Blog do Kuramoto

Matéria na Nature tenta descaracterizar iniciativa Open Access

Junho 15, 2009 · Deixe um comentário

Enquanto no Brasil a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nìvel Superior (CAPES) desenvolve iniciativa em benefício do acesso livre à produção científica brasileira publicada em revistas  da Elsevier mediante acordo assinado com essa empresa, dois estudantes de doutorado tentam descaracterizar o acesso livre.

Fazendo uma análise mais fria sobre a matéria, me vem à mente algumas indagações:

1) Em um país desenvolvido onde o uso da Internet é mais intenso e o uso de mecanismos maléficos como o spam são normalmente conhecidos e evitados, teria um editor de revista científica coragem de se utilizar tais mecanismos para fazer uma chamada de artigos para a sua revista? Me parece ingênuo e mentiroso o argumento utilizado pelos autores do experimento.

2) Porque os autores não submeteram o seu artigo a uma revista cientifica bem classificada no “ranking” das revistas indexadas?

3) Por que fazer o experimento apenas com uma revista de acesso livre?

4) Quais eram as reais intenções daqueles autores?

Essas indagações me levam a crer que aquela matéria foi uma tentativa declarada e maldosa de descaracterizar as iniciativas do acesso livre, em especial aquelas que se encaixam na via dourada, ou seja, o das revistas que adotam um modelo de negócio para se manter acessível livremente. Além disso, trata-se de uma tentativa também de confundir os pesquisadores quanto aos fundamentos, princípios e propósitos do acesso livre.

É importante ressaltar que o acesso livre não propõe uma nova alternativa de comunicação científica. Os fundamentos e princípios da comunicação científica tradicional continuam válidos e sendo adotados nas revistas de acesso livre. O que muda basicamente é o suporte físico e o modelo de sustentabilidade. Por outro lado, é importante enfatizar que o acesso livre não facilita e nem dificulta a fraude. Os mecanismos de proteção e manutenção da qualidade são os mesmos daqueles preconizados por revistas comerciais.

Existe uma organização chamada OASPA – Open Access Scholarly Publishers Assotiation, que tem um código de conduta. O publisher Bentham Science não é membro desta organização, portanto, em princípio não adota os preceitos do código de conduta desta organização. E, isto significa também que não houve preocupação por parte dos autores de selecionar uma revista de comprovada idoneidade para a publicação e seu artigo. Tratou-se de uma brincadeira e como tal devemos encarar os referidos autores. Portanto, não merecem crédito algum.

Não posso deixar de me indignar com essa tentativa descarada e maldosa de descaracterizar as iniciativas do acesso livre. E, espero que os nossos pesquisadores não embarquem nessa balela. É nossa responsabilidade preservar o elevado espírito das iniciativas do acesso livre e lutar contra essa descaracterização, pois, o insucesso do acesso livre poderá projedicar a nós mesmo, os próprios pesquisadores. Nâo podemos ler matérias como aquela de forma passiva e sem o menor senso crítico.

Apesar desses ataques, continuo acreditando que o Acesso Livre é um caminho sem volta, é irreversível e está em vias de se consolidar em todo o mundo!!!

Acesso Livre significa compartilhar conhecimentos, significa construir a base para um mundo melhor e menos desigual!!

→ Deixe um ComentárioCategorias: Comunicação Científica · Iniciativa OA · Publicação Eletrônica

Capes promove maior visibilidade da produção científica brasileira

Junho 11, 2009 · Deixe um comentário

Segundo o Portal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de nível Superior (CAPES), esta importante organização que coordena os programas de pós-graduação no Brasil, firmou acordo com a Elsevier, o qual “… vai permitir acesso aos artigos científicos publicados em periódicos da Elsevier por autores vinculados a instituições brasileiras”. Segundo a matéria constante no referido portal:  Desde janeiro deste ano, quando um autor submete um manuscrito para publicação em um periódico da Elsevier, ele tem a opção de escolher se o artigo pode ou não ter seu acesso liberado. Para isso, é necessário que ele esteja afiliado a uma instituição de ensino e pesquisa brasileira e que tenha seu trabalho financiado com verbas públicas. Será a Capes quem vai indicar quais artigos ficarão disponíveis para consulta. A liberação acontecerá após um período, que varia conforme a área do conhecimento da pesquisa publicada.

“O acordo é um reconhecimento da importância da parceria entre Capes e Elsevier no desenvolvimento da Pesquisa no Brasil e busca contribuir para que o País continue alcançando novos patamares de excelência em Ciência e Tecnologia”, afirmou Dante Cid, Diretor Regional de Vendas e Marketing da América do Sul da Elsevier. Segundo ele, a solução vai aumentar ainda mais visibilidade da produção científica brasileira, que estará disponível inclusive para pesquisadores e instituições que não têm acesso ao Portal de Periódicos”

Entendemos que essa iniciativa é de fundamental importância para a implantação do acesso livre no Brasil. Desta forma, parabenizamos a Capes por tal iniciativa.

→ Deixe um ComentárioCategorias: Comunicação Científica · Iniciativa OA · Publicação Eletrônica

BDTD ultrapassa a marca das 100 mil teses e dissetações eletrônicas

Junho 10, 2009 · Deixe um comentário

A Biblioteca digital brasileira de teses e dissertações (BDTD) ultrapassa a marca das 100 mil teses e dissertações eletrônicas texto completo.  Esta marca deve ser creditada ao trabalho incansável de Sueli Maffia, do Gabriel Franklin e da equipe da Unicamp que nos últimos dias fizeram um verdadeiro tour de force para incluir todas as teses e dissertações daquela universidade. A todas as duas equipes os meus agradecimentos. Vale ressaltar que o grande beneficiário desse trabalho é a comunidade científica que ganha o acesso a esse precioso acervo. Um outro fator muito importante a destacar é que esse feito só foi possível porque as duas instituições, Unicamp e Ibict, persistiram e manteve a conformidade com os padrões definidos no âmbito da BDTD.

→ Deixe um ComentárioCategorias: Informação científica · Iniciativa OA · Publicação Eletrônica · Repositórios

Êxitos de uma resposta com o suporte da tecnologia

Junho 7, 2009 · Deixe um comentário

Hoje, 6 de junho de 2009, portanto, três semanas após o lançamento da minha petição, verifico que esta iniciativa conta com 295 assinaturas, das quais 175 deixaram comentários, 174 deixaram comentários de apoio e um(a) deixou um comentário negativo.

De todas as assinaturas, tentei identificar as suas procedências  verificando os e-mails declarados. Foi muito difícil, pois uma parte dos emails declarados tem o domínio localizados em provedores públicos ou privados, mas não da instituição à qual se vincula, como por exemplo: gmail.com, Hotmail.com, ig.com.br e outros. Porém,  parte se identificou, declarando o e-mail da organização em que trabalha. Essa parte identificada representa menos de 50% do total de assinaturas. Foi possível, portanto, identificar assinaturas provenientes de 62 instituições que foram classificadas e colocadas no gráfico que se segue:

 grafico_peti

 Apesar de boa parte das assinaturas não permitirem a identificação de sua procedência, devo dizer que a petição atendeu plenamente as expectativas, uma vez que a quantidade de assinaturas é relativamente grande, cerca de 300, obtidas livre de qualquer pressão ou ameaça, e envolve uma classe variada de instituições pertencentes a diversos segmentos da comunidade científica e de informação, envolvendo tanto organismos privados, quanto públicos, federais e estaduais, e internacionais.

 Dentre as unidades de pesquisa ligadas ao MCT, foram identificadas assinaturas provenientes de 6 unidades, inclusive do Ibict. É importante ressaltar também que não houve nenhuma pressão para que as pessoas assinassem a petição. As assinaturas foram apostas por livre e espontânea vontade das pessoas que me apóiam, ao contrário do que aconteceu no Ibict quando se passou o abaixo-assinado, muitos dos colegas foram pressionados a assinar. Isto me faz lembrar de tempos passados da nossa história e que pensei jamais ver isto novamente. Sim, é incrível, mas infelizmente isto  acontece em pleno terceiro milênio. Os métodos antigos são ainda empregados. O que mais me entristece é saber que uma colega, que conviveu  e  trabalhou comigo durante anos, obrigou os seus subordinados a assinarem tal abaixo-assinado. É lamentável, aliás retiro a expressão utilizada incorretamente, não posso considerá-la como “colega” , seria um elolgio se assim fosse.  Bem, mas essas coisas a gente releva, esquece, pois esse tipo de pessoa não deveria merecer  qualquer destaque em meu blog. Aliás, é bom que se diga, tanto esta ação quanto àquela do comentário negativo em minha petição demonstram o nível de meu(s) adversário(s) ou dos seus partidários, porque não acredito que alguém que queira ser diretor do Ibict se digne a baixar a tal nível.

Por outro lado, é importante considerar que as assinaturas foram provenientes tanto de organizações brasileiras quanto estrangeiras. E, isto mostra a importância que o Ibict ganha neste terceiro milênio. Vivemos um mundo globalizado e neste contexto, não se fala mais em ciência nacional. Ela também é  globalizada e todos os desenvolvimentos e iniciativas visam consolidar essa globalização. Portanto, essa  petição vem demonstrar a dimensão que o Ibict ganhou neste terceiro milênio, mormente ao liderar o movimento do acesso livre no País. É importante dizer que o Ibict vem desenvolvendo iniciativas compatíveis com os arquivos abertos desde 2002, portanto, anterior à atual gestão.  Em 2003, eu trouxe a idéia de absorver e customizar o software Open Journal System (OJS) para a língua portuguesa, e utilizá-lo e distribuí-lo à comunidade editorial científica. Assim, se começaram as iniciativas do acesso livre no Brasil. Tema que abordarei em uma próxima matéria neste blog.

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem categoria

Nota de agradecimento

Maio 31, 2009 · 2 Comentários

Após submeter a minha candidatura a direção do Ibict ao Comitê de Busca constituído pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), e diante de uma ação interna, no Ibict, de colher assinaturas de apoio a uma outra candidatura tomei a decisão de submeter a minha candidatura a avaliação da comunidade científica, assim como da comunidade de informação. Essa avaliação foi desenvolvida por intermédio de uma petição colocada no site www.ipetitions.com/petition/kuramoto.  A minha intenção era divulgar à comunidade a minha candidatura, minhas idéias e conhecer a sua reação. Portanto, é importante esclarecer e ressaltar que esta iniciativa não teve a intenção de fazer qualquer provocação, mas foi sim uma resposta a uma iniciativa interna, no Ibict, de coleta de assinaturas de apoio a uma outra candidatura. Até então estava quietinho em meu cantinho.  Além disso, publiquei um artigo no Jornal da Ciência, no qual eu falo da importância do Ibict desenvolver determinadas iniciativas, no país, as quais vêm se desenvolvendo em alguns pontos do globo terrestre. Essa iniciativa teve a intenção de divulgar idéias e propostas. Em nenhum momento, falei em nome do Ibict, falei aquilo que penso e que deveria ser feito caso tivesse a sorte de ser escolhido diretor do Ibict.

Nesse novo contexto, o Ibict assume um grande e relevante papel que é o de internalizar e promover conhecimentos e tecnologias de forma a contribuir com essa nova forma de fazer ciência. Mas, para isso, não basta absorver e internalizar conhecimentos e tecnologias, é preciso sensibilizar todos os segmentos da comunidade científica quanto à nova forma de se fazer ciência. Algo parecido com o que venho fazendo desde 2003.

Qual não foi a minha surpresa ao ver que mais de 270 assinaturas foram apostas à minha petição e, destas, mais de 160 tiveram a gentileza e iniciativa de fazer comentários. Boa parte dos comentários com palavras de elogios, apoios e expectativas. Evidentemente que fiquei muito lisonjeado, mas, o conteúdo mais relevante que pude extrair ao analisar cada comentário diz respeito às expectativas, dentre as quais, relato abaixo:

  1. Continuar e implantar o acesso livre no País;
  2. Buscar, discutir e estabelecer política de informação em C & T;
  3. Contribuir para o desenvolvimento científico do País;
  4. Melhorar a infraestrutura de TI para ampliar o registro e disseminação da informação;
  5. Contribuir para o desenvolvimento da Ciência da Informação no País;
  6. Contribuir para maior inclusão social e digital;

Coincidentemente, todas as expectativas citadas são contempladas em minha proposta de plano de gestão para o Ibict. A minha proposta de gestão define como prioridade quatro eixos: e-science, pesquisa e ensino de Ciência da Informação, informação para o desenvolvimento e inclusão social.

O eixo e-science engloba as quatro primeiras expectativas citadas.  As outras expectativas se inserem claramente nos eixos restantes. Muito provavelmente o eixo informação para o desenvolvimento não teve mencionado nenhuma expectativa pelo fato de a divulgação da petição ter sido apenas e tão somente no meio acadêmico e de informação. O eixo da inclusão social teve dois comentários. Interessante as colocações relacionadas à inclusão social e digital. Em uma delas o assinante explicitou a sua expectativa da seguinte forma: “Como bibliotecário e leitor de alguns de seus artigo espero apenas salientar que a inclusão social/digital vai além de oferecer espaços de acesso a internet, é uma mudança profunda que possa permitir aos cidadãos  a possibilidade de interferência na construção de conteúdos virtuais, de informação e conhecimento criado pelos cidadão, fazendo-os mais esclarecidos, conscientes e participantes do mundo que vivemos”. Uma outra assinante da petição expressou a sua expectativa enfatizando a necessidade de “maior acesso e socialização do conhecimento”. Os dois comentários fazem apelo  a maior acessibilidade e espaços nos quais se possam compartilhar conhecimentos a uma comunidade maior, incluindo os portadores de alguma deficiências físicas. Essas contribuições vieram ao encontro de minhas idéias relacionadas à inclusão social/digital. O foco na missão do Ibict é uma das premissas a ser adotada em minha gestão do Ibict. Portanto, não se pretende continuar no discurso e desenvolvimento de iniciativas supérfluo-demagógicas, mas desenvolver iniciativas de efetiva inclusão social, aderentes ao foco da missão institucional. O próprio Portal do Ibict deverá refletir tais iniciativas, potencializando o seu uso, também,  por parte dos hoje excluídos, em especial aqueles portadores de deficiência visual. Não dá para falar de inclusão social ou digital e ter o portal de sua própria instituição inacessível, portanto, opaco a estes excluídos, dificultando o acesso aos seus produtos e serviços.

Portanto, agradeço imensamente a todos os assinantes da petição pelo apoio e pelas contribuições colocadas em seus comentários.

→ 2 ComentáriosCategorias: Sem categoria

Projeto piloto de repositórios institucionais

Maio 28, 2009 · 5 Comentários

O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) e a Universidade de Brasília tentaram criar um projeto piloto de repositórios institucionais, inicialmente, convidando 6 universidades (UNICAMP, USP, UFRGS, UFRJ, UFPE e UFAm). Isto aconteceu no final do ano de 2007 e óbviamente não obtivemos sucesso e a idéia fracassou. Fizemos, agora, uma nova tentativa com a participação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Insere-se a este grupo de instituições de ensino superior a própria Universidade de Brasília (UnB). Já recebemos a confirmação de quase todas as universidades convidadas. A idéia deste projeto é implantar um repositório institucional em cada uma dessas universidade em um tempo bastante rápido, não mais do que 6 meses.

Estive, no último dia 26 de maio, em Florianópolis, a convite da Biblioteca Central da UFSC, para um evento comemorativo do primeiro ano da incubadora de revistas científicas daquela universidade que agora será mantida e gerenciada pela Biblioteca Central daquela universidade. Na oportunidade, fiz uma palestra falando sobre o e-science e também do acesso livre, em especial sobre repositórios institucionais.

Aproveitando a mesma oportunidade o reitor da UFSC, prof. Álvaro Prata, me recebeu e confirmou entusiáticamente o aceite da UFSC em participar do projeto piloto, assim como o seu apoio às iniciativas do acesso livre no Brasil.

Recentemente, estive também com o reitor da UFPE, prof. Amaro Lins, que também me recepcionou de forma entusiástica, aceitando o nosso convite e também apoiando as iniciativas do acesso livre no Brasil.

Acreditamos que a implantação do projeto piloto, assim como a distribuição de recursos tecnológicos, o acesso livre no Brasil se consolide. Quando eu digo iniciativas do acesso livre, eu me refiro às duas estratégias que estamos desenvolvendo, a via verde (repositórios institucionais) e a via dourada (publicações periódicas eletrônicas de acesso livre).

Com relação às ações da via dourada, o Ibict, por intermédio de sua iniciativa de distribuir o Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas (SEER), já promoveu o desenvolvimento de mais de 650 revistas na web. Esse feito é inédito no mundo, tornando o Brasil um dos países com maior número de revistas científicas de acesso livre.

Em recente matéria publicada pelo ministro da ciência e tecnologia, Prof. Sérgio Resende, na Folha de São Paulo e Jornal da Ciência, considera que o aumento da produção científica publicada em revistas indexadas na base internacional de dados Thomson Reuters-ISI se deve à inclusão de revistas científicas brasileiras. Segundo informações desta empresa, o número de revistas científicas brasileiras nesta base passou de 63 em 2007 para 103 em 2008. Esse é um dado curioso e importante, pois, mostra o potencial que estamos criando no País com as iniciativas do acesso livre. A nossa expectativa é que algumas das mais de 650 revistas desenvolvidas por intemédio do uso do SEER possam alcançar um nível de excelência e serem incluídas na referida base de dados. E, consequentemente, teremos uma maior participação na produção científica indexada mundial. Verficamos, portanto, que os nossos esforços não foram e não estão sendo em vão.

→ 5 ComentáriosCategorias: Iniciativa OA · Repositórios

Saiba a quantidade de assinaturas na minha petição

Maio 26, 2009 · Deixe um comentário

No momento, vc sabe quantas pessoas assinaram a minha petição? Clique aqui para saber.

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem categoria

A importância da competência técnica

Maio 25, 2009 · 2 Comentários

O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) tem ainda um quadro de técnicos especializados muito forte e capaz, apesar do desmanche que as adminstrações públicas vêm sofrendo nas últimas décadas.  São poucos, mas tratam-se de pessoas que amam e lutam pelo instituto e apesar das dificuldades, das restrições, das condições de trabalho, da competitividade e das pressões externas. Foram esses técnicos que conseguiram manter essa organização ativa e na vanguarda. Sem esse espírito, certamente, hoje o Instituto não teria condições de:

  •  hospedar uma das maiores bibliotecas digitais de teses e dissertações do mundo;
  • absorver e formar competência técnica no uso e desenvolvimento do modelo Open Archives;
  • construir e manter a maior rede de repositórios digitais compatível com Open Archives no hemisfério sul;
  • promover o desenvolvimento de mais de 650 publicações periódicas científicas de acesso livre;
  • absorver e customizar tecnologias como o Open Journal System, o Dspcae, o Eprints, o Open Conference System;
  • promover, no país, o desenvolvimento de repositórios institucionais de acesso livre;
  • liderar todas as iniciativas de acesso livre no País.

Enfim, é evidente que sozinho eu seria incapaz de tantas realizações e elas somente foram possíveis devido a esses abnegados técnicos, os quais propositadamente não nomeio nesta matéria com receios de cometer injustiças ou omissões. É esta competência que o Instituto deve preservar e ampliar para o bem da ciência brasileira e do seu desenvolvimento científico.

→ 2 ComentáriosCategorias: Comunicação Científica · Informação científica

Por que me candidatei à direção do Ibict?

Maio 24, 2009 · Deixe um comentário

Trabalho no Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) há pouco mais de 26 anos. Ao longo desses anos eu aprendi não apenas a gostar do Instituto, mas principalmente entender a sua importância para o desenvolvimento científico e tecnológico do País. Desempenhei diversas funções neste Instituto, desde analista de sistemas à coordenação de informática, de produtos e serviços de informação, até a coordenação de projetos especiais. Foi este Instituto que me propiciou vislumbrar outros horizontes profissionais e acabei por migrar da área de tecnologias da informação e da comunicação para a área de ciência da informação, inclusive, o o Instituto possibilitou o meu doutoramento em ciência da informação. Evidentemente, como todo e qualquer funcionário de carreira, esses anos todos me permitiram moldar o ideal de desempenhar a função máxima deste Instituto.

Vivemos um momento singular no que se refere à informação cientifica e tecnológica, em geral, e a ciência, em particular. Mudanças profundas estão ocorrendo no mundo, em especial, na forma de se fazer ciência. O cenário mostra o surgimento de diversas iniciativas em direção ao acesso livre ao conhecimento cientifico, à abertura dos dados brutos utilizados pelos pesquisadores em suas pesquisas cientificas e à criação de grids de computadores para armazená-los. Tais mudanças vêm contribuindo para maior celeridade no desenvolvimento científico, maior acesso e visibilidade aos resultados das pesquisas, dos pesquisadores e das instituições de ensino e pesquisa que aderiram a essas iniciativas. Mais do que a simples visibilidade, essas mudanças possibilitam a otimização, governança e transparência nos investimentos em ciência. A convergência de todas essas iniciativas globais é o e-science. O acesso livre á informação científica é a base desse modelo.

Em outras palavras, o Ibict deverá assumir, nesse novo contexto, papel importantíssimo a desempenhar junto ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e à comunidade cientifica brasileira e regional. É preciso estar atento a essas mudanças para absorver conhecimentos e tecnologias provenientes dessas iniciativas de forma a colocar o País em sintonia e no cenário científico global. É preciso que o Ibict seja uma instituição forte e esteja em sintonia com tais acontecimentos. A passividade institucional deve ser um comportamento do passado, o Instituto de hoje e do futuro deve ter um papel pró-ativo.

É importante ressaltar, aliás, que eu venho trabalhando com esse ideal desde o meu retorno ao Instituto, em 2002. Desde então, coordenei a implantação da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), que hoje ocupa lugar privilegiado entre todas as iniciativas similares no globo terrestre. As estatísticas mostram que essa biblioteca se encontra entre as três maiores do globo terrestre. Ouso dizer que a BDTD é a maior rede de bibliotecas digitais do hemisfério sul. Esta iniciativa, é importante ressaltar, introduziu, no Brasil o modelo de interoperabilidade Open Archives. Desde então, venho desenvolvendo diversas iniciativas em direção ao acesso livre, desde iniciativas políticas como a articulação com dirigentes de diversos segmentos da comunidade científica até articulação com a Camara dos Deputados, na qual conseguimos articular a submissão do PL 1120/2007. Se hoje, noBrasil, diversos repositórios institucionais estão sendo desenvolvidos, ou mesmo mais de 600 revistas foram criadas na web, estes são resultados dessas iniciativas.

Assim, considerando esse novo paradigma da ciência, torna-se inevitável a necessidade de capacitação do Instituto e do País para o uso e desenvolvimento de ferramentas imprescindíveis ao tratamento, organização e disseminação da informação; de maneira a construir e consolidar plataforma para suportar esse novo paradigma: o e-science.

É preciso formar competência técnica e cientifica em Ciência da Informação (CI), tanto em nível interno (Ibict) quanto nacional.

É preciso dar um novo impulso à CI no Pais. Ou seja, o Ibict deve ter competência técnica e científica para capturar todos esses sinais de mudanças globais e, para tanto, o Instituto deve:

  • Realizar prospecção tecnológica para dotar a nossa comunidade provedora de informação dos mecanismos necessários para construir e manter os estoques de informação e dar suporte ao e-science em nível nacional;
  • Articular com todos os segmentos da comunidade cientifica para sensibilizá-la quanto à importância das mudanças científicas globais e criar mecanismos para alinhar a nossa maneira de fazer ciência às iniciativas globais;
  • Intergrar a nossa comunidade cientifica com a comunidade cientifica internacional;
  • Democratizar e socializar o conhecimento científico desenvolvido no País e em outros países, em uma linguagem apropriada, para o conhecimento da sociedade brasileira em geral;
  • Promover e estimular a formação de novos pesquisadores nesse novo contexto científico global. A integração de todas essas ações deve ter como propósito maior compartilhamento do conhecimento científico e, consequentemente maior redução das desigualdades sociais.

Verifica-se, portanto, que os desafios para o Ibict continuam se renovando dia-a-dia e, são esses desafios que me levam a almejar o posto de diretor do Ibict, com a certeza de que este Instituto tem muito a contribuir com o progresso e o desenvolvimento científico deste Pais.

Portanto, se vc concorda com as minhas idéias, apóie a minha candidatura assinando a petição constante no endereço: http://www.ipetitions.com/petition/kuramoto/.

Para conhecer mais sobre o que penso visite o meu curriculum vitae na plataforma Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4793276U6.

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem categoria

Personas for Firefox | Persona Detail

Maio 18, 2009 · Deixe um comentário

→ Deixe um ComentárioCategorias: Sem categoria