Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões sobre o Acesso Livre (OA)

OA: Respostas de Stevan Harnad à solicitação de informações do US OSTP (Parte 3)

Algumas das respostas de Stevan Harnad já foram amplamente divulgadas neste blog e, certamente, elas continuarão fazendo parte das suas respostas ao RFI do OSTP do governo americano. Portanto, peço aos leitores deste blog desculpas por essa duplicidade de informação. No entanto, acho interessante continuar publicando as respostas para reiterar e levar ao conhecimento dos leitores que visitam este blog pela primeira vez e não tem conhecimento do estágio do OA. Isto reforçará os conhecimentos daqueles que já possuem algum contato com o OA, assim como nivelará o conhecimento daqueles que nada sabem a respeito do OA.

Segundo Harnad, a adoção e estabelecimento de mandatos/políticas de acesso livre é, portanto, ótima também para os EUA.

A principal barreira que limita o acesso aos resultados das pesquisas  na era da Internet é o fato de que, embora a pesquisa seja financiada com recursos públicos, os resultados delas só são acessíveis aos pesquisadores cujas instituições podem pagar pelas assinaturas de acesso às revistas na quais foram publicadas. Existem mais de 25.000 revistas arbitradas por meio de revisão por pares em todos os domínios científicos e acadêmicos em todo o mundo. Nenhuma universidade ou instituição de pesquisa conseguem assinar todas ou a maioria dessas revistas. A maioria das universidades só conseguem assinar uma pequena e diminuta fração delas:

Indicadores estatísticos, produzidos pela ARL, sobre coleções de revistas científicas nas universidades 

ARL – Association of Reseach Libraries

Na era de Gutenberg – impressão em papel – antes da era da Internet, não havia remédio para isso, porque os verdadeiros custos de fornecimento de acesso, via impressão em papel, eram tão altos que, a fim de cobrir os custos essenciais, os custos não elimináveis, as instituições tiveram que pagar pela assinatura dessas revistas.

Os custos de fornecimento de acesso à revista impressa, hoje, são ainda altos. Mas, o custo de fornecimento de acesso, por sí só, em linha não é – na realidade são próximos de zero: uma vez que os artigos após serem revisados por pares e aceitos para publicação, poderiam ser depositados por seus autores/pesquisadores em repositórios institucionais ou centrais para torná-los disponíveis via o acesso em linha, livre para todos, independentemente de a sua instituição (ou, no caso do Brasil, os governos Federal e Estadual) ter condições ou não de assinar a versão impressa da revista ou da sua versão em linha :

Registry of Open Access Repositories (ROAR)

O custos de fornecer a revisão por pares não é zero. A revisão por pares pode ser gratuíta, mas o editor da revista deve escolher os revisores e aprovar as revisões. Porém, o custo da revista (revisão por pares  +  impressão e distribuição + preparação para a versão em linha e distribuição de acesso) são totalmente cobertos hoje pelas assinaturas/licenças pagas pelas instituições (no caso do Brasil, os governo Federal e Estadual)  que podem pagar para assinar cada revista.

A internet agora torna possível  complementar a assinatura do acesso à versão em linha da revista com o acesso gratuito à versão final do artigo revisado por pares para todos os potenciais usuários cujas instituições não podem pagar pela assinatura da versão em linha da revista.

Daí um, simples, passo sem custos que as agências de fomento podem e devem tomar para maximizar a captação, uso e impacto das aplicações provenientes de artigos revisado por pares é tornar obrigatório (ou seja, exigir) que a versão final do artigo revisado por pares provenientes das  pesquisas financiadas  com recursos públicos  devem ser depositados (“self-archived”), em repositório institucional ou Central de acesso livre, imediatamente após a sua aceitação para publicação.

Mais de 50 agências de fomento (incluindo o NIH) e cerca de 200 universidades e instituições de pesquisa em todo o mundo (incluindo Harvard e MIT) já adotaram mandatos/políticas de acesso livre (Green OA). (Veja a curva de crescimento de mandatos no ROARMAP (Registry of Open Mandatory Access políticas de arquivamento, Figura 2, abaixo). Isto é o que veio a ser chamado de “Acesso Livre pela via Verde” (Green OA) auto-arquivamento:

Figura 2. Gráfico mostrando o crescimento do registro de mandatos/políticas de acesso livre (Green OA) em instituições e agências de fomento

Figura 2. Gráfico mostrando o crescimento do registro de mandatos/políticas de acesso livre (Green OA) em instituições e agências de fomento

Harnad, S., Brody, T., Vallieres, F., Carr, L., Hitchcock, S., Gingras, Y, Oppenheim, C., Stamerjohanns, H., & Hilf, E. (2004) The green and the gold roads to Open Access. Nature Web Focus.

A obrigatoriedade preconizada pela estratégia da via Verde é a mais simples, medida praticamente livre de custos que vai promover o crescimento de mercados novos e existentes para os frutos das pesquisas financiadas com recursos públicos.

Para ver o poder da estratégia da via Verde para acelerar o crescimento do Acesso Livre, compare a taxa de crescimento das revistas de Acesso Livre [(Gold OA), que não está nas mãos da comunidade científica, nem nas mãos das agências de fomento e, portanto, seu crescimento não pode ser acelerado por mandatos/políticas] com a taxa de crescimento da estraégia da via Verde do Acesso Livre (Green OA) quando é obrigatória. (Veja a Figura 3 e Figura 4 abaixo. Veja também Figura 4a).

Figura 3. Gráfico Estimativa de crescimento para as pulicações de acesso livre (Gold OA)

De acordo com as estimativas da maior editora comercial de revistas de acesso livre (OA) hoje (Springer, editora das revistas BioMed Central e Open Choice), o número de revistas de acesso livre não vai chegar a 70% das principais revistas (aqueles indexados por Thompson-Reuters Web of Science) até 2026; mesmo as estimativas mais otimistas de Laakso et al (com base em todas as revistas) não atingirão 70% até 2020.

Em contrapartida, a estratégida da via Verde (Green OA), que promove o auto-arquivamento, promoverá o acesso livre a cerca de 20% da literatura científica se o auto-arquivamento não for obrigatório.  Entretanto, se a houver a adoção de políticas/mandatos tornando obrigatório o auto-arquivamento, cerca de 70% da literatura científica   serão livremente acessíveis, em um prazo de  1-2 anos (e continuará a crescer até 100%).

Figura 4. Comparação percentual entre o crescimento da LC, pela via Verde, sem adoção de mandatos OA (livre escolha) e com adoção de mandatos OA (Obrigatoriedade) e

O gráfico da figura 4 mostra que nas instituições que adotaram a estratégia da via Verde e não estbeleceram mandatos/políticas OA, ou seja, não tornarm o auto-arquivamento obrigatório, houve o depósito de apenas cerca de 20% da produção científica nessas instituiçÕes. Enquanto que nas instituições que aderiram à estratégia da via Verde e que adotaram mandatos/políticas OA ou seja que tornaram obrigatório, aos seus pesquisadores, o auto-arquivamento, cerca de 70% da produção científica dessas instituições foram depositadas nos seus repositórios institucionais.

Poynder, Richard (2011) Open Access by NumbersOpen and Shut, 19 June 2011

Laakso M, Welling P, Bukvova H, Nyman L, Björk B-C, et al. (2011) The Development of Open Access Journal Publishing from 1993 to 2009. PLoS ONE 6(6): e20961. doi:10.1371/journal.pone.0020961

Figura 4a. Porcentagens para as principais revistas considerando as estratégias Verde e Dourada

Figura 4a. Porcentagens para as principais revistas indexadas pelo ISI, não indexadas e seu total, considerando as estratégias Verde e Dourada

As razões para as diferenças de percentuais das estratégias das via Verde / Dourada são que (1) cerca de 10% de todos as revistas são de Acesso Livre (Gold OA), (2) uma percentagem muito menor das principais revistas são revistas de Acesso Livre (Gold OA), (3) todos os artigos de revistas podem ser auto-arquivadas, e (4) mais de 60% das  revistas de acesso restrito (Não-OA, ou seja comerciais) já aprovaram o auto-arquivamento preconizado pela via Verde (Green OA). Cf. Figura 3 e Figura 4.

Neste ponto faço uma pausa para amanhã publicar mais uma parte das respostas. O inteiro teor dessas respostas pode ser encontrado no Blog Open Access Archivangelism.

janeiro 11, 2012 Publicado por | artigo | , , , | Deixe um comentário

OA: Respostas de Stevan Harnad à solicitação de informações do US OSTP (Parte 2)

US OSTPConsiderando a longa resposta de Stevan Harnad à solicitação de informação (RFI) do Office of Science and Technology Policy (OSTP) do governo americano, o post publicado ontem neste blog teve o cuidado de não apresentar a resposta completa e apenas apresentar o link para o blog do Stevan, onde se encontra a resposta completa, em inglês.

Dando continuidade, hoje, publico a parte restante da resposta à primeira questão do RFI do OSTP do governo americano. Em sequência à relação de artigos apresentada no post publicado ontem, Stevan Harnad faz um resumo de seu artigo, conforme apresento abaixo.

Harnad, S. (2010) The Immediate Practical Implication of the Houghton Report: Provide Green Open Access NowPrometheus 28 (1): 55-59

RESUMO: Entre as diversas  implicações importantes do relatório de Houghton et al (2009), oportuna e esclarecedora análise do JISC sobre os custos e benefícios de fornecer acesso gratuito em linha (“Open Access,” OA) a artigos de periódicos acadêmicos e científicos, revisado por pares, destaca-se como particularmente atraente: Isto  produziria  uma relação  benefício/custo  da ordem de quarenta vezes o custo de fornecer acesso livre se todos os artigos científicos fossem auto-arquivados pelos seus autores em repositórios OA (Green OA). Há muitos pressupostos, estimativas e análises sustentadas pela  modelagem elaborada por Houghton et al,  elas são na maior parte muito razoáveis e até mesmo conservadoras. Isso faz da sua mais forte implicação prática particularmente impressionante: A relação benefício/custo da ordem de 40 vezes  o custo de fornecer o acesso livre via a estratégia Verde (Green OA) é uma ordem de magnitude maior do que todas as potenciais combinações possíveis de outras alternativas analisadas e comparadas  ao status quo por Houghton et al. Este resultado é tanto mais significativo, tendo em conta o fato de que a auto-arquivamento já repousa inteiramente nas mãos da comunidade científica (pesquisadores, suas instituições e seus financiadores), enquanto a estratégia preconizada pela via Dourada (“Gold”) OA  depende da indústria editorial.  Talvez o mais notável é o fato de que este resultado surgiu a partir de estudos que abordaram o problema principalmente do ponto de vista da economia da publicação e não a economia da pesquisa.

Abaixo (Figura 1), Houghton et al apresenta um sumário da relação estimada benefícios/custoa para o Reino Unido, considerando as duas estratégias de proporcionar acesso livre: (i) Green OA = os autores continuam publicando em revistas científicas de sua escolha, mas tornando-os livremente acessíveis por meio do seu auto-arquivamento no repositório institucional de sua instituição ou (ii) Gold OA = os autores publicam em revistas de acesso livre, as quais fornecem acesso livre a todos os seus artigos. em linha, gratuitamente e cobram do autor uma taxa de publicação. Houghton et al calcularam, separadamente, a relação custo/benefício para as universidades do Reino Unido (HE) e para o Reino Unido como um todo, para converter para a estratégia Gold OA ou para converter para a estratégia Green OA, e em função da conversão isolada do Reino Unido, ou se a conversão é feita em todo o mundo.

Figura 1. Gráfico mostrando a análise Benefício/Custo para o Reno Unido feita por Houghton et al.

Veja também:

The effect of open access on downloads (‘hits’) and citation impact: a bibliography of studies
As duas coisas importantes a observar pelo USOSTP RFI são:  (1) que, para todos os cenários de conversão, os custos de conversão pela estratégia Green OA é muito menor (e distribuído entre as instituições) e a relação Benefício/Custo é muito maior) do que da conversão pela estratégia Gold OA e ainda mais importante, (2) agências de fomento  (assim como as instituições de ensino e pesquisa) podem tornar obrigatória a conversão por meio da estratégia Green OA aos seus beneficiários o auto-arquivamento de seus artigos científicos (ou empregados, no caso das instituições de ensino e pesquisa) mas eles não podem tornar obrigatória a conversão das revistas científicas comerciais para acesso livre (Gold OA), porque estas encontram-se nas mãos dos editores.

Neste parágrafo anterior, Stevan Harnad, aliás em todo o post, faz colocações que são válidas não apenas para os EUA mas para todos os Países, inclusive o Brasil. Farei uma pausa agora e amanhã continuaremos, com a resposta à primeira questão do RFI, especialmente com o tópico Mandatos ou Políticas.

janeiro 10, 2012 Publicado por | artigo | , , , | Deixe um comentário

OA: Respostas de Stevan Harnad à solicitação de informações do US OSTP

US OSTPStevan Harnad responde às questões (RFI – Request for Information) formuladas pelo  Office of Science and Technology Policy (US OSTP RFI), Escritório de Política de Ciência e Technologia do governo dos Estados Unidos. Evidentemente, não publicarei todas as respostas neste post, tendo em vista que são respostas longas. Farei apenas um resumo e deixarei o link para que o leitor deste blog possa consultar o original das respostas.

Ao contrário de nações cujos dirigentes e governantes ignoram o OA, os EUA mostra ter um procedimento diferente. Por intemédio do seu OSTP,  coloca questões buscando informações  sobre o Open Access e seus impactos para a tomada de decisão.

A questão 1 é: “Que passos as agências poderiam tomar para crescer os mercados novos e existentes relacionados com o acesso e análise de publicações arbitradas  que resultam de pesquisas científicas financiadas pelo governo federal?”

SH: Sim, há muitos passos práticos específicos.

(“Mercados”, no entanto, talvez não seja a forma mais direta e instrutiva para compreender a dinâmica envolvida: o crescimento da pesquisa básica (1) e o crescimento do P&D, aplicações /produtos (por exemplo, tecnologia, medicamentos) (2) precisam ser considerados separadamente, com (1) alimentando (2)):

A pesquisas financiadas pelo governo federal é financiado pelos contribuintes dos EUA, e conduzidas, analisadas ​​e publicadas por pesquisadores (e para os pesquisadores), de modo que os resultados das pesquisas podem ser acessadas​​, retomadas, utilizadas, aplicadas, e construídas em cima, por todos os potenciais usuários, para o benefício dos contribuintes dos EUA que pagam impostos, que financiaram, através de ambas as futuras pesquisas (1) e P & D aplicações (2).

As barreiras para a absorção e uso das pesquisas com financiamento público são barreiras para o progresso da própria pesquisa (1) e os benefícios práticos, sociais e econômicos de P & D (2).Qualquer coisa que reduza o acesso aos resultados da pesquisa reduz o seu impacto, que por sua vez reduz o retorno dos benefícios públicos do dinheiro dos impostos investidos em financiamento, a realização, análise e relatórios de pesquisa.

Seguem alguns artigos sobre os benefícios de fornecer acesso livre à pesquisa  (e consequentemente, tambem, as perdas de não fornecê-la):

Houghton, J.W. & Oppenheim, C. (2009) The Economic Implications of Alternative Publishing ModelsPrometheus 26(1): 41-54:

“O modelo indicativo do pós-transição ao sistema alternativo (modelo OA consolidado) retornou benefícios de cerca de sete ou oito vezes os custos de publcação em acesso livre  e auto-arquivamento com sobreposição de serviços, e  40 vezes os custos para suportar a estratégia da via Verde (auto-arquivamento). (p. 49)”

Houghton, J.W., Rasmussen, B., Sheehan, P.J., Oppenheim, C., Morris, A., Creaser, C., Greenwood, H., Summers, M. and Gourlay, A. (2009). Economic Implications of Alternative Scholarly Publishing Models: Exploring the Costs and Benefits, London and Bristol: The Joint Information Systems Committee (JISC)

Houghton, J.W. and Sheehan, P. (2009) Estimating the potential impacts of open access to research findingsEconomic Analysis and Policy, vol. 39, no. 1, pp. 127-142.

Harnad, S. (2010) The Immediate Practical Implication of the Houghton Report: Provide Green Open Access NowPrometheus 28 (1): 55-59

Conforme dito inicialmente, a resposta é longa e envolve outras questões. Continuarei este post em um outro a ser publicado amanhã. Os leitores poderão ter acesso às respostas completas e originais aos questionamentos, em inglês, no blog Open Access Archivangelimo.

janeiro 9, 2012 Publicado por | Sem categoria | Deixe um comentário

Novo prazo para submissão de trabalhos ao ELPUB 2012

O prazo para submissão de trabalhos ao ELPUB 2012 foi prorrogado para o dia 18 de Janeiro de 2012. Portanto, trata-se de uma ótima oportunidade para aqueles que têm interesse em participar do ELPUB 2012.

janeiro 9, 2012 Publicado por | Evento | , , , | Deixe um comentário

Em busca de maior agilidade para o Acesso Livre no Brasil

O meu primeiro post de 2012, pode ter deixado algumas dúvidas na cabeça dos leitores do Blog do Kuramoto. Por que buscar contatos com dirigentes de tão alto escalão, afinal o PLS 387/2011 já não foi apresentado e encontra-se em curso de discussão e aprovação?

Realmente, no entanto, o seu caminho tende a ser longo e corre riscos ao longo do seu encaminhamento, como aconteceu com o PL 1120/2007, que após 4 (quatro) anos de discussão e aprovação em duas comissões permanentes da Câmara dos Deputados, foi arquivado. Isto significa que temos que buscar todos os caminhos necessários à implantação de uma política de Acesso Livre no Brasil.

Ao contrário do poder legislativo, o poder executivo, se convencido adequadamente, tende a dar maior celeridade na implantação dessa política, pois, basta ao ministro ou presidente das agências de fomento publicarem uma portaria tornando obrigatório aos pesquisadores beneficiados com recursos públicos para o desenvolvimento de suas pesquisa o depósito de sua produção científica, derivada dessas pesquisas, em repositórios institucionais ou centrais. Isso depende do entendimento dos dirigentes e de sua boa vontade em fazê-lo. Esse tipo de pleito deveria ser conduzido institucionalmente, evidentemente, reconheço que não tenho nenhuma representatividade e importância para esses dirigentes. Sou apenas um cidadão, funcionário público e um especialista em ciência da informação. Nesse contexto, não tenho qualquer representatividade. Portanto, entendo ser importante que  instituições como o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) entendam a importância do Open Access para a Ciência brasileira e as oportunidades que as estratégias do OA apresentam ao País.

Não esqueço que o País já deu algum andamento em iniciativas de OA no País, mas ainda é muito pouco se comparado com iniciativas realizadas por outros países. Para que haja um maior entendimento do OA para a Ciência brasileira seria necessário que esses dirigentes conhecessem os fundamentos do OA e a importância da informação científica para o desenvolvimento da Ciência. A informação científica é um insumo crucial para o desenvolvimento das pesquisas científicas. Hoje, não se desenvolve uma pesquisa científica sem  acesso a esse insumo. Quanto mais se tem acesso à informação científica, mais pesquisas serão desenvolvidas e mais informação científica será gerada. Trata-se de um círculo virtuoso.

Fala-se muito em inovação tecnológica, mas como inovar sem promover o registro e disseminação dos resultados das pesquisas? Quem, hoje, no País, se preocupa com essa questão? De que adianta estabelecer políticas nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação, sem envolver diretrizes ou ações relacionadas  a informação científica? Como elaborar uma Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação sem consultar a comunidade científica a respeito da informação científica? Não basta ter um Portal de Periódicos é preciso ter ações efetivas para o registro e disseminação dos resultados das pesquisas realizadas no Brasil. Ou seja, existem questões muito sérias que não foram levadas em consideração ao estabelecer diretrizes e políticas para a Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil.

O resultado é que a classe dirigente só fala em mais recursos para a Ciência e não trata de temas básicos, fundamentais para o desenvolvimento e visibilidade da Ciência no País. Qual foi o discurso de despedida do ex-ministro do MCTI, Sérgio Rezende? O ponto central do seu discurso foi o de ter ampliado o orçamento para as pesquisas brasileiras. Este é o retrato da Ciência brasileira, não podemos negar o grande desenvolvimento da Ciência brasileira nos últimos anos, mas é importante lembrar que este se deu de forma aleatória, à base unicamente da injeção de recursos. Que estratégias foram adotadas? Fica a pergunta: O que restou desse desenvolvimento? Os resultados encontram-se em alguma biblioteca, ou repositório? Existe algum registro dos resultados dessas psquisas, no Brasil? Como encontrar esses resultados? Ou eles se encontram unicamente em revistas científicas comerciais? O País é, hoje, tido como a sexta economia global, mas o desenvolvimento não se dá sempre de forma caótica.  É preciso ter mecanismos de promoção  desse desenvolvimento, estratégias, planejamento, etc.

No início do mês de dezembro de 2011, o Secretário de Estado para Negócios, Inovação e Habilidades do governo britânico apresentou ao Parlamento daquele País um relatório intitulado: Innovation and Research Strategy for Growth. Este documento apresenta estratégias a serem adotadas para o ecossistema da inovação tecnológica,  e sinaliza que a abertura do acesso aos dados das pesquisas, às  informações e à pesquisa realizada e promovida pelo setor público poderão maximizar  o seu valor econômico e social.  Ou seja, alguns países já acordaram para maximizar as suas pesquisas e estão adotando o OA como política de acesso e maximização de suas pesquisas. Assim, a pergunta que não quer calar é: quais são as estratégias brasileiras para promover o desenvolvimento da Ciência e a Inovação tecnológica?

janeiro 8, 2012 Publicado por | artigo | , , , | Deixe um comentário

OA em 2012: as esperanças se renovam

Início de ano costumeiramente a gente ouve praticamente as mesmas notícias, tais como: excesso de chuvas em algumas regiões brasileiras, enchentes, deslizamento de terras, pessoas desabrigadas, governo prometendo reforço orçamentário para socorrer as vitimas e reforma ministerial. Se não fosse o cenário político que é cada vez mais dinâmico, poder-se-ia dizer que a grande mídia poderia reaproveitar as reportagens e vídeos do início do ano que se passou. O mais triste dessa história é que muda governo e nada muda, mas as desgraças continuam, o problema da infraestrutura continua e todo ano teremos famílias e mais famílias desabrigadas, cidades debaixo d’água, pontes caindo e nada é feito, mesmo com os discursos mais efusivos de que o Brasil, a sexta maior economia global, entrará em uma era de prosperidade. Acho que só a nossa presidente vê isso. Infelizmente, o poder público é míope!

Apesar de todas essas notícias tristes, não podemos deixar de vislumbrar novas esperanças nessa reforma ministerial. A expectativa é de que venha um novo ministro para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) mais sensível às questões ligadas à informação científica e que seja destemido. A minha experiência com dirigentes de instituições ligadas ao segmento da ciência e tecnologia é a pior possível.

Em primeiro lugar, nenhum desses dirigentes foram capazes de ler, avaliar e responder às minhas cartas e mensagens. Encaminhei, no dia 08 de Janeiro de 2011, ao atual ministro do MCTI, Aluísio Mercadante, mensagem encaminhando um Relatório Executivo sobre o OA, com propostas concretas. No entanto, após um ano, hoje, dia 07/01/2012, nenhuma resposta me foi encamihada. Em seguida, encaminhei um relatório similar, acrescido de um outro documento, ao novo presidente do CNPq, no dia 18/02/2011, intitulado Propostas para uma Ciência Aberta e Sustentável. Entretanto, da mesma forma que o seu superior, ministro do MCTI, jamais respondeu à minha mensagem e a resposta que sempre obtive de sua secretária, a sra. Albélia Simões Silva, foi a de que o presidente recebeu o documento e o encaminhou para análise. Até o presente momento, nenhuma dessas autoridades responderam às minhas propostas.  Assim, passados praticamente um ano do envio das propostas, e conforme o cenário atual, nada mais há que se fazer a não ser aguardar os novos dirigentes que serão empossados a partir da refoma ministerial.

O que se depreende do comportamento  desses dirigentes é uma total falta de respeito para com a sociedade brasileira e seus cidadãos, sim porque sou, além de funcionário público, um cidadão brasileiro. As sugestões encaminhadas não dependiam de qualquer investimento orçamentário, mas de apenas  tomada de decisão e, eventualmente, da assinatura de uma ou outra, portaria, ou mesmo o simples acompanhar e agilizar  a aprovação do PLS 387/2011. Enfim, perderam uma grande oportunidade de promover a ciência brasileira e dar-lhe maior visibilidade, além de indiretamente criar mecanismos de controle e acompanhamento dos investimentos em pesquisa científica e melhorar os seus discursos de despedida e, porque não, também de concorrer ao prêmio EPT Award 2011.

janeiro 7, 2012 Publicado por | artigo | , , , | Deixe um comentário

Mensagem de Babara Kisop sobre EPT OA AWARD 2011

É com satisfação que publico abaixo mensagem encaminhada a mim por Barbara Kisop do Electronic Publishing Trust – EPT sobre o resultado que foi publicado hoje do EPT OA Award 2011. No ultimo dia 30 de novembro me inscrevi a este prêmio à convite da própria Barbara. O ganhador deste prêmio foi Dr Francis Jayakanth do National Centre for Scientific Information, Indian Institute of Science, Bangalore, India. Ao Dr. Francis Jayataknth os meus parabéns pelo prêmio.

Segue a mensagem:

Dear Helio,

I wish you all good wishes for 2012 and hope that your life is happy and your work as productive as ever.

This is just to tell you that tomorrow the EPT will be announcing the winner of the 1st Award to individuals who have made a major contribution to the progress of OA, and to say that although we selected someone other than yourself, we are and will remain hugely impressed with the work you have carried out in Brazil. All of us on the judging panel agree that you have achieved such a lot and we hope to hear of even greater achievements in 2012!

Selecting a winner was exceedingly difficult as we received nominations both for people who had been around for a long time and who had much institutional and government backing, as well as for individuals acting entirely on their own, ‘making a start’ in their regions/institutes. We have been much impressed by how much is happening around the world, having received nominations from 17 countries as far apart as Azerbaijan and Zambia. I am sure your own work will have inspired and reassured others and will continue to do so. You should know that you were very high on our list of possible winners, and I hope it will encourage you to know this. You were up against a strong field and we wished we could have chosen so many nominees!

I am pleased to tell you that the EPT is going from strength to strength, with a new Chair, Treasurer and Secretary. This means that at 83 I am able to take a back seat, though I will always be contributing to the EPT efforts as I am able. It has been a great pleasure to work with so many wonderful and dedicated people.

It is good to know you are back in Brazil. Please let me know how you are doing, Helio.

HAPPY NEW YEAR!

Barbara

janeiro 1, 2012 Publicado por | artigo | , , | 2 Comentários

Os números de 2011

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2011 deste blog.

Aqui está um resumo:

A sala de concertos da Ópera de Sydney tem uma capacidade de 2.700 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 27.000 vezes em 2011. Se fosse a sala de concertos, seriam necessários 10 concertos egostados para sentar todas essas pessoas.

Clique aqui para ver o relatório completo

janeiro 1, 2012 Publicado por | Sem categoria | Deixe um comentário

Blog do Kuramoto: balanço de 2011

Logo de manhã, neste dia 02 de janeiro de 2012, recebí em minha caixa postal uma mensagem enviada pelo wordpress.com, na qual trazia o link mostrando alguns dados sobre o Blog do Kuramoto no ano de 2011, que estão neste link

Este blog não alcançaria esses números se não fossem os seus leitores. Portanto, aos leitores e visitantes deste Blog, o meu MUITO OBRIGADO!!!  

janeiro 1, 2012 Publicado por | Sem categoria | Deixe um comentário

Open Access: 2011, um balanço

Como foi o ano de 2011 para o Acesso Livre no Brasil?

Não há muito o que comemorar, uma vez que pouco se realizou para avançar o Acesso Livre (OA) no Brasil. Alguns fatos relacionados ao OA marcaram 2011, são eles:

1. Arquivamento do PL 1120/2007 pela Câmara dos Deputados, que após quatro anos de discusão, seguiu o seu regimento interno. O argumento que serviu de base para tal atitude foi a mudança de legislatura, novos deputados tomaram posse. Portanto, tempo perdido, tempo jogado fora, uma pena! Infelizmente, trata-se de um fato que independe de nossa vontade, mesmo sabendo que no ano anterior o referido PL teve dois pareceres favoráveis e, que apenas não foram discutidos e votados no plenário da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), pelo fato de 2010 ter sido um ano eleitoral. Seguiu-se cegamente o regimento interno. Paciência!

2. Felizmente, em resposta a este arquivamento, o atual senador Rodrigo Rollemberg apresentou um novo projeto de lei no Senado Federal, mais especificamente na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT), o PLS 387/2011. Este projeto de lei é parecido com o PL 1120/2007, com algumas modificações provenientes das experiências desenvolvidas por outras políticas e/ou mandatos de OA adotadas internacionalmente. O PLS 387/2011 foi apresentado no dia 05 de Julho de 2011. Em seguida, o senador Cristovam Buarque foi nomeado seu relator. O relator ainda não apresentou nenhum relatório, mas o mesmo está em fase final de elaboração e, brevemente, espera-se pela sua apresentação.

3. Foram realizados alguns eventos tendo o OA como tema, no País, como o Seminário Internacional sobre Acesso livre ao conhecimento: impactos na produção acadêmica, divulgação científica e inovação no ensino, realizado nos dias 11 e 12 de abril de 2011, organizado e realizado pela Escola Nacional de Saúde Pública (SNSP) da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), e a Conferência Luso-brasileira de Open Access (CONFOA), event organizado pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em parceria com a Universidade do Minho. Neste evento, soube que foi lançado o portal DIADORIN, que tem como principal objetivo registrar e disseminar as políticas editorias das revistas brasileiras de forma integrada com o projeto SHERPA/ROMEO.

4. Além destes, outros eventos locais foram realizados, como, por exemplo a Semana Acadêmica promovida pelo Curso e Biblioteconomia da Universidade Federal do Rio Grande, realizado em meados de outubro de 2011, na qual fui convidado a ministrar palestra sobre o Acesso Livre para a comunidade interna daquela universidade. Esse evento foi realizado na semana anterior à semana do Open Access e contou com a coordenação da Profa. Angélica C. D. Miranda, coordenadora daquele curso. Durante a semana acadêmica foram realizadas as bancas para avaliação de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC), destes destacam-se três trabalhos: 1) O primeiro TCC apresentado e examinado foi o da acadêmica, formanda em Biblioteconomia, Tatiane Priscila Pinto Corrêa, com o título: “A Usabiblidade da Seção de Avaliaçãodo do Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas(SEER) na Visão dos Avaliadores das Revistas do Portal de Periódicos Científicos da FURG”; 2) O segundo do TCC apresentado foi o da acadêmica, formanda em Biblioteconomia, Franciele Scaglioni da Cruz, cujo título é: “O processo de criação e manutenção dos repositórios institucionais (RI) das Universidade Federais brasileiras”; 3) O terceiro TCC apresentado foi o da acadêmica, formanda em Bibloteconomia, Elisângela Mota Pires, cujo título é: “Repositórios Institucionais: Características através da Visibilidade

5. Nos dias de 7 a 11 de novembro de 2011, a convite da Profa. Lígia Café, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UFSC, fui a FLorianópolis ministrar uma disciplina, em caráter especial, denominada Comunicação Científica em transição. Na mesma semana, no dia 09 de novembro de 2011, ministrei palestra sobre o Acesso Livre aos professores, pesquisadores e alunos daquele programa.

6. No dia 6 de dezembro de 2011 participei de reunião na biblioteca da Universidade Federal de São Carlos, a convite da Profa. Chloe Furnivel, quando tive a oportunidade de ver, ouvir e discutir a proposta de política institucional de informação daquela universidade. Foi muito interssante e importante, pois pude constatar o alto nível do trabalho que está sendo realizado pela UFSCar. A proposta apresentada é uma das melhores políticas, no Brasil, que tive oportunidade de ler e discutir. O ponto mais importante é o fato de a reitoria da UFSCar ter criado uma comissão para discutir e elaborar a política que será adotada por aquela universidade. Essa comissão é composta por técnicos da área de Comunicação daquela universidade, por pesquisadores e professores do Curso de Ciência da Informação e por técnicos da biblioteca daquela universidade, portanto, um grupo multidisciplinar. O resultado não poderia deixar de ser melhor, é um trabalho admirável pela sua consistência e qualidade. Espero, em breve, quando finalizarem e aprovarem a política, disponibilizá-la neste blog. Em seguida, ministrei uma palestra sobre o Acesso Livre aos professores, alunos e pesquisadores da UFSCar.

7. Teses e dissertações. Diversos estudos foram desenvolvidos por alunos de mestrado e doutorado. Tenho conhecimento de pelo menos duas dissertações: 1) REPOSITÓRIOS DE INSTITUIÇÕES FEDERAIS DE ENSINO SUPERIOR E SUAS POLÍTICAS: análise sob o aspecto das fontes informacionais, dissertação elaborada por Augisa Karla Boso, no programa de pós-graduação da UFSC; e 2) Acesso Livre: Um olhar sobre a preservação no Brasil, dissertação elaborada por Susimery Vila Nova Silva, no programa de pós-graduação da UFPE.

8. Os repositórios institcionais continuaram em desenvolvimento e implantação nas universidades brasilerias, apesar das dificuldades destas estabelecerem as suas políticas institucionais de informação. Nesses casos, os grandes vilões são as procuradorias jurídicas, eu em sua grande maioria vêm dificultando a definição e estabelecimento dessas políticas. Existe uma grande falta de sensibilidade e entendimento da importância dessas políticas para a comunidade científica local e nacional. Em outas palavras existe uma tremenda falta de interoperabilidade humana.

Eis um pequeno resumo das iniciativas de OA no Brasil.

São estas as iniciativas, envolvendo o OA, que tive notícia. Caso o leitor saiba de alguma outra iniciativa de Open Access realizada em 2011, no Brasil, agradeço encaminhar maiores informações a respeito para que eu possa informar neste blog.

Aproveitando esse momento de festas de fim de ano, este blogueiro deseja a todos leitores deste blog um Feliz 2012, repleto de alegrias, saúde, paz, felicidades e muito sucesso!!! Viva 2012!!!

dezembro 30, 2011 Publicado por | artigo | , , , | Deixe um comentário

Silenciosamente, o Acesso Livre vem ganhando apoio

Devido a uma série de acontecimentos, tenho postado poucas matérias neste blog. No entanto, venho acompanhando as iniciativas relacionadas ao Acesso Livre, no Brasil e no mundo, e de vez em quando eu posto uma ou outra matéria.

No entanto, as iniciativas de Acesso Livre continuam a proliferar pelo País, graças a diversos colegas. Devemos agradecer a esses colegas que continuam trabalhando em prol do Acesso Livre no Brasil. Uma dessas pessoas é a Profa. Angélica C.D. Miranda, coordenadora do Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Rio Grande, que vem promovendo a petição de apoio ao PLS 387/2011. Esta petição vem ganhando apoio popular expressivo, graças à perseverança e tenacidade de Angélica e seu grupo de colaboradores. Hoje, a referida petição conta com 1013 assinaturas. Houve um rápido crescimento em relação a meados do mês de novembro até a presente data.

Angélica promoveu além da petição, a semana acadêmica do Curso de Biblioteconomia daquela universidade e, em seguida, a semana Open Access. Que eu tenha notícia, foi a única manifestação brasileira. Além disso, ela vem incentivando os seus alunos de graduação do Curso de Biblioteconomia a desenvolver os seus trabalhos de conclusão de curso utilizando a temática do Acesso Livre.

Portanto, à Angélica e seu grupo de colaboradores, os nossos parabéns e, principalmente, os nossos agradecimentos por buscar esse apoio popular que ao mesmo tempo sensibiliza o nosso povo para a importância do Acesso Livre no Brasil.

Aos colegas leitores deste blog, se ainda não assinaram a referida petição, convido-os, todos, a assinarem neste link.

dezembro 26, 2011 Publicado por | artigo | , , , | Deixe um comentário

Agência de fomento belga dá exemplo para o Acesso Livre universal (OA)

O Conselho de Administração do FRS-FNRS (Fund for Scientific Research da Bélgica-francófona) anunciou, oficialmente, que decidiu utilizar Repositórios Institucionais, exclusivamente, como fontes de dados bibliográficos em suporte à avaliação de submissão de pedidos de auxílios à pesquisa ou bolsas (exceto para candidatos estrangeiros), a partir de 2013 (fortemente encorajados em 2012).

A FRS-FNRS é a principal agência de fomento para a pesquisa básica na Federação de Wallonia-Brussels.

Segundo, Stevan Harnad, esta é a primeira iniciativa a estender, a uma agência de fomento, uma das principais características do modelo instituído pelo prof. Bernard Rentie, o “modelo de Liège”, mandato adotado em uma instituição de pesquisa para implantação de um RI. Tal modelo inclui o modelo ID/OA.

O modelo de Liège tem as seguintes características: i. torna obrigatório o depósito da produção científica; e para assegurar o seu cumprimento, ii. designa o depósito no repositório institucional como o único mecanismo utilizado para avaliar a apresentação de publicações na análise de desempenho pessoal/institucional.

O FRS-FNRS é a agência responsável pelo financiamento da pesquisa científica na Bélgica francófona. Sua contraparte Flamenga, FWO, estabeleceu o mandatado OA de depósito em 2007, mas, como a maioria dos mandatos de agências de fomento, ele não especificou onde depositar e nem forneceu qualquer sistema de monitoramento para garantir o cumprimento: http://roarmap.eprints.org/57/.

O FRS-FNRS designou, agora, o depósito em RI como o único mecanismo em suporte à avaliação de um pedido de financiamento de pesquisa.

Esta decisão proporciona seis grandes benefícios:

(1) Não apenas estende o modelo de Liege, estabelecendo uma forma de cumprimento/monitogamento para o mandato de uma agência de fomento, mas também;

(2) ajuda a integrar os mandatos institucionais e de agências de fomento;

(3) garante que o depósito seja feito,

(4) assegura que o depósito é feito em repositório institucional do autor (em vez de em diversos repositórios institucionais externos),

(5) incentiva as instituições que ainda não adotaram a via Verde do OA a adoptá-la, de forma a complementar mandatos das agências de fomento de toda a produção científica institucional, financiada e sem fundo; e

(6) assegurar que os mandatos institucionais e das agências de fomento sejam convergentes e que se reforçam mutuamente, em vez de divergentes e competitivos, com depósitos de ambos os mandatos sendo feito institucionalmente, e com as instituições, portanto, acompanharem e assegurarem a conformidade com os mandatos das agências de fomento.

Mais um passo foi dado em direção ao OA universal e serve de exemplo a outras agências de fomento, em especial às brasileiras, as preferem manter-se reféns das editoras comerciais.

dezembro 23, 2011 Publicado por | artigo, Mandato OA | , , , , , | Deixe um comentário

Diferenças entre os cenários: acesso limitado e acesso livre.

Certamente, pouco se discute sobre um cenário considerando o acesso livre e um cenário considerando o acesso limitado (acesso onde apenas os pesquisadores, professores ou funcionários de uma instituição assinante de uma determinada revista tem acesso ao seu conteúdo).

No cenário proporcionado pelas revistas cujos conteúdos são acessíveis apenas aos pesquisadores, professores, funcionários ou colaboradores filiados a instituições assinantes dessas revistas verifica-se os seguintes fenômenos:

1 – A visibilidade, uso e impacto são limitados, uma vez que apenas os usuários filiados às instituições assinantes têm acesso aos seus conteúdos;
2 – A exclusão cognitiva é resultado do fato de que parte da comunidade científica não tem acesso a esses conteúdos, visto que algumas das instituições participantes dessa comunidade não têm condições de manter as assinaturas ou assinar tais revistas. Assim, partes da comunidade científica não consegue desenvolver suas pesquisas ou solucionar problemas de saúde ou infraestrutura por falta do acesso a esse conteúdo;
3 – Quem tem acesso ao conhecimento científico se desenvolve mais rapidamente, se capacita, e tem maior capacidade de inovação tecnológica. Enquanto isso, quem não tem esse acesso, não consegue se desenvolver, se capacitar e sequer tem condições de promover qualquer inovação tecnológica. Enfim, a capacidade de se desenvolver e de inovar tecnológicamente fica restrita á comunidade que tem acesso aos conteúdos das revistas científicas comerciais. Assim, os países desenvolvidos são cada vez mais desenvolvidos, enquanto aqueles países não desenvolvidos ficam à margem do desenvolvimento como um todo.

No cenário proporcionado pelo acesso livre (Open Access) – quando o acesso livre tornar-se universal, ou seja, toda a produção científica mundial for livremente acessível – ocorrem as seguintes possibilidades:

1 – As universidades, faculdades, escolas e/ou países não terão necessidade de assinar revistas científicas comerciais e nem contratar portais de periódicos científicos;
2 – A produção científica ganhará maior visibilidade, uso e impacto;
3 – O globo vivenciará o nascimento das Sociedades do Conhecimento Compartilhado;
4 – Não mais haverá o fenômeno da exclusão cognitiva;
5 – Os países pobres e ricos gozarão da mesma oportunidade de desenvolver-se e de inovar tecnologicamente;
6 – Os países, universidades, faculdades, de uma forma geral, poderão otimizar os seus investimentos em pesquisa científica, uma vez que não terão, mais, a necessidade de despender recursos com a assinatura de revistas científicas.
7 – Os pesquisadores / autores poderão finalmente conhecer o real fator de impacto de suas pesquisas, de forma transparente e isonômica, uma vez que os motores de busca as indexarão independentemente da revista onde foram publicadas;
8 – Os governos, universidades, faculdades e agências de fomento ganharão um mecanismo para avaliar os seus pesquisadores e seus investimentos em pesquisa. Enfim, os governos e as instituições de ensino e pesquisa ganharão maior transparência e governança em seus investimentos.

novembro 28, 2011 Publicado por | artigo | , , , | Deixe um comentário

A importância do Open Access para o Brasil

O problema

A informação científica é o insumo básico e crucial para o desenvolvimento das pesquisas científicas. A informação científica é o resultado dessas pesquisas e é publicada em revistas com revisão por pares, também denominadas revistas científicas. O tradicional sistema da comunicação científica, do qual emerge a informação cientifica, beneficia preferencialmente as revistas científicas publicadas em língua inglesa e, principalmente, aquelas publicadas em países desenvolvidos. Como resultado, países como o Brasil e outros em desenvolvimento, têm sido prejudicados por esse sistema. A título ilustrativo, em 2007, serviços de indexação como o ISI, indexavam 63 revistas publicadas no Brasil. Em 2008, este número saltou para 102 revistas. Existem hoje, no mundo, cerca de 30 mil títulos de revistas científicas. Deste total, o ISI indexa cerca de 10 mil títulos. Isto mostra a visibilidade das pesquisas brasileiras junto a comunidade científica internacional. Ou seja, a visibilidade da pesquisa brasileira se resume àquilo que é publicado nas revistas científicas comerciais, que são as que oferecem maior fator de impacto.

Esta pouca visibilidade da ciência brasileira conseqüentemente limita as possibilidades de promoção da inovação e do intercâmbio científico e tecnológico.

Além disso, não custa relembrar que a comunidade científica vive sob o impacto da crise dos periódicos científicos, fruto dos crescentes aumentos nos custos das assinaturas das revistas científicas. Segundo a ARL – Association of Research Library, a associação das bibliotecas universitárias americanas, no período de 1986 a 2006, as suas bibliotecas tiveram um incremento nos custos de manutenção de periódicos de 381%. Nesse mesmo período o incremento no índice de preços ao consumidor foi de 78%. A Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES gastou no ano de 2010, para manter as assinaturas das revistas do seu Portal de Periódicos, o montante de US$ 61 milhões de dólares.

Potencial alternativa de solução

Em conseqüência da crise dos periódicos científicos, a comunidade científica international lançou um movimento denominado Open Access (OA). Open Access significa: 1) acesso em linha (online) à produção científica; 2) acesso livre de custos à produção científica; 3) acesso imediato à produção científica; 4) acesso permanente à produção científica.

Acesso livre (OA) a quê? Acesso livre aos cerca de 2,5 milhões de artigos que são publicados anualmente em 28 mil títulos de periódicos científicos. Não se incluem nesse acervo os livros, romances, obras de arte e outras obras, que normalmente são objetos de comercialização ou de interesse lucrativo por parte de seus autores.

As estratégias recomendadas pelo OA são: 1) promover o auto-arquivamento dos resultados das pesquisas científicas, publicados em revistas com revisão por pares, em repositórios de acesso livre, também denominada de via Verde; 2) promover a construção e conversão de revistas científicas comerciais em revistas de acesso livre, também denominada de via Dourada.

Das duas estratégias, aquela que oferece melhor relação custo/benefício é a estratégia da via Verde. A estratégia da via Dourada é muito cara e depende dos editores científicos. Portanto, a estratégia mais viável, uma vez que depende unicamente dos pesquisadores e de suas instituições, é a estratégia da via Verde. Acredita-se que, hoje, cerca de 30% da produção científica mundial esteja em acesso livre.

Benefícios

Após 11 anos do seu surgimento, a estratégia da via Verde vem mostrando, conforme estudos realizados por Stevan Harnad e seus colaboradores, que os resultados de pesquisa depositados em repositórios digitais de acesso livre obtêm maior visibilidade do que os resultados que não estão disponíveis para acesso livre.

A estratégia da via Verde se adotada por todas as instituições de ensino superior e de pesquisa promoveria, de forma sistemática, o registro da produção científica brasileira, uma vez que grande parte da pesquisa brasileira é financiada com recursos públicos e são desenvolvidas nas instituições de ensino superior e de pesquisa. Em consequência, mais do que maximizar a visibilidade das pesquisas, as seguintes possibilidades emergiriam:

1. Geração e fornecimento de serviços de informação com valor agregado;

a. Mineração de dados;
b. Serviços de alerta para a inovação;
c. Disseminação seletiva da informação;
d. Serviços de informação customizados para a necessidade do usuário;

2. Geração e fornecimento de indicadores estatísticos necessários ao planejamento da ciência e tecnologia;
3. Preservação da memória científica brasileira;
4. Certificação dos dados informados na plataforma Lattes;
5. Fornecimento de acesso à produção científica brasileira em acesso livre;
6. Subsídios para a avaliação de desempenho dos pesquisadores e das instituições de ensino e pesquisa brasileiras;
7. Identificação de grupos e redes de pesquisadores;

Enfim, a via Verde se amparada por diretrizes de governo, transformando-a em política pública, seria capaz de gerar e fornecer uma diversidade de indicadores estatísticos e serviços de informação capazes de suprir à “notável fragilidade em transferir conhecimento ao setor produtivo”, conforme identificou o Prof. Ronaldo Mota, secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação em artigo publicado no Jornal da Ciência, do dia 08 de Novembro de 2011, sob o título: “Inovação e a cobra que mordeu o rabo”.

novembro 23, 2011 Publicado por | artigo | , , , , , | 2 Comentários

O que a UNESCO pode fazer pelo Acesso Livre

Vejam a apresentação de Stevan Harnad, feita hoje na UNESCO durante o Open Access Forum 2011: Expert’s Meeting on Open Access, 22-23 November 2011, UNESCO Headquarters – Paris – FRANCE.

 

What UNESCO Can Do for Open Access (OA): DON’T RE-INVENT THE WHEEL — HELP IT ROLL, WORLDWIDE (17 min.) from Stevan Harnad on Vimeo.

novembro 22, 2011 Publicado por | Vídeos | , , , | Deixe um comentário

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