição + preparação para a versão em linha e distribuição de acesso) são totalmente cobertos hoje pelas assinaturas/licenças pagas pelas instituições (no caso do Brasil, os governo Federal e Estadual)  que podem pagar para assinar cada revista.

A internet agora torna possível  complementar a assinatura do acesso à versão em linha da revista com o acesso gratuito à versão final do artigo revisado por pares para todos os potenciais usuários cujas instituições não podem pagar pela assinatura da versão em linha da revista.

Daí um, simples, passo sem custos que as agências de fomento podem e devem tomar para maximizar a captação, uso e impacto das aplicações provenientes de artigos revisado por pares é tornar obrigatório (ou seja, exigir) que a versão final do artigo revisado por pares provenientes das  pesquisas financiadas  com recursos públicos  devem ser depositados (“self-archived”), em repositório institucional ou Central de acesso livre, imediatamente após a sua aceitação para publicação.

Mais de 50 agências de fomento (incluindo o NIH) e cerca de 200 universidades e instituições de pesquisa em todo o mundo (incluindo Harvard e MIT) já adotaram mandatos/políticas de acesso livre (Green OA). (Veja a curva de crescimento de mandatos no ROARMAP (Registry of Open Mandatory Access políticas de arquivamento, Figura 2, abaixo). Isto é o que veio a ser chamado de “Acesso Livre pela via Verde” (Green OA) auto-arquivamento:

Figura 2. Gráfico mostrando o crescimento do registro de mandatos/políticas de acesso livre (Green OA) em instituições e agências de fomento

Figura 2. Gráfico mostrando o crescimento do registro de mandatos/políticas de acesso livre (Green OA) em instituições e agências de fomento

Harnad, S., Brody, T., Vallieres, F., Carr, L., Hitchcock, S., Gingras, Y, Oppenheim, C., Stamerjohanns, H., & Hilf, E. (2004) The green and the gold roads to Open Access. Nature Web Focus.

A obrigatoriedade preconizada pela estratégia da via Verde é a mais simples, medida praticamente livre de custos que vai promover o crescimento de mercados novos e existentes para os frutos das pesquisas financiadas com recursos públicos.

Para ver o poder da estratégia da via Verde para acelerar o crescimento do Acesso Livre, compare a taxa de crescimento das revistas de Acesso Livre [(Gold OA), que não está nas mãos da comunidade científica, nem nas mãos das agências de fomento e, portanto, seu crescimento não pode ser acelerado por mandatos/políticas] com a taxa de crescimento da estraégia da via Verde do Acesso Livre (Green OA) quando é obrigatória. (Veja a Figura 3 e Figura 4 abaixo. Veja também Figura 4a).

Figura 3. Gráfico Estimativa de crescimento para as pulicações de acesso livre (Gold OA)

De acordo com as estimativas da maior editora comercial de revistas de acesso livre (OA) hoje (Springer, editora das revistas BioMed Central e Open Choice), o número de revistas de acesso livre não vai chegar a 70% das principais revistas (aqueles indexados por Thompson-Reuters Web of Science) até 2026; mesmo as estimativas mais otimistas de Laakso et al (com base em todas as revistas) não atingirão 70% até 2020.

Em contrapartida, a estratégida da via Verde (Green OA), que promove o auto-arquivamento, promoverá o acesso livre a cerca de 20% da literatura científica se o auto-arquivamento não for obrigatório.  Entretanto, se a houver a adoção de políticas/mandatos tornando obrigatório o auto-arquivamento, cerca de 70% da literatura científica   serão livremente acessíveis, em um prazo de  1-2 anos (e continuará a crescer até 100%).

Figura 4. Comparação percentual entre o crescimento da LC, pela via Verde, sem adoção de mandatos OA (livre escolha) e com adoção de mandatos OA (Obrigatoriedade) e

O gráfico da figura 4 mostra que nas instituições que adotaram a estratégia da via Verde e não estbeleceram mandatos/políticas OA, ou seja, não tornarm o auto-arquivamento obrigatório, houve o depósito de apenas cerca de 20% da produção científica nessas instituiçÕes. Enquanto que nas instituições que aderiram à estratégia da via Verde e que adotaram mandatos/políticas OA ou seja que tornaram obrigatório, aos seus pesquisadores, o auto-arquivamento, cerca de 70% da produção científica dessas instituições foram depositadas nos seus repositórios institucionais.

Poynder, Richard (2011) Open Access by NumbersOpen and Shut, 19 June 2011

Laakso M, Welling P, Bukvova H, Nyman L, Björk B-C, et al. (2011) The Development of Open Access Journal Publishing from 1993 to 2009. PLoS ONE 6(6): e20961. doi:10.1371/journal.pone.0020961

Figura 4a. Porcentagens para as principais revistas considerando as estratégias Verde e Dourada

Figura 4a. Porcentagens para as principais revistas indexadas pelo ISI, não indexadas e seu total, considerando as estratégias Verde e Dourada

As razões para as diferenças de percentuais das estratégias das via Verde / Dourada são que (1) cerca de 10% de todos as revistas são de Acesso Livre (Gold OA), (2) uma percentagem muito menor das principais revistas são revistas de Acesso Livre (Gold OA), (3) todos os artigos de revistas podem ser auto-arquivadas, e (4) mais de 60% das  revistas de acesso restrito (Não-OA, ou seja comerciais) já aprovaram o auto-arquivamento preconizado pela via Verde (Green OA). Cf. Figura 3 e Figura 4.

Neste ponto faço uma pausa para amanhã publicar mais uma parte das respostas. O inteiro teor dessas respostas pode ser encontrado no Blog Open Access Archivangelism.

janeiro 11, 2012 Publicado por | artigo | , , , | Deixe um comentário

OA: Respostas de Stevan Harnad à solicitação de informações do US OSTP (Parte 2)

US OSTPConsiderando a longa resposta de Stevan Harnad à solicitação de informação (RFI) do Office of Science and Technology Policy (OSTP) do governo americano, o post publicado ontem neste blog teve o cuidado de não apresentar a resposta completa e apenas apresentar o link para o blog do Stevan, onde se encontra a resposta completa, em inglês.

Dando continuidade, hoje, publico a parte restante da resposta à primeira questão do RFI do OSTP do governo americano. Em sequência à relação de artigos apresentada no post publicado ontem, Stevan Harnad faz um resumo de seu artigo, conforme apresento abaixo.

Harnad, S. (2010) The Immediate Practical Implication of the Houghton Report: Provide Green Open Access NowPrometheus 28 (1): 55-59

RESUMO: Entre as diversas  implicações importantes do relatório de Houghton et al (2009), oportuna e esclarecedora análise do JISC sobre os custos e benefícios de fornecer acesso gratuito em linha (“Open Access,” OA) a artigos de periódicos acadêmicos e científicos, revisado por pares, destaca-se como particularmente atraente: Isto  produziria  uma relação  benefício/custo  da ordem de quarenta vezes o custo de fornecer acesso livre se todos os artigos científicos fossem auto-arquivados pelos seus autores em repositórios OA (Green OA). Há muitos pressupostos, estimativas e análises sustentadas pela  modelagem elaborada por Houghton et al,  elas são na maior parte muito razoáveis e até mesmo conservadoras. Isso faz da sua mais forte implicação prática particularmente impressionante: A relação benefício/custo da ordem de 40 vezes  o custo de fornecer o acesso livre via a estratégia Verde (Green OA) é uma ordem de magnitude maior do que todas as potenciais combinações possíveis de outras alternativas analisadas e comparadas  ao status quo por Houghton et al. Este resultado é tanto mais significativo, tendo em conta o fato de que a auto-arquivamento já repousa inteiramente nas mãos da comunidade científica (pesquisadores, suas instituições e seus financiadores), enquanto a estratégia preconizada pela via Dourada (“Gold”) OA  depende da indústria editorial.  Talvez o mais notável é o fato de que este resultado surgiu a partir de estudos que abordaram o problema principalmente do ponto de vista da economia da publicação e não a economia da pesquisa.

Abaixo (Figura 1), Houghton et al apresenta um sumário da relação estimada benefícios/custoa para o Reino Unido, considerando as duas estratégias de proporcionar acesso livre: (i) Green OA = os autores continuam publicando em revistas científicas de sua escolha, mas tornando-os livremente acessíveis por meio do seu auto-arquivamento no repositório institucional de sua instituição ou (ii) Gold OA = os autores publicam em revistas de acesso livre, as quais fornecem acesso livre a todos os seus artigos. em linha, gratuitamente e cobram do autor uma taxa de publicação. Houghton et al calcularam, separadamente, a relação custo/benefício para as universidades do Reino Unido (HE) e para o Reino Unido como um todo, para converter para a estratégia Gold OA ou para converter para a estratégia Green OA, e em função da conversão isolada do Reino Unido, ou se a conversão é feita em todo o mundo.

Figura 1. Gráfico mostrando a análise Benefício/Custo para o Reno Unido feita por Houghton et al.

Veja também:

The effect of open access on downloads (‘hits’) and citation impact: a bibliography of studies
As duas coisas importantes a observar pelo USOSTP RFI são:  (1) que, para todos os cenários de conversão, os custos de conversão pela estratégia Green OA é muito menor (e distribuído entre as instituições) e a relação Benefício/Custo é muito maior) do que da conversão pela estratégia Gold OA e ainda mais importante, (2) agências de fomento  (assim como as instituições de ensino e pesquisa) podem tornar obrigatória a conversão por meio da estratégia Green OA aos seus beneficiários o auto-arquivamento de seus artigos científicos (ou empregados, no caso das instituições de ensino e pesquisa) mas eles não podem tornar obrigatória a conversão das revistas científicas comerciais para acesso livre (Gold OA), porque estas encontram-se nas mãos dos editores.

Neste parágrafo anterior, Stevan Harnad, aliás em todo o post, faz colocações que são válidas não apenas para os EUA mas para todos os Países, inclusive o Brasil. Farei uma pausa agora e amanhã continuaremos, com a resposta à primeira questão do RFI, especialmente com o tópico Mandatos ou Políticas.

janeiro 10, 2012 Publicado por | artigo | , , , | Deixe um comentário

Novo prazo para submissão de trabalhos ao ELPUB 2012

O prazo para submissão de trabalhos ao ELPUB 2012 foi prorrogado para o dia 18 de Janeiro de 2012. Portanto, trata-se de uma ótima oportunidade para aqueles que têm interesse em participar do ELPUB 2012.

janeiro 9, 2012 Publicado por | Evento | , , , | Deixe um comentário

Em busca de maior agilidade para o Acesso Livre no Brasil

O meu primeiro post de 2012, pode ter deixado algumas dúvidas na cabeça dos leitores do Blog do Kuramoto. Por que buscar contatos com dirigentes de tão alto escalão, afinal o PLS 387/2011 já não foi apresentado e encontra-se em curso de discussão e aprovação?

Realmente, no entanto, o seu caminho tende a ser longo e corre riscos ao longo do seu encaminhamento, como aconteceu com o PL 1120/2007, que após 4 (quatro) anos de discussão e aprovação em duas comissões permanentes da Câmara dos Deputados, foi arquivado. Isto significa que temos que buscar todos os caminhos necessários à implantação de uma política de Acesso Livre no Brasil.

Ao contrário do poder legislativo, o poder executivo, se convencido adequadamente, tende a dar maior celeridade na implantação dessa política, pois, basta ao ministro ou presidente das agências de fomento publicarem uma portaria tornando obrigatório aos pesquisadores beneficiados com recursos públicos para o desenvolvimento de suas pesquisa o depósito de sua produção científica, derivada dessas pesquisas, em repositórios institucionais ou centrais. Isso depende do entendimento dos dirigentes e de sua boa vontade em fazê-lo. Esse tipo de pleito deveria ser conduzido institucionalmente, evidentemente, reconheço que não tenho nenhuma representatividade e importância para esses dirigentes. Sou apenas um cidadão, funcionário público e um especialista em ciência da informação. Nesse contexto, não tenho qualquer representatividade. Portanto, entendo ser importante que  instituições como o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) entendam a importância do Open Access para a Ciência brasileira e as oportunidades que as estratégias do OA apresentam ao País.

Não esqueço que o País já deu algum andamento em iniciativas de OA no País, mas ainda é muito pouco se comparado com iniciativas realizadas por outros países. Para que haja um maior entendimento do OA para a Ciência brasileira seria necessário que esses dirigentes conhecessem os fundamentos do OA e a importância da informação científica para o desenvolvimento da Ciência. A informação científica é um insumo crucial para o desenvolvimento das pesquisas científicas. Hoje, não se desenvolve uma pesquisa científica sem  acesso a esse insumo. Quanto mais se tem acesso à informação científica, mais pesquisas serão desenvolvidas e mais informação científica será gerada. Trata-se de um círculo virtuoso.

Fala-se muito em inovação tecnológica, mas como inovar sem promover o registro e disseminação dos resultados das pesquisas? Quem, hoje, no País, se preocupa com essa questão? De que adianta estabelecer políticas nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação, sem envolver diretrizes ou ações relacionadas  a informação científica? Como elaborar uma Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação sem consultar a comunidade científica a respeito da informação científica? Não basta ter um Portal de Periódicos é preciso ter ações efetivas para o registro e disseminação dos resultados das pesquisas realizadas no Brasil. Ou seja, existem questões muito sérias que não foram levadas em consideração ao estabelecer diretrizes e políticas para a Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil.

O resultado é que a classe dirigente só fala em mais recursos para a Ciência e não trata de temas básicos, fundamentais para o desenvolvimento e visibilidade da Ciência no País. Qual foi o discurso de despedida do ex-ministro do MCTI, Sérgio Rezende? O ponto central do seu discurso foi o de ter ampliado o orçamento para as pesquisas brasileiras. Este é o retrato da Ciência brasileira, não podemos negar o grande desenvolvimento da Ciência brasileira nos últimos anos, mas é importante lembrar que este se deu de forma aleatória, à base unicamente da injeção de recursos. Que estratégias foram adotadas? Fica a pergunta: O que restou desse desenvolvimento? Os resultados encontram-se em alguma biblioteca, ou repositório? Existe algum registro dos resultados dessas psquisas, no Brasil? Como encontrar esses resultados? Ou eles se encontram unicamente em revistas científicas comerciais? O País é, hoje, tido como a sexta economia global, mas o desenvolvimento não se dá sempre de forma caótica.  É preciso ter mecanismos de promoção  desse desenvolvimento, estratégias, planejamento, etc.

No início do mês de dezembro de 2011, o Secretário de Estado para Negócios, Inovação e Habilidades do governo britânico apresentou ao Parlamento daquele País um relatório intitulado: Innovation and Research Strategy for Growth. Este documento apresenta estratégias a serem adotadas para o ecossistema da inovação tecnológica,  e sinaliza que a abertura do acesso aos dados das pesquisas, às  informações e à pesquisa realizada e promovida pelo setor público poderão maximizar  o seu valor econômico e social.  Ou seja, alguns países já acordaram para maximizar as suas pesquisas e estão adotando o OA como política de acesso e maximização de suas pesquisas. Assim, a pergunta que não quer calar é: quais são as estratégias brasileiras para promover o desenvolvimento da Ciência e a Inovação tecnológica?

janeiro 8, 2012 Publicado por | artigo | , , , | Deixe um comentário

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