Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões sobre o Acesso Livre (OA)

Resultado Parcial da Avaliacão do Blog do Kuramoto

Passados dez dias do início do processo de avaliação do Blog do Kuramoto, em uma rápida análise, os resultados apresentdos por este processo são muito bons. Até o momento, a avaliação teve um total de 34 respostas. Então, antes de mais nada, os meus agradecimentos a esses 34 leitores do blog, a sua contribuição é valiosa para o aperfeiçoamento do blog e da veiculação do Open Access no Brasil.

Vejam um sumário dos resultados por questões respondidas, clcando aqui.

Analisando as respostas, 4 delas ao quesito n. 3, “De uma forma geral, qual a sua satisfação em relação ao Blog do Kuramoto?” assinalaram INSATISFEITO. Entretanto, esses quatro questionários, tiveram assinalados, em todas as restantes questões o grau de satisfação como satisfeito ou muito satisfeito. Portanto, suponho que esses leitores a assinalaram por engano. Isto representa 12% do total de questionários respondidos. No restante, não anotei qualquer outra irreguaridade nas respostas.

Mas, o processo de avaliação não está concluído, conforme minha proposta inicial, esta avaliação poderá ser realizada até o dia 15 de outubr de 2011. Portanto, conto com a colaboração daqueles que ainda não participaram dessa avaliação. Para tanto, basta clicar em Quero avaliar o Blog do Kuramoto.

setembro 30, 2011 Publicado por | Sem categoria | Deixe um comentário

PKP School: OJS for Managers

De volta ao Brasil, este é o meu primeiro post em solo brasileiro. Atenção senhores editores de revistas que utilizam o SEER ou OJS, creio que o link a seguir seja importante a sua atividade de gestão da revista e uso do SEER ou OJS, trata-se do PKP School: OJS for managers, em especial os editores das revistas que utilizam OJS ou SEER.

setembro 27, 2011 Publicado por | Sem categoria | , , , , , | 1 Comentário

Aperfeiçoando o Blog do Kuramoto

Prezado leitor, com o propósito de aperfeiçoar este blog estou realizando um levantamento. Conto com a sua contribuição, convidando-o(a) a preencher o questionário a seguir:

Pesquisa de opinião

Essa pesquisa ficará disponível para preenchimento até o dia 15 de outubro de 2011. O seu link se encontrará neste post e na coluna à esquerda deste blog, na página principal. Após uma pré-avaliação das respostas, percebí que algumas pessoas marcaram errôneamente uma determinada resposta. Chamo a atenção para o fato de que as alternativas, em quase todas as questões são crescentes, conforme a seguinte ordem: muito insatisfeito, insatisfeito, indiferente, satisfeito e muito satisfeito. Portanto, leiam com cuidado as alternativas.

setembro 23, 2011 Publicado por | enquete | Deixe um comentário

Open Access Week

Na semana do dia 24 a 30 de outubro de 2011, em várias parte do globo terrestre, universidades e instituições de pesquisa estarão realizando diversos eventos para promover o acesso livre. Para acompanhar as diversas iniciativas e eventos visitem o sítio: http://www.openaccessweek.org/.

Aproveito para estimular as nossas universidades, em especial as universidades que estão desenvolvendo e implantando os seus Repositórios Institucionais (RI) para realizar atividades de promoção de seu RI. Trata-se de uma ótima oportunidade para promover o acesso livre e o RI de sua instituição, buscando incrementar a alimentação do RI.

Às universidades e institutos de pesquisa que ainda não têm o seu RI, é uma excelente oportunidade para iniciar um processo de sensibilização da sua comunidade interna. Infelizmente, não tenho recursos para custear minhas viagens, mas coloco-me à disposição para participar de mesas redondas, debates ou qualquer outra atividade necessária ao esclarecimento e divulgação do OA no Brasil. Evidentemente que, devido à falta de recursos, dado que as universidades também são desprovidas deles, coloco-me à disposição para discutir, inclusive via Skype ou outro tipo de comunicação remota.

A propósito, seria muito interessante que os leitores deste blog sugerissem ações de divulgação do OA. Assim, não exitem em me enviar comentários, nada nos impede de fazer uma grande promoção do OA, mesmo considerando o curto espaço de tempo, visto que faltam pouco mais de 30 dias para que os eventos possam acontecer na semana prevista pelos organizadores da Open Access Week.

setembro 22, 2011 Publicado por | artigo | , | Deixe um comentário

OA: tentando esclarecer conceitos V – como tudo começou?

Qual a origem do movimento Open Access? O que motivou o surgimento desse movimento?

Muitos entendem que o OA surgiu a partir do surgimento das TICs e das publiccações eletrônicas. Esta é uma das causas, mas não é a única. Na realidade a história é bem mais dramática e ela existe ainda hoje. Trata-se das barreiras provocadas pelo alto custo das assinaturas das revistas científicas.

Hoje, certamente, os colegas que se encontram na faixa etária situada entre 20 e 30 anos não devem se lembrar do tempo em que a economia brasileira lutava contra as altas taxas inflacionárias, galopantes, que engoliam os nossos salários em um mês, de tal forma a enfraquecer o nosso poder de compra já nos primeiros 15 dias de cada mês. Mas, certamente, os colegas cinquentões se lembram dessa época. Quantas mágicas fazíamos para manter as nossas famílias?

Pois então, os periódicos científicas passaram e passam pelo mesmo fenômeno. Segundo levantamento realizado pela Association of Researh Libraries as suas bibliotecas membro tiveram um incremento de cerca de 321% na manutençã o de suas coleções de revistas científicas e livros, no período de 1986 a 2006, enquanto o incremento no índice de preços ao consumidor foi de 78% no mesmo período. [SWAN, 2008, p. 160].

Apesar de esses números se referirem aos EUA, na realidade, trata-se de um fenômeno mundial, pois, essas revistas científicas são fornecidas por grandes editoras a todas as bibliotecas em qualquer parte do globo terrestre. Então uma revista adquirida por uma biblioteca de universidade americana é também adquirida por bibliotecas universitárias brasileiras ao mesmo preço.

A diferença é que as revistas científicas não são ítens de consumo da sociedade como um todo e, em tese, o cidadão comum não sofre os efeitos dessa escalada de preços e, com certeza, o seu poder de compra não é afetado diretamente. No entanto, os orçamentos das bibliotecas universitárias, assim como, de quem as mantêm é afetado pesadamente. Esse cenário, que se agravou a partir da década de 90, recebeu o apelido de crise dos periódicos científicos. Em consequência, as bibliotecas universitárias e das instituições de pesquisa encontraram dificuldades em manter as suas coleções de revistas científicas.

O fenômeno como disse no início deste post é muito parecido com aquele vivido pelos chefes de família, só que neste caso, foram as bibliotecas que se defrontaram com a queda do seu poder aquisitivo para manter as suas coleções de revistas científicas, face ao seu orçamento inelástico versus os crescentes aumentos de preços das assinaturas, cuja taxa de crescimento tem sido na ordem de dois dígitos.

O antídoto utilizado pelo governo brasileiro para normalizar a situação caótica em que o povo brasileiro vivia foi o Plano Real.

O antídoto que vem sendo utilizado pela comunidade científica internacional para superar essa crise são as estratégias do Open Access: via Dourada e via Verde. Conforme já foi intensamente divulgado por este blog, a via Verde é que apresenta melhor relação custo/benefício. Um belo exemplo de iniciativa preconizada pela via Verde é mostrada pelo reitor da Université de Liège, prof. Bernard Rentier, leia a sua entrevista.

setembro 22, 2011 Publicado por | artigo, conceitos | , , , | Deixe um comentário

Pesquisa de opinião sobre o Blog do Kuramoto

Prezado leitor deste blog, com o propósito de aperfeiçoar este blog estou realizando um levantamento. Conto com a sua contribuição, convidando-o(a) a preencher o questionário a seguir:

Pesquisa de opinião

Essa pesquisa ficará disponível para preenchimento até o dia 15 de outubro de 2011. O seu link se encontrará neste post e na coluna à direita deste blog, na página principal.

setembro 21, 2011 Publicado por | enquete | | Deixe um comentário

OA: tentando esclarecer conceitos IV (políticas e mandatos)

Uma outra questão que muito provavelmente confunde a cabeça das pessoas diz respeito aos mandatos ou políticas institucionais de informação ou simplesmente políticas Open Access (OA). Mandatos e políticas nesse contexto refrem-se ao mesmo documento.  Stevan usualmente utiliza o termo mandate ou, em português, mandato. Mas, ele também utiliza o termo política OA.

Os mandatos ou políticas OA é uma ação desenvolvida para garantir o depósito de artigos, por parte dos autores, nos repositórios institucionais ou centrais.

No caso, em que as universidades estejam encontrando dificuldades em garantir esse depósito por parte dos seus pesquisadores/autores, recomendo que revisem a sua política institucional de informação à luz das recomendações constantes neste post, ou se ainda não a estabeleceu ou adotou, leiam este post que ele poderá ser útil.

Inicialmente, no Brasil, utilizei o termo política institucional de informação para utilizar um termo mais brando, mais simples e menos duro, visto que, achava o termo mandato muito antipático e o seu uso poderia, ao invés de atrair os pesquisadores afastá-los das iniciativas do OA. Além disso, o termo política é mais abrangente e claramente poderia definir algumas ações que estimulassem os pesquisadores a fazerem o depósito de seus trabalhos.

Recentemente, Stevan Harnad, publicou em seu blog comentários a respeito de três trabalhos de Armbruster, Chris, intitulados:

Armbruster, Chris. Implementing Open Access Policy: First Case Studies.Chinese Journal of Library and Information Science, Vol. 3, No. 4, pp.1-22, 2010. ["a concise summary of many of the pioneering (e.g. QUT, Wellcome, Zurich, HHMI, FWF), comprehensive (e.g. PMC, ukPMC, INRIA/France) and international (e.g. SCOAP3) implementation efforts."]

Armbruster, Chris, Implementing Open Access: Policy Case Studies (October 14, 2010). [original report]

Armbruster, Chris, Open Access Policy Implementation: First Results Compared. Learned Publishing, Vol. 24, No. 3, 2011. ["a comparative evaluation discussing the most salient issues, such policy mandates and matching infrastructure requirements, content capture and the issue of scholarly compliance, benefits to authors, and efforts to provide access and enable usage"]

Stevan observa que as comparações de Armbruster trazem alguns pontos úteis, alguns novos e outros já conhecidos e publicados por outros autores.

Resumindo, Stevan utiliza uma metáfora interessante: Para aqueles que se interessam por uma clara e prática visão da floresta, ao invés de um simples esboço impressionista de algumas árvores, o que as instituições de pesquisa e agências de fomento necessitam fazer é:

1) Tornar o depósito obrigatório, por parte do autor, da versão final do seu artigo, revisado por pares, imediatamente após a aceitação para sua publicação, no repositório institucional da instituição à qual se vincula o autor;
2) Designar o depósito no repositório como o único mecanismo para a avaliação de desempenho do autor, a nível institucional e para avaliação da pesquisa a nivel nacional.
3) Implementar, no contexto da gestão de repositórios institucionais ou centrais, o botão de solicitação por e-mail de uma cópia do artigo depositado e que esteja sob embargo.

Neste ponto, é importante lembrar que alguns pacotes de software, como o Dspace e o Eprints, fornecem interfaces com este botão de solicitação de cópias via email de um artigo sob embargo, sem que o usuário tenha que saber o email do autor/pesquisador. Este é um caso raro, em que os editores não permitem o depósito dos artigos publicados em suas revistas. Hoje, 64% dos editores permitem o depósito de artigos publicados em suas revistas.

setembro 20, 2011 Publicado por | artigo | , , , , | Deixe um comentário

OA: tentando esclarecer conceitos III

Dando continuidade a essa série de posts para esclarecer conceitos, indicarei abaixo algumas soluções de pacotes de software para o desenvolvimento e implantação de biliotecas digitais e repositórios digitais. Parte destas soluções são pacotes de software open source ou software livre. Vejam a tabela abaixo:

Aplicação Pacote de Software Forma de distribuição
Repositórios digitais DSpace (http://www.dspace.org) Open Source
Fedora  (http://fedora-commons.org/) Open Source
Eprints  (http://www.eprints.org/) Open Source
Bibliotecas Digitais de uma forma geral  

Greenstone  (http://www.greenstone.org)

Open Source
OpenDLib (http://www.opendlib.com/home.html) Aparentemente Open Source
DELOS DLMS  (Digital   Library  Management  System,  (http://www.delos.info) Aparentemente Open Source
Nou Rau Open source

Infelizmente, não consegui determinar exatamente qual o sítio da web de onde se pode fazer o downloaddo software Nou Rau. Mas, sei que algumas instituições como a Unicamp o utiliza para a sua biblioteca digital. Sei queo software Nou Rau foi desenvolvido por um grupo que pertencia à Unicamp, mas não encontrei nenhuma informação mais apurada. Mas, é um software livre e que facilita por ser em língua portuguesa e utilizar software open source. Optei por não incluir as soluções proprietárias, mas existem diversas ferramentas de apoio à construção de bibliotecas digitais, assim como para o desenvolvimento de serviços de informação.

setembro 15, 2011 Publicado por | artigo | , , | Deixe um comentário

OA: tentando esclarecer conceitos II

Continuando nesta série de posts em que tento esclarecer os conceitos dos termos que aparecem no contexto do Open Access, em atenção a um comentário da colega Asa Fujino, tentarei conceituar as bibliotecas digitais (BD) e os repositórios digitais, uma vez que no post passado eu ousei tentar definir uma classificação de repositórios digitais, mas não fiz a devida conceituação desses repositórios.

As bibliotecas digitais ou digital libraries (DL) possuem diversas terminologias na literatura especializada, tais como: bibliotecas eletrônicas, bibliotecas virtuais, bibliotecas sem parede, bibliotecas do futuro. No meu entendimento, todas essas terminologias referem-se a um mesmo objeto, os sistemas de informação gerenciadores de acervos.

No caso de bibliotecas eletrônicas, essa denominação faz referência à tecnologia em que o sistema foi desenvolvido.

Da mesma forma, as bibliotecas digitais recebem esse nome pelo fato de armazenarem as coleções na forma digital.

As bibliotecas virtuais, por outro lado, referem-se aos sistemas desenvolvidos por meio de tecnologias de realidade virtual. Segundo Roy Tennant uma biblioteca digital ou eletrônica pode ser uma biblioteca virtual se elas existirem apenas virtualmente, ou seja, a biblioteca não existe na vida real.

Existem outras definições para bibliotecas digitais, das quais, destaca-se uma adotada pelo projeto Digital Library Initiative – Phase II:

“the concept of a ‘digital library’ is not merely equivalent to a digitised collection with information management tools. It is rather an environment to bring together collections, services, and people in support of the full live cycle of creation, dissemination, use, and preservation of data, information, and knowledge.”

O conceito de biblioteca digital não é meramente equivalente a uma coleção digitalizada com ferramentas de gestão da informação. Mas sim, um ambiente que reune acervos, serviços e pessoas no apoio ao completo ciclo de vida da criação, difusão, utilização e preservação de dados, informações e conhecimento.

Trata-se, portanto, de um conceito mais abrangente identificando todos os componentes de uma biblioteca digital. E, nesse conceito cabe uma série de sistemas de informação, inclusive, um repositório digital.

Segundo Dagobert Soergel, em um texto intitulado “Digital Libraries and Knowledge Organization”, o termo Digital Library é usado para se referir a uma gama de sistemas, de repositórios de objetos digitais e metadados, sistemas referenciais compostos de links, arquivos e sistemas de gestão de conteúdos a sistemas complexos que integram serviços avançados de biblioteca digital em apoio à comunidades de pesquisa e prática.

Soergel define também que uma DL que fornece acesso a apenas uma coleção é chamado de repositório digital. As funções de um Repositório incluem a aquisição de documentos, armazenamento seguro e preservação, controle de versão, localização de documentos, e apresentação do documento.

Verifica-se na argumentação de Soergel que os repositórios digitais são um caso particular de bibliotecas digitais.

Dentre as definições encontradas na web, existe uma definição dada pela Association of Research Library (ARL), que diz:

“Há muitas definições para o termo Digital Library. Os termos biblioteca electronica e biblioteca virtual são sempre utilizadas como sinônimos. Os elementos identificados como comuns nessas definições são:

• a DL não é uma simples entidade;
• a DL depende do uso da tecnologia para integrar os recursos de muitas;
• as conexões entre as diversas DL e os serviços de informação são transparentes aos usuários finais;
• o acesso universal às DL e aos serviços de informação é a sua meta; e
• as coleções mantidas pelas DL não se limitam às referências dos documentos : eles se estendem aos artefatos digitais que não podem ser representados ou distribuídos em formato impresso.

De todas as definições apresentadas, o que se pode depreender é que uma biblioteca digital pode ser um simples sistema de informação para armazenamento e recuperação de teses e dissertações, assim como o repositório digital pode ser também um repositório de teses e dissertações. Tudo é uma questão de escolha do proprietário do sistema de informação. As definições apresentadas dão suporte a dizer que a web é uma grande biblioteca digital porque são diversas bibliotecas digitais interconectadas. Mas, o mesmo não se pode dizer com relação ao repositório digital. Este serve a um propósito específico.

É interessante esta discussão, pois, o texto de Dagobert Soergel traz um quadro indicando os pacotes de software para construção e gestão de bibliotecas digitais, e nele, encontra-se relacionado o software Dspace, que algumas pessoas imaginavam servir apenas à construção e gestão de repositórios institucionais. Soergel corroborou com o pensamento e convicções deste blogueiro, o Dspace serve para construir repositórios digitais, assim como, para construir qualquer outro tipo de bibliotecas digitais.

Prezados colegas, caso encontrem alguma incoerência nos conceitos apresentados ou discordem das minhas colocações, estimulo-os a deixar um comentário neste blog ou então escrevendo-me para o email:alokura2010@gmail.com.

setembro 14, 2011 Publicado por | conceitos | , | 2 Comentários

OA: tentando esclarecer conceitos I

A definição ou estabelecimento de conceitos é, usualmente, algo muito difícil para áreas já consolidadas. Imaginem para uma área que se encontra em formação. O Open Access completou no ano passado 10 anos de existência e, certamente, muitos de seus fundamentos ainda estão por consolidar.

Tenho participado de bancas de teses e dissertações, assim como, tenho recebido emails e percebo em ambos contextos a existência de entendimentos sobre alguns fundamentos do OA, na minha modesta opinião, equivocados.

Não se trata de fazer qualquer crítica aos autores, ou de apontar erros, mas de provocar uma ampla discussão na tentativa de consolidar esses conhecimentos.

Um desses entendimentos diz respeito ao Open Archives que, uma grande parte da comunidade de ciência da informação tende a achar que o seja um movimento análogo ao Open Access. Discordo, sempre costumo dizer que o OAI é um conjunto de padrões para permitir a interoperabilidade entre sistemas de informação. Isto, na minha cabeça é muito claro. Mas, resolvi visitar o sítio do Open Archives Initiative, o qual mostra uma outra realidade. Trata-se na verdade de uma organização, grupo ou equipe que tem como missão promover e desenvolver padrões de interoperabilidade. Esta definição está colocada de forma clara e incontestável naquele sítio.

Um outro mal entendido que venho percebendo é quanto à classificação dos repositórios. Há alguns autores que classificaram os repositórios digitais em três classes: 1) repositórios institucionais; 2) repositórios temáticos ou disciplinares; 3) repositórios de teses e dissertações. Com todo o meu respeito aos autores que fizeram tal classificação, tomo a liberdade de discordar deles. A minha discordância se justifica na medida em que tal classificação é desprovida de qualquer critério.

Em meu entendimento, os repositórios podem ser classificados em três tipos. Isto considerando a abrangência do material armazenado nos repositórios:

1) repositório institucional – armazena a produção científica de uma instituição; Ex.:RIUnB
2) repositório temático ou disciplinar – armazena a produção científica de uma área do conhecimento ou disciplina. Ex.:E-LIS
3) repositório central – armazena a produção científica de uma ou mais agência de fomento. Ex.:

Existe na web um documento intitulado “Digital Repositories Review” que traz a seguinte classificação:

Por tipo de conteúdos:

• Dados brutos de pesquisa;
• Dados derivados de pesquisa;
• Artigos acadêmicos pre-print em texto integral
• Artigos de conferência ou revistas em texto integral revisado por pares;
• e-teses
• Publicações originais em texto integral (relatórios técnicos institucional ou departamental)
• Objetos de aprendizagem;
• Registros corporativos (registros de estudantes ou dos dirigentes, licenças etc).

Por Cobertura:

• Pessoal (arquivo pessoal do autor)
• Revista (conteúdos de uma simples revista ou de um grupo de revistas)
• Departamental
• Institucional
• Inter-institucional (regional)
• Nacional
• Internacional

Por funcionalidade do repositório:

• Acesso melhorado a recursos (descoberta e localização do recurso)
• Acesso ao recurso por meio do assunto (descoberta e localização do recurso)
• Preservação de recursos digitais
• Novas formas de disseminação (novas formas de publicação)
• Gestão de ativos institucionais
• Compartilhamento e re-uso de recursos

Por grupo de usuários-alvo:

• Alunos
• Professores
• Pesquisadores

Apesar das diferentes conceituações e classificações cabe a nós pesquisadores ter o bom senso de utilizar aquelas que guardam uma coerência em termos de definição. No caso, eu continuo com a minha classificação utilizando o critério da abrangência, que poderia ser acrescida da classificação proposta pelo documento apresentado, considerando o critério da cobertura, assim os repositórios poderiam ser do tipo:

01) Repositório Institucional para caracterizar aqueles repositórios que armazenam a produção científica de uma dada instituição;
02) Repositório Temático ou Disciplinar para caracterizar aqueles repositórios que armazenam a produção científica de uma área do conhecimento;
03) Repositório Central para caracterizar aqueles repositórios que armazenam a produção científica referentes às pesquisas financiadas por um ou mais agências de formento;
04) Repositório Departamental para caracterizar os repositórios que armazenam a produção científica de um departamento de uma instituição, ou no caso francês, dado que lá a unidade da federação se chama departamento, a produção científica de um de seus estados;
05) Repositório Inter-Institucional para caracterizar os repositórios que armazenam a produção científica de duas ou mais instituições;
06) Repositório Nacional para caracterizar o repositório que armazena a produção científica de um País;
07) Repositório Internacional para caracterizar o repositório que armazena a produção científica de mais de um País;
08) Repositório Regional para caracterizar o repositório que armazena a produção científica de uma região. Por exemplo: América Latina; Comunidade Européia; ou Região Sul do Brasil.
09) Repositório Estadual para caracterizar os repositórios que armazenam a produção científica de um estado ou unidade da federação

Caso o caro leitor discorde ou tenha ficado com alguma dúvida, envie-me um comentário que terei prazer em responder e/ou discutir. Não deixe de comentar clicando aqui

setembro 12, 2011 Publicado por | conceitos | , , , | 4 Comentários

O que é Open Access e como fornecê-lo?

Foi publicado um post no blog High Education Development Association em que Stevan Harnad dá a sua visão sobre o Open Access ou acesso livre. Stevan esclarece em 14 pontos o Open Access. A forma como ele apresenta a sua visão sobre OA é tão interessante que eu tomei a liberdade de traduzí-las e publicar neste post.

1) O OA não é sinônimo de publicação OA (via Dourada). OA significa acesso em linha livre de custos, e seu primeiro objetivo é tornar livremente acessível os cerca de 2,5 milhões de artigos que são publicados anualmente em aproximadamente 25 mil revistas com revisão por pares existente no planeta. Atualmente, esses artigos são acessíveis somente a usuários cujas instituições podem assiná-las. A pesquisa, assim, está perdendo um potencial uso e impacto.

No caso brasileiro, quem paga por essas assinaturas é o próprio governo, visto que, as universidades são, em grande maioria, públicas e quem fornece o acesso aos periódicos é a sua própria biblioteca ou o Portal de Periódicos da Capes. Engana-se quem pensa que o referido portal é de acesso livre, alguém paga pela manutenção deste portal.

2) Há duas estratégias para fornecer o acesso livre: 1) os autores dos cerca de 2,5 milhões de artigos fazem o auto-depósito de seus artigos, versão final, em linha, livre para todos, em repositórios institucionais de acesso livre, imediatamente após o aceite para publicação por parte das revistas (via Verde); ou 2) as 25 mil revistas científicas podem se converter em publicação de acesso livre (via Dourada), tornando todos os artigos de suas publicações livres para todos em linha, com o custo da publicação sendo pago por suas instituições ou agências de fomento.

3) A estratégia da via Verde encontra-se totalmente nas mãos da comunidade de pesquisa, os provedores de conteúdos ou autores/pesquisadores; a estratégia da via Dourada está nas mãos da indústria editorial, os provedores comerciais de conteúdos, também conhecido como a comunidade de editores científicos.

4) A transição para o OA universal, pela estratégia da via Verde, pode ser obtido por adoção de políticas de acesso livre por parte da comunidade de pesquisa (suas instituições de pesquisa e agências de fomento); a transição para as publicações de acesso livre, estratégia da via Dourada , não pode ser encomendada ou exigida pela comunidade de pesquisa: ela depende da indústrial editorial.

No caso brasileiro, venho alertando já faz algum tempo, depende de políticas públicas, que deveriam ser adotadas pelos reitores das universidades, por presidentes das agências de fomento, ou pelos ministros da educação e/ou da ciência, tecnologia e inovação, ou quem sabe por intermédio do PLS 387/2011.

5) Os custos de publicação, hoje, estão sendo pagos, na sua totalidade, pelas instituições de pesquisa, por intermédio das assinaturas das revistas científicas.

No caso brasileiro, esses custos são pagos pelo governo brasileiro com os impostos que a sociedade paga, visto que as bibliotecas fazem parte das universidades que são em sua grande maioria públicas e o Portal de Periódics da Capes é mantido pela Capes que é um órgão de governo.

6) Isto significa que os potenciais fundos para pagar pela via Dourada estão, hoje, bloqueados para a assinatura de revistas científicas pelas instituições de pesquisa.

7) É, portanto, um desperdício desnecessário de recursos de pesquisa, cada vez mais escassos, pagar preventivamente para publicar em revistas OA.

Em outras palavras, não vale à pena publicar em revistas de acesso livre nos dias atuais.

08) O que a comunidade de pesquisa – instituições de pesquisa e agências de fomento – portanto, precisam fazer é adotar políticas de acesso livre (ou mandatos), especialmente e tão somente, nos dias de hoje, a adoção da estratégia da via Verde: http://roarmap.eprints.org

O grifo é por conta do blogueiro, uma vez que, nos dias de hoje e, enquanto a estratégia da via Verde não se tornar universal, não vale à pena publicar em revistas de acesso livre, cujas taxas de publicação são exorbitantes.

Stevan bate na mesma tecla que venho teclando nos meus últmos posts, a necessidade de adoção de políticas visando a implatação da via Verde no Brasil, o PLS 387/2011 torna viável tal implantação. Mas, existem ações que o Ministério da Educação e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação poderiam fazer antecipando a aprovação do referido PLS. Espero não passar mais 4 anos e depois ver este projeto de lei ser arquivado por mudança de legislatura. Por isto, a importância de os dois ministérios citados liderarem este processo e tomar as devidas providências: a pulicação de uma simples portaria seria suficiente.

9) À medida que a estratégia da via Verde tornar-se universal, ela fornecerá o acesso livre universal, resolvendo os problemas de acesso à pesquisa. Ela não resolverá o problema de acessibilidade às revistas científicas, mas torna-se muito, mas muito menos importante e urgente, desde que o acesso universal em linha está disponível para todos, tendo ou não a capacidade de assinar as revistas científicas.

10) Se e quando os usuários acharem que o OA universal, pela universalização da via Verde, for suficiente para suas necessidades de uso, as instituições poderão cancelar as assinaturas das revistas científicas ou de seus portais de periódicos, as quais permitiam o acesso aos conteúdos apenas aos seus assinantes.

11) Se considerarmos a universalização da estratégia da via Verde, ou seja, o OA universal se consolidará, este fato induzirá, às instituições de pequisa o cancelamento de assinaturas, o que tornará insustentável a recuperação dos custos essenciais da publicação. Os editores cortarão seus custos, reduzindo-se e convertendo-se ao modelo de recuperação de custos adotado pela estratégia da via Dourada. Neste caso, as instituições perceberão uma poupança inesperada provocada pelo cancelamento das assinaturas das revistas científicas e poderão, então, pagar pelo custo da publicação de artigos dos seus pesquisadores em revistas que adotaram o modelo, preconizado pela estratégia da via Dourada. Ou seja, as instituições pagarão apenas pelos custos de publicação de artigos de seus pesquisadores, ao invés de, no caso atual, pagarem pela publicação de outros autores nas revistas que recebem, na forma de assinatura de um pacote de revistas, como fazem hoje.

O fato contundente desta análise é que hoje ao assinarmos uma revista ou um pacote de revistas, pagamos não apenas pela publicação de artigos de nossos autores, mas também pela publicação de artigos de outros autores. Pressupõe-se que as revistas se tornarão revistas de acesso livre somente após a via Verde tornar-se universal. Neste caso, as revistas científicas que utilizam o modelo de assinaturas para recuperar os seus custos serão obrigadas a modificarem os seus modelos de recuperação de custos, uma vez que a sua receita tenderá a cair. Consequentemente, as revistas tenderão a tornarem-se de acesso livre adotando o modelo autor-paga par sobreviverem. Assim, ao invés de pagar pela assinatura anual das revistas, as instituições pagarão apenas para os artigos de seus autores serem publicados.

12) O custo de publicação por artigo, adotado pelas revistas que adotaram o modelo de recuperação de custos preconizado pela estratégia da via Dourada, no entanto, após a via Verde do OA tornar-se universal, será muito inferior ao preço pedido hoje, porque, a conversão de revistas que adotam o modelo de reucperação de custos por meio de assinaturas para o modelo preconizado pela via Dourada, sob a pressão do cancelamento de assinaturas promovida pela estratégia da via Verde, as editoras serão reduzidas substancialmente, eliminando gradualmente suas edições impressas (e seus custos) inteiramente e descarregando toda a oferta de acesso e arquivamento (e seus custos) para a rede distribuída de repositórios institucionais em todo o mundo, com a versão OA verde tornando-se agora a versão canônica do registro.

13) Portanto, após a estratégia preconizada pela via Verde do OA tornar-se universal, os custos de publicação em revisas OA serão reduzidos para apenas o custo, por artigo, da gestão do proesso de revisão por pares (já que a revisão por pares é de graça), o seu resultado certificado pelo título e pelo histórico de padrão de qualidade da revista que publica o artigo (exatamente como agora).

14) Mas, tudo isto depende das instituições de pesquisa e das agências de fomento adoratem políticas preconizadas pela via Verde primeiro, ao invés de pagar ainda mais pelos custos advindos da conversão das revistas em OA (via Dourada). O preço, hoje, cobrados pelos editores dessas revistas ainda é muito alto e continuará alto enquanto não for possível o cancelamento de assinaturas das revistas que são essenciais os seus usuários.

setembro 8, 2011 Publicado por | artigo | , , , , , | 2 Comentários

Scholarly/Scientific Impact Metrics in the Open Access Era

O vídeo que disponibilizo hoje é um tanto quanto antigo, trata-se de uma apresentação de Stevan Harnad na cidade de UPPSALA, Suécia no evento Open Archives and their Significance in the Communication of Science, em 10 de novembro de 2010. É uma excelente e didática apresentação onde Stevan Harnad explica o que é o Open Access, seus objetivos e o que colocar em acesso livre.

setembro 6, 2011 Publicado por | Videos sobre OA | , , | Deixe um comentário

Hoje não basta inovar é preciso antecipar

Vejam que exemplo de oportunismo, criatividade e antecipação. Segundo o blog ELA, publicitária:

“Levou 30 segundos para o terremoto de 23 de agosto ir de Washington DC para Nova Iorque. Tempo suficiente para twittar.”

E foi com esse texto que o Twitter iniciou o que parece ser o seu primeiro comercial. A propaganda mostra o engenheiro de sistemas Danny Hertz sentado em algum lugar de NY, quando recebe um tweet falando sobre o terremoto que acabou de atingir Washington, pouco antes de o mesmo chegar em NY.

Veja no vídeo a publicidade:

É exatamente esta a idéia que venho tentando passar aos nossos dirigentes da comunidade científica brasileira, só que diferentemente, ao invés de uma antecipação de apenas 30 segundos, venho há pelo menos 8 (oito) anos tentando conscientizar, não apenas os nossos dirigentes, mas também a nossa comunidade científica, como um todo, de todas as áreas do conhecimento, quanto à importância do Open Access (OA) para o País.

O OA universal ainda não chegou, mas está à caminho e, provavelmente dentro de alguns anos o OA será universal e toda a produção científica mundial estará online na Internet. Quando isto acontecer, os nossos pesquisadores não precisarão ir à biblioteca ou assinar uma revista científica, eles poderão encontrar o que precisam por meio do uso de um search engine como o Google, Google Scholar, Yahoo etc. Será?

Hoje, acredita-se que 30% dos 2,5 milhões de artigos que são publicados anuamente em 25 mil revistas centíficas já se encontram em repositórios de acesso livre. Portanto, temos uma amostra gratis da realidade que está por vir. Quem duvidar, é fácil comprovar, vá a um desses search engines e faça uma busca usando termos de seu interesse. Ou se você não tiver nenhum, experimente utilizar os termos: open access impact factor. Verifiquem a quantidade de artigos que o Google recupera para você.

A ciência e tecnologia não vivem apenas da inovação, ela (a inovação) é importante, mas é preciso antecipar para não perder investimetos ou oportunidades de negócios. Aliás, a antecipação é parte da inovação.

setembro 4, 2011 Publicado por | artigo | , , , | 4 Comentários

Acesso Livre no Brasil: alguma coisa funciona

Já faz algum tempo, diversos alunos de mestrado/doutorado vêm realizando suas pesquisas em torno do tema Open Access (OA). Amanhã, por exemplo, dia 02/09/2011, será defendida, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a dissertação sob o título: Acesso Livre: um olhar sobre a preservação digital, em cuja banca examinadora terei o prazer de participar via skype. de autoria de Susimery Vila Nova, sob a orientação do Prof. Marcos Galindo.

Recentemente, foi defendida uma outra dissertação, também sob o mesmo tema, OA, intitulada “Repositórios de Instituições Federais de Ensino Superior e suas políticas: análise sob o aspecto das fontes informacionais”, de autoria de Augiza Karla Boso, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), conforme notícia no sítio da Fundação Universidade Federl do Rio Grade (FURG). Esta dissertação é fruto de uma pesquisa que analisa 97 Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) brasileiras: 57 universidades federais, 38 institutos federais e dois centros federais de educação tecnológica. Dentre estas, 23 IFES (todas universidades) possuem repositórios institucionais, destacando que apenas sete “possuem repositórios com políticas instituídas e disponibilizadas aos usuários”. Essas sete IFES identificadas na pesquisa são: Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

Pesquisado no Roarmap, hoje, dia 01/09/2011, verifico, com uma certa tristeza, que destas 7 instituições, mesmo tendo sido confirmada a existência de políticas OA, apenas 2 instituições tiveram o cuidado de registrar as suas políticas naquele sítio, quais sejam: Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Universidade Federal do Rio Grande, às quais parabenizo pelo efetivo registro de suas políticas no Roarmap. A tristeza maior fica por conta do fato de que das 33 instituições que receberam equipamentos para construírem os seus RIs, 10 não o fizeram até o presente momento e nem registraram as suas políticas OA. Porque desta tristeza? Bem, todas as instituições receberam os kits tecnológicos há mais de um ano, e esses kits foram entregues com os pacote de software Dspace e SEER devidamente instalados. O fato de essas instituições não terem registrados as suas políticas ou não terem aprovado uma política de acesso livre é até compreensível pela excessiva burocracia e morosidade das IFES, mas não terem implantados os RIs é uma demonstração de incompetência técnica e de falta de responsabilidade para com o erário público. Todas essas instituições tinham um cronograma definido. Isto é Brasil!

setembro 1, 2011 Publicado por | artigo | , , , | 12 Comentários

   

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