Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões sobre o Acesso Livre (OA)

Enquanto um gigante dorme outro busca respostas à proposta do Acesso Livre

No último dia 27 de Fevereiro, o jornalista Guy Gugliotta do New York Times publicou matéria sob o título: Gulf on Open Access to Federally Financed Research, cuja tradução poderia ser: O abismo sobre o Acesso Livre às Pesquisas Financiadas pelo Governo Federal.

Esta matéria fala sobre a percepção do Acesso Livre pelos principais atores envolvidos: pesquisadores, editores científicos.

Stevan Harnad comenta a parte final dessa matéria:

“The debate between these two extremes has been remarkably vitriolic, in part, perhaps, because neither side has been completely honest. Mr. Adler would not discuss publishers’ profit margins, and open-access advocates frequently say that the journals are low-overhead cash cows that are gouging the public. Open-access scientists, on the other hand, are less than candid about how important it is to their careers to be published in prominent traditional journals. If scientists truly wished to kill the system, all they would have to do is withhold submissions.”

“O debate entre esses dois extremos (pesquisadores e editores) tem sido notavelmente virulento, em parte, talvez, porque nenhum dos lados tem sido completamente honesto. Sr. Adler não iria discutir margens de lucro das editoras, e os defensores do acesso livre  costumam dizer que as revistas são vacas da baixa sobrecarga do caixa que exploram o público. Os pesquisadores defensores do Acesso Livre são, por outro lado, menos honestos sobre como é importante para suas carreiras publicar na mais importantes e tradicionais revistas científicas.  Se os cientistas realmente queriam matar o sistema, o que todos eles teriam que fazer é reter suas submissões.”

Stevan Harnad considera esta observação, claro, um total absurdo:

(1) Que os pesquisadores precisam publicar em revistas com alto padrão de revisão por pares não é segredo  (e não há nada a esconder ou se desculpar!)
(2) O objetivo do Acesso Livre não é “matar o sistema”, mas para fornecer Acesso Livre às pesquisas

(3) Como de costume, o falso pressuposto é o que o Acesso Livre se resume à estratégia da via Dourada (Publicações de Acesso Livre)

(4) O Acesso Livre não tem nada a ver com “propostas de retenção” ou boicote.

(5) Ambos os projetos (FRPAA e RWA) são sobre a obrigatoriedade do auto-depósito em repositórios de Acesso Livre, estratégia da via Verde.
Vale a pena escrever um artigo (ou livro) sobre como  é esse incansável mal-entendido  de algo tão incrivelmente simples e que   continua se propagando ano após ano após ano.

E parece que o Congresso americano continuará despreparado, neste ano, em relação ao projeto de lei FRPAA, dividindo com o projeto de lei RWA, em grande parte, o mesmo espírito ignorante como é característico no exemplo do  jornalismo “equilibrado” .

Portanto, mais um ano se tenta falar sobre a obrigatoriedade da estratégia da via Verde para o Acesso Livre nas universidades.

Uma coisa, porém,  o jornalista estava correto. Há certamente algo que os pesquisadores são menos  sinceros: não sobre boicotar as submissões às revistas cinetíficas, mas sobre boicotar os auto-depósitos em repositórios de Acesso Livre.

A minha percepção é a de que em alguns países, desenvolvidos, em desenvolvimento ou não desenvolvidos, os seus dirigentes se preocupam em entender o Acesso Livre, enquanto em outros não existe qualquer preocupação e nem sequer procuram entender um tema tão estratégico para o desenvolvimento da ciência e para o seu progresso.

fevereiro 29, 2012 Publicado por | artigo | , , , , , , , , | 2 Comentários

BOAI: uma década depois

Mera coincidência, ao publicar um post para relembrar os princípios da declaração BOAI tentei levar ao conhecimento da comunidade dos princípios e compromissos. Por outro lado, fui surpreendido pelas entrevistas em comemoração aos dez anos do BOAI publicadas por Stevan em seu blog Open Access Archivangelism. Na realidade são várias entrevistas. Assistam!

Stevan Harnad from Leslie Chan on Vimeo.

fevereiro 27, 2012 Publicado por | artigo | , , , , , | Deixe um comentário

Acesso Livre: como tudo começou

Helio Kuramoto

Tenho percebido a existência de dúvidas no entendimento relacionado aos objetivos do Acesso Livre (Open Access – OA) e de suas estratégias. O contexto que fez com que o Acesso Livre (OA) efetivamente tomasse forma iniciou-se na última década do século XIX (anos 90), época em que a crise dos periódicos científicos se evidenciou pela alta excessiva dos preços das assinaturas e que provocou o cancelamento de muitos periódicos por parte de bibliotecas universitárias de várias parte do mundo e, consequentemente, estas começaram a rever as suas políticas de aquisição e muitos pesquisadores deixaram de ter acesso aos periódicos mais importantes para as suas pesquisas. Ao longo deste período diversas iniciativas alternativas foram desenvolvidas, como por exemplo, os arquivos abertos eletrônicos, desenvolvidos por Paul Ginsparg e seus colegas, dos quais se destacou o ArXiv. Foi um período difícil para os pesquisadores, mas interessante porque estes e conscientizaram do seu papel e também do fato de que seria necessário a busca de uma solução para disseminar livremente as suas descobertas científicas.

Stevan Harnad explica sobre quais os reais interesses dos pesquisadores ao publicarem os seus achados ou descobertas científicas:

Ao contrário de outros tipos de autores, que publicam seus textos em busca da obtenção de lucros, os pesquisadores publicam suas descobertas para que possam ser utilizadas, aplicadas e dar origem a outras pesquisas a serem desenvolvidas por outros pesquisadores. A carreira do pesquisador e o progresso da ciência dependem da assimilação da pesquisa e do seu impacto. Os pesquisadores concordam em ceder gratuitamente os seus artigos às revistas científicas em troca de tê-los revisado por pares e certificados em conformidade com os padrões de qualidade das revistas em que elas são publicadas.

Paul Ginsparg vai mais longe ainda dizendo:

Então o ponto essencial é auto-evidente: se nós os pesquisadores não escrevemos com a expectativa de obter lucros diretamente de nossos esforços, então não há razão terrena que justifique que alguém deva obter lucros neste processo (exceto por um justo retorno sobre algum serviço com valor agregado não trivial que ele possa fornecer; ou exceto se, como era antigamente, no caso, apenas, da era da revista impressa, onde os verdadeiros custos para torná-los publicamente disponíveis eram suficientemente altos, de forma a exigir que eles fossem vendidos por um preço.)

A partir desta percepção surgiu o movimento Open Access cuja primeira declaração foi elaborada e lançada como resultado de uma reunião realizada nos dias 1 e 2 de dezembros de 2001, organizada pela Open Society Institute (OSI), o Budapest Open Access Iniciative (BOAI). Conforme descreve o seu sítio (http://www.soros.org/openaccess), esta declaração surge de uma pequena reunião, porém animada e que reuniu participantes de diversas disciplinas acadêmicas e de diversos países, cujo objetivo principal era acelerar o progresso no esforço internacional de tornar os artigos de pesquisa de toda as áreas acadêmicas disponíveis gratuitamente na Internet. Os participantes representavam muitos pontos de vistas e experiências de diversas iniciativas em curso que visavam o Acesso Livre. Foram exploradas como as iniciativas separadas atuando juntas poderiam alcançar o sucesso mais amplo, mais profundo e mais rápido. Eles exploraram as estratégias mais eficazes e acessíveis para servir aos interesses da pesquisa científica, dos pesquisadores e às instituições e sociedades que apoiam a pesquisa científica. Finalmente, eles exploraram como OSI e outras fundações poderiam usar seus recursos de maneira mais produtiva para ajudar a transição para a abertura do acesso à produção científica global, tornando as publicações periódicas científicas livremente acessível e economicamente autosustentável. O resultado é a Budapest Open Access Initiative, que é ao mesmo tempo uma declaração de princípios, uma declaração de estratégias e uma declaração de compromissos.
A declaração Budapest Open Access Initiative recomenda duas estratégias complementares:

i. Auto-arquivamento; e
ii. Revistas Científicas de Acesso Livre.

A primeira estratégia considera que os pesquisadores/acadêmicos precisam de ferramentas e assistência para depositar os seus artigos publicados em revistas arbitradas por revisão de pares (peer-review) em arquivos eletrônicos abertos, prática também chamada de auto arquivamento. Considerando que esses arquivos estejam em conformidade com as normas criadas pelo Open Archives Initiative (OAI), em seguida, os motores de busca e outras ferramentas podem tratá-los separadamente como sendo um só. Desta forma, os usuários, não precisarão saber quais arquivos existem ou onde eles se localizam, a fim de encontrar e fazer uso de seu conteúdo.

A segunda estratégia, Revistas Científicas de Acesso Livre, sugere que os pesquisadores/acadêmicos necessitam de meios para o lançamento de uma nova geração de revistas científicas comprometidas com o Acesso Livre, e ajudar as revistas existentes que se interessem em tornar-se de o Acesso Livre. Considerando que os artigos publicados nessas revistas devem ser disseminados o mais amplamente possível, estas novas revistas não demorarão a invocar os direitos autorais para restringir o seu acesso e uso. Ao invés disto, essas revistas usarão os direitos de autor e outros mecanismos para garantir o o seu permanente Acesso Livre. Considerando que o preço é uma barreira ao acesso, essas novas revistas não aumentarão os preços de assinatura ou taxas de acesso, e buscarão outros métodos para cobrir as suas despesas. Existem diversas alternativas de fontes de financiamento para tender a esses propósitos, incluindo as fundações e agências de fomento à pesquisa, as universidades e laboratórios que empregam pesquisadores, doações de instalação feitas por disciplinas ou instituições, amigos da causa do Acesso Livre, lucros da venda de complementos aos textos básicos, fundos liberados pelo desaparecimento ou cancelamento das tradicionais assinaturas de revistas ou taxas de acesso, ou mesmo contribuições dos próprios pesquisadores. Não há necessidade de favorecer uma solução em detrimento de outras para todas as disciplinas ou nações, e não há necessidade de parar de usar outras soluções criativas alternativas.

Esta declaração define os princípios e estratégias que têm sido seguidas e preconizadas por diversos líderes e especialistas. Paul Ginspag deu tom moral/ético, o fato de os pesquisadores não publicarem com interesses comerciais/lucrativos não dá direito a que outrem utilizar as suas descobertas para fazer lucro ou comércio. Conforme a declaração de Budapeste (BOAI) existem diversas fontes de recursos que poderão apoiar o lançamento/manutenção de uma Revista Científica de Acesso Livre. O uso consciente, moral e ético desses recursos depende dos editores das revistas. Trata-se de um procedimento como qualquer procedimento dentro da administração.  Um procedimento incorreto ou fora da normalidade administrativa não pode ser imputado ao movimento do Acesso Livre.

fevereiro 27, 2012 Publicado por | artigo | , , , , , , , , | 1 Comentário

A Índia intensifica as iniciativas de Acesso Livre neste biênio

Segundo post publicado por Tatiana de Mello Dias em seu blog TATIANA DE MELLO DIAS: P2P E Cultura Digital Livre, a Índia, por meio de seu primeiro ministro Manmohan Singh, declarou que o ano de 2012/2013, será dedicado à Ciência, e diversos esforços estão sendo realizados, em todo o país, para intensificar não apenas em quantidade, mas também em qualidade as pesquisas científicas, garantindo maior acesso aos artigos provenientes dos resultados dessas pesquisas.

Um exemplo dessas iniciativas é promovido pelo Instituto Indiano de Tecnologias de Madras (IIT-Madras), que pretende tornar todo o seu acervo de pesquisas científicas, em todas as áreas do conhecimento, em acesso livre, em linha na internet.

É um belo exemplo a ser seguido pelo Brasil, também um dos países do bloco econômico BRIC. Aliás, em meados do ano passado eu já havia publicado um post alertando para o fato de os outros países que compõem o BRIC, Rússia, Índia e China terem registrados uma quantidade maior de políticas de acesso livre que o Brasil. Segundo o ROARMAP, o Brasil conta com 4 políticas registrada: 1) o PL 1120/2007, já arquivada; 2) a política da Universidade Federal do Rio  Grande; 3) a política da Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 4) uma política da USP para teses e dissertações. A rigor, o Brasil conta, efetivamente, com apenas 2 políticas. E, nada mais tem sido feito.   O gigante continua adormecido em berço esplêndido.

 

 

fevereiro 24, 2012 Publicado por | artigo | , , , | Deixe um comentário

Quem tem mais acesso à revistas científicas: pesquisadores brasileiros ou americanos?

Em um post de Stevan Harnad, publicado no último dia 22 de janeiro de 2012, intitulado RWA: quem necessita de Acesso Livre? para que? e por que? Harnad responde a algumas perguntas de Sandy Tatcher (ST). As perguntas  formuladas  referem-se ao contexto americano. No entanto, existem algumas afirmações interessantes de Harnad que achei interessante trazer aos leitores deste Blog, inclusive uma curiosidade que responde ao título deste post.

ST: Você poderia me dizer quantos cientistas, nos EUA, não tem acesso à literatura profissional de que necessita, seja por meio de assinaturas de revistas mantidas pelas instituições às quais são vinculados ou por serviços como o DeepDyve?

Harnad não responde diretamente a essa questão, mas se compromete a dar apenas algumas evidências indiretas, que mostrarei abaixo:

(1) As estatísticas elaboradas pela ARL (Association of Research Library) – atualmente desatualizadas. A estimativa é de que os artigos em revistas científicas que as instituições não conseguem assinar ou licenciar são inacessíveis naquela instituição (biblioteca).

(2) Os dados sobre A vantagem do Acesso Livre sobre Downloads e citações. (indicadores sobre o que está sendo perdido se o acesso é restrito apenas aos assinantes das revistas científicas)

Evidências mais diretas só pode vir a partir de uma pesquisa/levantamento com os pesquisadores ou de um monitoramento automático de suas atividades na web, para ver quantas vezes eles clicam nos links de artigos e são impedidos de acessar devido à solicitação de pagamento (incluindo DeepDyve).

ST: (eu não acredito que seja de responsabilidade do governo americano fornecer acesso às pesquisas a quem quer que seja no mundo).

Harnad comenta/responde dizendo que: Talvez não (embora os pesquisadores americanos não desenvolvam suas pesquisas apenas destinados ao uso, aplicação e novas pesquisas para pesquisadores americanos; e perda de assimilação da pesquisa e progresso é uma perda para todos os pesquisadores e para a pesquisa) – mas as estatísticas da  ARL mostra que nenhuma instituição americana (biblioteca) consegue assinar todos as revistas científicas ou a sua maioria, e muitas conseguem apenas uma pequena fração dessas revistas.

Isto é tudo, perda de impacto da pesquisa e progresso.

HK, pitaco do blogueiro Hélio Kuramoto: É interessante esta resposta de Harnad porque ela mostra a diferença entre o nível de acesso às revistas científicas por parte dos pesquisadores que se encontram em uma instituição americana de ensino e pesquisa e o nível de acesso por parte dos pesquisadores brasileiros lotados em uma instituição de ensino e pesquisa pública brasileira. Talvez isto explique a passividade da comunidade científica brasileira com relação às revistas científicas. No Brasil, o governo brasileiro mantém o Portal de Periódicos da Capes, que fornece acesso à quase totalidade das revistas científicas existentes no globo à mais de 300 instituições de ensino e pesquisa. Nos EUA, cada biblioteca universitária  é responsável pelas assinatura de revistas científicas. Não existe um portal governamental de revistas que seja similar ao referido portal brasileiro.

ST: Quanto da literatura necessária já está acessível através de repositórios, em conformidade com a estratégia da via Verde? “

Pelo menos 80% não é fornecido – excepto se o depósito for obrigatório, caso em que menos de 20% não é fornecido.

Harnad ainda comenta uma última pergunta de ST, que não será traduzido por este Blog.

fevereiro 23, 2012 Publicado por | artigo | , , , , | Deixe um comentário

O Acesso Livre e a Inovação Tecnológica

Ao longo dos 6 anos de existência deste blog, tenho publicado matérias mostrando exemplos de iniciativas em favor do Acesso Livre (Open Access) e da Inovação Tecnológica, tais como : Austrália inclui OA na revisão do seu Sistema Nacional de Inovação.

No dia 08 de Abril de 2010, defendi a inclusão do tema Acesso Livre na 4a. Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação por meio do post O acesso livre e a 4ª CNCTI para o desenvolvimento sustentável.

No dia 23 de Novembro de 2011, reiterei a importância do Acesso Livre para o Brasil por meio do post A importância do Open Access para o Brasil. É gratificante verificar que não se trata de  um posicionamento isolado, Tylor Neylon, organizador do boicote à Elsevier, corrobora com o posicionamento deste blogueiro dizendo:

“…que os altos custos de assinaturas de periódicos e o policiamento contra a livre circulação de artigos na internet prejudicam as pequenas companhias que contribuem para a ciência e para a inovação.”

Ouso reformular a afirmação de Neylon:

Os alto custos de assinatura de periódicos e o policiamento contra a livre circulação de artigos científicos na Internet prejudicam tanto as pequenas companhias quanto os países, como o Brasil, que contribuem para a Ciência e para a Inovação.”.

Graças à existência da boa e eficiente iniciativa do Portal de Periódicos Capes, que proporciona aos pesquisadores vinculados às universidades públicas brasileiras, assim como aqueles que se vinculam a algumas instituições públicas de pesquisa o acesso às principais revistas científicas, o governo brasileiro protege as pesquisas científica brasileiras. Trata-se de um excelente serviço de informação. Mas, não se pode esquecer que este portal é fruto de um grande investimento, que custa aos cofres públicos cerca de 65 milhões de dólares anuais.  Vale lembrar que as universidades privadas, assim como as instituições de pesquisas brasileiras que não mantêm convênio com a Capes enfrentam as mesmas dificuldades que a empresa de Tylor Neylon.

As iniciativas aderentes à estratégia da via Verde, contribuem decisivamente para o Acesso Livre Universal (Open Access Universal). Caso o Brasil adotasse uma política de implantação e uso dessa estratégia, à nivel nacional, poder-se-ia ter uma rede de repositórios institucionais com toda a produção científica brasileira registrada. Além de proporcionar um maior acesso à informação contida em revistas científicas, portanto, maior acesso aos resultados de pesquisas científicas brasileiras, o país contaria com a possibilidade de desenvolver diversos mecanismos de gestão e serviços de informação com valor agregado que poderiam ser desencadeados para obter maior governança e transparência, assim como, maior visibilidade, uso e impacto dos resultados das pesquisas.

Dentre os serviços de informação com valor agregado, com certeza, a indústria nacional poderia contar com um serviço de alerta sobre potenciais produtos/serviços desenvolvidos por pesquisas científicas brasileiras, hoje, acessíveis apenas àqueles que têm assinatura das revistas científicas nas quais tais resultados foram publicados ou que tenham acesso ao referido portal. O Acesso Livre proporcionaria, assim, uma ação ativa de inovação que dificilmente poderia ser realizado pelo Portal de Periódicos da Capes.

Esses serviços e mecanismos são apenas parte dos benefícios vislumbrados. A elaboração/desenvolvimento desses serviços carece de tecnologias, tais como: i) a mineração de dados; ii) web semântica; iii) ontologias; entre outras tecnologias de tratamento e disseminação da informação.

fevereiro 20, 2012 Publicado por | artigo | , , , , | Deixe um comentário

Preço de acesso a pesquisas impede inovação

O Jornal da Ciência publicou, hoje, matéria com o mesmo título deste post, apresentando uma entrevista com o Dr. Tylor Neylon, organizador do boicote à Elsevier, que conta com mais de 6.200 assinaturas.

Na entrevista, Neylon diz que os altos custos de assinaturas de periódicos e o policiamento contra a livre circulação de artigos na internet prejudica as pequenas companhias que contribuem para a ciência e para a inovação. Felizmente, o Brasil conta com o Portal de Periódicos da Capes, que promove o acesso a cerca de 25 mil títulos de revistas científicas para mais de 300 instituições entre universidades e instituições de pesquisa a um custo aproximado de 65 milhões de dólares anuais.

No caso do Dr. Neylon, ele é cofundador de uma pequena empresa e gosta de fazer pesquisa. Como uma pequena empresa ele diz que não tem condições de arcar com os custos de assinatura de periódicos científicos, cujos preço médio gira em torno de 22 mil dólares anuais. Imagino que esta é uma situação parecida com a de pequenas faculdades e universidades particulares, assim como, de algumas instituições de pesquisa brasileiras não privilegiadas pelo acesso ao referido portal.

fevereiro 17, 2012 Publicado por | artigo | , , , , | 2 Comentários

Quem pode contribuir decisivamente para alcançar o Acesso Livre universal?

Sabe-se que a estratégia da via Verde é a que oferece melhor relação Benefício/Custo e que esta estratégia depende apenas da comunidade científica, considerando-se que esta seja formada pelos pesquisadores, universidades, instituições de pesquisa e instituições governamentais responsáveis pela ciência, tais como as agências de fomento. Os pesquisadores desenvolvem as pesquisas e usualmente publicam os seus resultados (das pesquisas), na forma de artigos científicos em revistas científicas. Para melhor entendimento, neste Blog, o termo artigo científico refere-se ao artigo publicado em uma revista científica, portanto, revisado por pares.  Da mesma forma, uma revista científica é aquela revista que é arbitrada, ou seja, todos os artigos nela publicados passaram por um processo de avaliação por pares (peer-review).  Os pesquisadores, autores de artigos científicos, são os verdadeiros detentores dos direitos de autor dos referidos artigos. Assim, os pesquisadores são os maiores interessados no acesso a esses artigos, e enquanto  autores, deveriam ser os maiores interessados no autodepósito dos seus artigos para que os seus pares possam ter livre acesso a este acervo.  É bom lembrar que todo o processo da comunicação científica é um processo baseado na retroalimentação: as pesquisas para serem desenvolvidas necessitam do acesso à produção científica e estas geram novos artigos, que se inserem nessa produção.

As universidades e instituições de pesquisas, no contexto da via Verde, são responsáveis pela construção e manutenção dos repositórios institucionais e, ao mesmo tempo, por garantir que a sua produção científica seja depositada nesses repositórios e torná-la acessível livremente, por meio de uma política/mandato de Acesso Livre. As agências de fomento são também, responsáveis, no contexto da via Verde, pela construção e manutenção dos repositórios centrais e, ao mesmo tempo, para garantir o povoamente desses repositórios, devem estabelecer úma política/mandato de Acesso Livre tornando obrigatório a todos os pesquisadores beneficiários de financiamentos, proporcionados por essas agências, o depósito dos artigos científicos resultados dessas pesquisas. De uma forma geral, é isto que se espera desses atores membros da comunidade científica.

Nos EUA, o governo americano vem contribuindo para o Acesso Livre. Em 2007, o congresso americano aprovou um projeto de lei definindo uma política de Acesso Livre para o National Institute of Health, na qual todos os pesquisadores beneficiários de financiamentos daquela agência de fomento são obrigados a depositar a sua produção científica, proveniente de pesquisas beneficiárias desse financiamento, no repositório central PUB MED Central. Em 2009, um novo projeto de lei foi apresentado, o FRPA – Federal Research Public Act, que visa estender a lei que define a Política de Acesso Livre, para o NIH, a todas agências de fomento americanas.

No Brasil, o senador Rodrigo Rollemberg apresentou o projeto de lei 387/2011 à Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática do Senado Federal.

Verifica-se a existência de iniciativas no âmbito governamental para a implantação de iniciativas aderentes à via Verde. Mas, em todas as iniciativas, a responsabilidade por alimentar os repositórios institucionais/centrais é dos pesquisadores, uma vez que são eles quem publicam os resultados de suas pesquisas e são, portanto, detendores dos direitos autorais desses artigos. Assim, quem realmente pode contribuir decisivamente para alcançar o Acesso Livre universal são os pesquisadores. Conclusão que corrobora com o discurso de Stevan Harnad: O ACESSO LIVRE ENCONTRA-SE NAS MÃOS DA COMUNIDADE CIENTÍFICA: i) as instituições de pesquisa e as universidades enquanto mantenedores dos repositórios institucionais e estabelecimento de políticas/mandatos de Acesso Livre; ii) as agências de fomento enquanto mantenedores dos repositórios centrais e estabelecimento de políticas/mandatos de Acesso Livre; ; e iii) pesquisadores para o autodepósito dos seus artigos científicos.

Considerando que no Brasil as universidades, instituições de pesquisa e agências de fomento estão todos ligados aos Minsitérios da Educação, assim como ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, entendo que tanto esses ministérios quanto agências de fomento como Capes, CNPq e agências estaduais de apoio à pesquisa poderiam e deveriam ter uma participação mais ativa no processo de implantação do Acesso Livre à informação científica. Tenho a convicção de que, no Brasil, os ministérios citados têm papel decisivo na implantação do Acesso Livre. Mais do que isto, a adoção da estratégia da via Verde, no Brasil, criaria mecanismos de ampliar a visibilidade da ciência brasileira, assim como de promoção de maior governança e transparência.

fevereiro 17, 2012 Publicado por | artigo | , , , , , | Deixe um comentário

3o. Simpósio Brasileiro de Comunicação Científica: Chamada de Trabalhos

3º. Simpósio Brasileiro de Comunicação Científica (SBCC) http://www.sbcc.ufsc.br 05 e 06 de junho de 2012, Florianópolis (SC) – Brasil

Apresentação

O 3º Simpósio Brasileiro de Comunicação Científica: Perspectivas em Acesso Aberto – Cenários para 2020 será realizado em continuidade das ações do Departamento de Ciência da Informação (CIN) e do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PGCIN) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Esse evento tem como objetivo proporcionar à comunidade acadêmica discussões sobre a comunicação científica com foco nas perspectivas de acesso aberto/livre e preservação digital, pretendendo avançar na discussão destas duas temáticas. Nesta edição, além da presença de pesquisadores nacionais e estrangeiros proferindo palestras e participando de mesas-redondas, será aberta a recepção de trabalhos científicos sobre o tema. Os trabalhos selecionados serão publicados em número especial da revista eletrônica Encontros Bibli.
O evento será realizado nos dias 05 e 06 de junho de 2012, em Florianópolis, Santa Catarina.

Programação

Dia 05/06/2012

Manhã

09:00 => 09:30 – Evento de Abertura

09:30 => 10:30 – Conferência da Profa. Elena Maceviciute, Universidade de Boras (Suécia), sobre Preservação Digital

10:30 => 11:00 – Intervalo 11:00 => 12:00 – Conferência do Prof. Leslie Chan, Universidade de Toronto (Canadá), sobre  Acesso Aberto

Tarde

14:00 => 14:30 – Revista Encontros Bibli: uma trajetória

14:30 => 16:00 – Mesa Redonda Internacional com os Profs. Elena Maceviciute e Leslie Chan, mediada pela Profa. Sely Costa (UnB)

16:00 => 16:30 – Intervalo

16:30 => 18:00 – Mesa Redonda Internacional (continuação)

Noite

20:00        – Jantar de Confraternização

Dia 06/06/2012

Manhã

09:00 => 10:30 – Mesa Redonda sobre Acesso Livre à Informação, mediada pelo Prof. Hélio Kuramoto (IBICT),

com a participação de Abel Laerte Packer (SciELO) e Nelson Pretto (UFBA/SBPC)

10:30 => 11:00 – Intervalo

11:00 => 12:00 – Mesa Redonda (continuação)

Tarde

14:00 => 16:00 – Apresentação de Trabalhos

16:00 => 16:30 – Intervalo

16:30 => 18:00 – Apresentação de Trabalhos

18:00        – Encerramento

 

Tópicos de Interesse

Os trabalhos que discutem e contribuem com o avanço do conhecimento nas áreas de Acesso Livre/Aberto e Preservação Digital são de interesse do SBCC. A lista de tópicos inclui:
- Os novos papéis dos stakeholders (pesquisadores, editores, editoras, bibliotecas, instituições de ensino superior, agências de fomento e governamentais) na comunicação científica
- O impacto das estratégias do Acesso Livre (vias Verde e Dourada) na Comunicação Científica
- Os direitos autorais e questões legais no Acesso Livre à informação científica
- A preservação digital e a memória da Comunicação Científica
- Avaliação científica e publicações científicas em Acesso Livre
- Políticas de Acesso Livre
- O papel das Bibliotecas Universitárias na Comunicação Científica pós-Acesso Livre
- Tecnologias em suporte à Comunicação Científica
- Web inteligente e o Acesso Livre à informação científica
- A Comunicação Científica na Web 2.0

Instruções aos Autores

A submissão de artigos será exclusivamente eletrônica. Para tal, autores devem acessar a URL http://www.sbcc.ufsc.br. Os artigos devem ser escritos em português e ser formatados seguindo o modelo de artigos da Revista Encontros Bibli, disponível em http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/eb/login.

Avaliação

O processo de avaliação dos artigos submetidos levará em conta a adequação aos tópicos de interesse; a contribuição para as temáticas; a relevância do problema, do objeto e dos objetivos; a pertinência e adequação das opções teóricas e metodológicas; a coerência e profundidade da discussão científica; o domínio da literatura pertinente; a clareza e objetividade da apresentação dos resultados; a adequação da linguagem científica; a observância das normas e padrões de formatação e normalização utilizados pela revista Encontros Bibli.

Datas Importantes

Submissão de artigos: De 13/02/2012 a 13/03/2012

Comunicação aos autores: 23/04/2012

Envio da versão final dos artigos aceitos: 03/05/2012

Comissão Organizadora do SBCC:

Gleisy Regina Bóries Fachin (UFSC)

Graziela Martins de Medeiros (UFSC)

Hélio Kuramoto (IBICT)

Lígia Maria Arruda Café (UFSC)

Luciane Paula Vital (UFSC)

Márcio Matias (UFSC)

Miriam Vieira da Cunha (UFSC)

Moisés Lima Dutra (UFSC) Presidente

Sonali Paula Molin Bedin (UFSC)

Comitê Científico do SBCC

Edna Lúcia da Silva (UFSC)

Fabio Mascarenhas e Silva (UFPE)

Hélio Kuramoto (IBICT)

Ida Regina Chitto Stumpf (UFRGS)

Márcio Matias (UFSC) Presidente

Maria das Graças Targino (UESPI/UFPB)

Sely Maria de Souza Costa (UnB)

Sueli Mara Soares Pinto Ferreira (USP)

Contato

Moisés Lima Dutra (UFSC) moises@cin.ufsc.br

fevereiro 15, 2012 Publicado por | artigo | , , , | Deixe um comentário

Pula-pula: por que os pesquisadores ainda tentam boicotar ao invés de teclar?

Tomo a liberdade de traduzir um dos posts de Stevan Harnad (SH) em seu blog Open Access Archivangelism. Antes de iniciar o texto de SH, devo esclarecer que ele utiliza frequentemente o termo TECLAR para designar o procedimento de auto-arquiovamento de artigos em repositórios institucionais, por parte dos autores. Segue o referido post em português.

Enquanto a comunidade científica global está novamente ocupada, de forma indignada, com um novo boicote contra os editores, eu continuo fascinado pelo “folclore do teclar”.

“Por que 34.000 pesquisadores, em 2000, boicotaramm os periódicos científicos, caso estes não permitissem o livre acesso aos seus artigos – quando os próprios pesquisadores poderiam fornecer Acesso Livre (OA) para os seus próprios artigos  auto-arquivando-os em seu próprio sítio institucional? “

Não apenas 100% OA teria sido alcançado  por meio de auto-arquivamento, por parte do autor,  conforme  1994, mas mais de 90% de todas as revistas científicas  (publicadas por cerca de  65% de todos os editores de revistas científicas) já deram a sua luz verde explícita a alguma forma de auto-arquivamento, por parte dos autores – com mais de 60% de todos os periódicos, incluindo Elsevier – dando aos seus autores a luz verde para a auto-arquivamento da versão final dos artigos científicos  (“postprint”) imediatamente após a aceitação para publicação …

Então, por que os pesquisadores ainda tentam boicotar ao invés de teclar (auto-arquivar os seus artigos científicos), considerando ainda que foram perdidos desnecessáriamente uma dúzia de anos de acesso à pesquisa e impactos (as estratégias e iniciativas do OA somam 12 anos de existência).

Nós encontramos o inimigo, Pula-pula, e não é a Elsevier.

(E é por isso que os mandatos/políticas de Acesso Livre são necessários; apenas boicotar os editores não é suficiente.)

Vejam que Steve Harnad se posiciona de forma clara, opondo-se a qualquer tipo de boicote aos editores. Verifica-se o seu pragmatismo nessa batalha: é mais eficiente que toda a comunidade científica se una em torno da estratégia da via Verde e efetivamente criar e manter os repositórios institucionais, estabelecendo as políticas/mandatos de Acesso Livre do que fazer boicotes. Vejam que ele sequer faz menção à via Dourada.

fevereiro 14, 2012 Publicado por | artigo | , , , , , , | Deixe um comentário

Cientistas boicotam a Elsevier

O jornal Folha de São Paulo publicou matéria dando conta de que há um boicote por parte dos cientistas contra uma das maiores editoras de revistas científicas do mundo, a Elsevier. Leia a matéria no seguinte link.

O referido jornal traz matéria completa mostrando as razões do boicote. Na realidade o motivo de todo o boicote é o apoio que essa editora vem dando ao  RWA - Research Works Act, projeto de lei que tramita no Congresso americano e que busca impedir que as instituições de pesquisa disseminem livremente os resultados de pesquisas  de seus cientistas, por intermédio dos repositórios institucionais, fruto da estratégia da via Verde. Este projeto de lei, RWA, se aprovado, impedirá o livre acesso aos resultados de pesquisas, financiados com recursos públicos, publicados em revistas científicas. Trata-se de uma reação à política de Acesso Livre aprovada e adotada pelo National Institute of Health, em meados de 2007 e ao projeto de lei FRPA – Federal Research Public Act que pretende estender essa política, aprovada para o NIH, para o restante das agências de fomento do governo federal americano.

Isto significa que os editores comerciais começam a se preocupar com o avanço das iniciativas aderentes à estratégia da via Verde em todo o mundo.

fevereiro 13, 2012 Publicado por | artigo | , , , , | Deixe um comentário

Acesso Livre (OA): pode uma revista mantida com recursos publicos adotar o modelo de negócio “autor-paga”?

Helio Kuramoto

Há alguns posts atrás fiz um elogio a duas revistas brasileiras que adotaram o modelo de negócio “autor-paga” e me parece que tal elogio tem sido utilizado para justificar o injustificável. É preciso esclarecer que o elogio foi apenas à decisão da revista em adotar o modelo de negócio “autor-paga”, a qual me levou ao entendimento de que se tratava de uma decisão em busca da auto-sustentabilidade. Este elogio foi um ato precipitado de minha parte, considerando que eu não tinha conhecimento que uma das revistas era mantida com recursos públicos e utilizava infraestrutura de instituição pública.

Assim, é preciso esclarecer melhor as coisas para evitar mal-entendidos e não prejudicar o entendimento sobre Acesso Livre (Open Access), e neste caso o meu elogio se deveu à coragem dos editores em adotar um modelo de negócio que vem sendo adotado por grandes editores comerciais. Consequentemente, entendi que o intuito das revistas era ter auto-sustentabilidade, obviamente isto significa total independência de recursos públicos.

Soube, por colegas, que os meus posts teriam sido utilizados para reafirmar o acerto da decisão por parte da (s) revista(s) junto à sua comunidade de autores. Longe de querer ser redundante, devo reiterar que o movimento Open Access, visando tornar livremente acessível o acervo de cerca de 1,5 milhões de artigos científicos que são publicados anualmente em aproximadamente 28 mil revistas centíficas, estabeleceu as seguintes estratégias: 1) que os pesquisadores publicassem preferencialmente em revistas científicas de acesso livre (Open Access) – via Dourada (Gold road); 2) que as universidades e demais instituições de pesquisa construam repositórios institucionais (RI), assim como as agências de fomento construam o seus repositórios centrais (RC) e que sejam estabelecidas políticas de acesso livre tornando obrigatório a todos os seus pesquisadores o depósito de sua produção científica publicada em revistas científicas – via Verde (Green Road);

Após 11 anos da adoção dessas estratégias verificou-se que a estratégia via Verde é a que oferece melhor relação benefício/custo. E, que por outro lado, a estratégia via Dourada é ainda muito cara e lenta, além de ser totalmente dependente da tomada de decisão dos seus editores, usualmente, vinculados a empresas. Como toda empresa, estas têm como objetivo principal a obtenção de lucros. Alguns desses editores até já lançaram revistas de acesso livre utilizando o modelo “autor-paga”. No entanto, a taxa de publicação estabelecida por esses editores é ainda muito cara. Então, não vale à pena publicar nessas revistas. Assim, é preferível que os pesquisadores continuem publicando em revistas comerciais e ao mesmo tempo façam o auto-depósito dos artigos nos RI e RC. Essa é também a minha opinião.

No contexto mundial, observamos uma particularidade, a grande maioria dos editores tem como suporte empresas comerciais, com infraestrutura própria e não dependem diretamente de recursos públicos, ou seja não são financiadas com recursos públicos.

Agora vejamos o caso das revistas científicas brasileiras. A maioria delas são mantidas com recursos públicos provenientes de agências de fomento, de universidades públicas ou de instituições de pesquisa públicas. A maioria delas utilizam a infraestrutura de instituições públicas, assim como do quadro de pessoal dessas instituições que são também funcionários públicos. Portanto, essas revistas são totalmente dependentes de recursos públicos.

Sempre defendi que as revistas científicas brasileiras buscassem uma forma de se auto-sustentarem, tornando-se independentes de financiamentos de agências de fomento e consolidassem a indústrial editorial científica no País. Daí o meu elogio, pois, ingênuamente, pensei que as revistas elogiadas não dependessem de qualquer recurso público.

A questão é: seria ético ou moral e políticamente correto que essas revistas adotem o modelo de negócio “autor-paga”, sabendo previamente que estas são financiadas e mantidas com recursos públicos?

Evidentemente que, a adoção do referido modelo é livre e depende apenas do interesse dos editores. Mas, se a revista já era de livre acesso e continuará dependendo de recursos públicos, então não se justifica a adoção deste modelo. A simples adoção do referido modelo não é uma iniciativa aderente ao Acesso Livre, pois, acaba tornando-se uma restrição à disseminação da informação. É preciso conhecer o contexto sob o qual o referido modelo foi criado. Ele foi criado por editores comerciais. Portanto, a adoção do modelo “autor-paga” deve ser precedida de uma análise mais profunda sobre todo o contexto da revista, de sua vinculação institucional, e de seus interesses e propósitos. Alem disso, obviamente, a tomada de decisão deve ser em proveito da sua comunidade usuária e autoral.

Antes de concluir este post faço as seguintes considerações:

1. Até onde eu sei, as revistas científicas que adotaram o modelo “autor-paga” são revistas científicas comerciais, à exceção das revistas do PLoS (Public Library of Science”) que já adotam o referido modelo às suas revistas desde o seu nascedouro, e no que me consta, é uma organização independente criada por editores científicos e não dependem de recursos públicos;

2. O Acesso livre veio para facilitar o acesso às pesquisas e não para impedir o seu acesso ou a sua disseminação

3. O conhecimento gerado por pesquisas é um bem público e como tal deveria ser de livre acesso.

4. Assim, não posso entender como uma revista que já é mantida com recursos públicos e fornece Acesso Livre e, como tal, deveria servir aos interesses da comunidade científica possa adotar o modelo de negócio “autor-paga”, isto é como dar um tiro no próprio pé.

Deixo esta questão no ar para que os leitores deste blog possam emitir a sua opinião e debater por intermédio dos comentários via este blog.

fevereiro 9, 2012 Publicado por | artigo | , , , , | 2 Comentários

   

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