Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões sobre o Acesso Livre (OA)

Open Access Week

Na semana do dia 24 a 30 de outubro de 2011, em várias parte do globo terrestre, universidades e instituições de pesquisa estarão realizando diversos eventos para promover o acesso livre. Para acompanhar as diversas iniciativas e eventos visitem o sítio: http://www.openaccessweek.org/.

Aproveito para estimular as nossas universidades, em especial as universidades que estão desenvolvendo e implantando os seus Repositórios Institucionais (RI) para realizar atividades de promoção de seu RI. Trata-se de uma ótima oportunidade para promover o acesso livre e o RI de sua instituição, buscando incrementar a alimentação do RI.

Às universidades e institutos de pesquisa que ainda não têm o seu RI, é uma excelente oportunidade para iniciar um processo de sensibilização da sua comunidade interna. Infelizmente, não tenho recursos para custear minhas viagens, mas coloco-me à disposição para participar de mesas redondas, debates ou qualquer outra atividade necessária ao esclarecimento e divulgação do OA no Brasil. Evidentemente que, devido à falta de recursos, dado que as universidades também são desprovidas deles, coloco-me à disposição para discutir, inclusive via Skype ou outro tipo de comunicação remota.

A propósito, seria muito interessante que os leitores deste blog sugerissem ações de divulgação do OA. Assim, não exitem em me enviar comentários, nada nos impede de fazer uma grande promoção do OA, mesmo considerando o curto espaço de tempo, visto que faltam pouco mais de 30 dias para que os eventos possam acontecer na semana prevista pelos organizadores da Open Access Week.

setembro 22, 2011 Publicado por | artigo | , | Deixe um comentário

OA: tentando esclarecer conceitos V – como tudo começou?

Qual a origem do movimento Open Access? O que motivou o surgimento desse movimento?

Muitos entendem que o OA surgiu a partir do surgimento das TICs e das publiccações eletrônicas. Esta é uma das causas, mas não é a única. Na realidade a história é bem mais dramática e ela existe ainda hoje. Trata-se das barreiras provocadas pelo alto custo das assinaturas das revistas científicas.

Hoje, certamente, os colegas que se encontram na faixa etária situada entre 20 e 30 anos não devem se lembrar do tempo em que a economia brasileira lutava contra as altas taxas inflacionárias, galopantes, que engoliam os nossos salários em um mês, de tal forma a enfraquecer o nosso poder de compra já nos primeiros 15 dias de cada mês. Mas, certamente, os colegas cinquentões se lembram dessa época. Quantas mágicas fazíamos para manter as nossas famílias?

Pois então, os periódicos científicas passaram e passam pelo mesmo fenômeno. Segundo levantamento realizado pela Association of Researh Libraries as suas bibliotecas membro tiveram um incremento de cerca de 321% na manutençã o de suas coleções de revistas científicas e livros, no período de 1986 a 2006, enquanto o incremento no índice de preços ao consumidor foi de 78% no mesmo período. [SWAN, 2008, p. 160].

Apesar de esses números se referirem aos EUA, na realidade, trata-se de um fenômeno mundial, pois, essas revistas científicas são fornecidas por grandes editoras a todas as bibliotecas em qualquer parte do globo terrestre. Então uma revista adquirida por uma biblioteca de universidade americana é também adquirida por bibliotecas universitárias brasileiras ao mesmo preço.

A diferença é que as revistas científicas não são ítens de consumo da sociedade como um todo e, em tese, o cidadão comum não sofre os efeitos dessa escalada de preços e, com certeza, o seu poder de compra não é afetado diretamente. No entanto, os orçamentos das bibliotecas universitárias, assim como, de quem as mantêm é afetado pesadamente. Esse cenário, que se agravou a partir da década de 90, recebeu o apelido de crise dos periódicos científicos. Em consequência, as bibliotecas universitárias e das instituições de pesquisa encontraram dificuldades em manter as suas coleções de revistas científicas.

O fenômeno como disse no início deste post é muito parecido com aquele vivido pelos chefes de família, só que neste caso, foram as bibliotecas que se defrontaram com a queda do seu poder aquisitivo para manter as suas coleções de revistas científicas, face ao seu orçamento inelástico versus os crescentes aumentos de preços das assinaturas, cuja taxa de crescimento tem sido na ordem de dois dígitos.

O antídoto utilizado pelo governo brasileiro para normalizar a situação caótica em que o povo brasileiro vivia foi o Plano Real.

O antídoto que vem sendo utilizado pela comunidade científica internacional para superar essa crise são as estratégias do Open Access: via Dourada e via Verde. Conforme já foi intensamente divulgado por este blog, a via Verde é que apresenta melhor relação custo/benefício. Um belo exemplo de iniciativa preconizada pela via Verde é mostrada pelo reitor da Université de Liège, prof. Bernard Rentier, leia a sua entrevista.

setembro 22, 2011 Publicado por | artigo, conceitos | , , , | Deixe um comentário

   

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