Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões sobre o Acesso Livre (OA)

Sessão Defesa do OA: Conversa, Tendências Emergentes e Integração

O workshop OAI7 promoveu uma mesa de debates sobre defesa do OA, ou simplesmente, Advocacy OA, na qual participarão três especialistas: Monica Hammes, William J. Nixon e Heather Josef. Uma síntese da sessão pode ser acessada aqui, em inglês, que foi publicado por Katarina Lovrecic, hoje 29/06/2011. Neste post farei a tradução apenas do resumo apresentado por Monica Hammes.

Hammes abre a sessão dizendo: “Existem 10 mil universidades e apenas 124 mandatos,”.
“O problema é que o que os repositórios institucionais (RI) oferecem não parece ser útil, e o que é útil não é oferecido pelos RIs.”

“Nós na realidade não precisamos de mandatos” concorda-se, “mas nós precisamos testemunhar o compromisso de todos os atores.” A adoção de políticas de OA permanece como principal desafio para o movimento OA, como definido por Peter Suber, e a responsabilidade pela disseminação é da universidade.

“Defender o OA é um esforço sustentado para aumentar a sensibilização,” relembra-nos Hammes, “um processo de conversão passiva em ação sistemática. A idéia de tornar os resultados de pesquisa disponíveis livremente repercute em outras agendas.”

Ela continua: “você precisa seguir o debate sobre OA, não apenas adotar a via verde, mas acompanhar todas as coisas que estão evoluindo e acontecendo.”. Ela refresca a nossa memória relembrando os 6 fatores críticos de sucesso para um mandato:

1) Criar boas propostas a todos os interessados, que abordarão seus conceitos de valor de acordo com suas preocupações ao longo do tempo.
2) O seu repositório deve ser mais do que um lugar para armazenamento;
3) A implementação do mandato deve ser bem preparada
4) A defesa/marketing/divulgação/publicidade/lobby contínuo é um trabalho de venda sem fim;
5) O tempo e seu controle são críticos;
6) Mantenha-se em contato com os novos desenvolvimentos em Comunicação científica.

“Pesquisadores na verdade pensam principalmente em si mesmos e em suas carreiras” isto é crucial reconhecer, “e algumas de suas preocupações tornam-se barreiras reais tais como a falta de sensibilização e informação correta, acreditam que o auto-arquivamento infringe o copyright e, portanto, é ilegal. Eles não pensam que o OA, peer review e o alto fator de impacto caminham juntos, e na maioria dos casos os postprints fazem falta. Finalmente, a prática do OA interfere em práticas tradicionais dos acadêmicos.

Para aproximá-los (os acadêmnicos) melhor, precisamos mudar a conversa:

• Mostrando boas estatísticas;
• Baixar o nível de participação, ou seja, envolver estudantes e não apenas PhDs;
• Esclarecer e aconselhar sobre copyright;
• Deixe pessoas negativas em paz;
• Encontre-os em seus diferentes papéis (esclareça suas dúvidas e preocupações);
• Mostre conversas sobre open access com importantes figuras públicas.

“Para os gestores de universidade, estes precisam entender melhor as questões legais como o custo e a sustentabilidade de um programa OA,” Hammes relembra “leitores necessitam ser reconhecidos agora como importante interessado, nós precisamos inundá-los com informação confiável, fornecendo-lhes links para documentos e materiais, permitindo-lhes pesquisar, usar ferramentas, comentar… Finalmente, precisamos engajar os estudantes – eles são a nova geração de autores, e para alcançá-los nós precisamos ser mais criativos e usar panfletos, posters, cartões postais, agendas, bottons, campanhas via email, eventos multimidiáticos, competições e outras opções divertidas.

Defender o OA é um tarefa de venda sem fim, “ Hammes conclui, “Mudar é inevitável e entusiasmo é contagiante.

junho 30, 2011 Publicado por | Evento | , , , | 2 Comentários

Uma nova tentativa

Ao longo desses dois ou três dias tentei fazer uma enquente, que aparentemente não funcionou e não consegui encontrar explicações. Após mais de 100 visitas ao blog, até o momento, verifiquei apenas 16 votos. Portanto, farei uma nova tentativa, por mais três dias, espero que desta vez funcione:

junho 28, 2011 Publicado por | enquete | , , | Deixe um comentário

Por que o OA encontra dificuldades na maioria das instituições de ensino/pesquisa?

Uma das questões mais intrigantes da entrevista do jornalista Richard Poynder com o reitor da Université de Liège, Prof. Bernard Rentier, parece-me ainda sem uma resposta definitiva e convincente. A questão é: I am told there are about 10,000 research universities in the world. According to there are still only about 120 institutional mandates. What has the University of Liège — and the other institutions that have introduced mandates — realised that the vast majority of research institutions appear not yet to have realised? Ou seja, em bom português: Existem cerca de 10 mil universidades/institutos de pesquisa no globo terrestre. De acordo com o existem apenas 120 mandatos institucionais. O que a Université de Liège – e aquelas que adotaram mandatos OA – perceberam que a grande maioria das instituições de pesquisa aparentemente ainda não perceberam?

Esta é uma excelente questão e a sua resposta pode explicar a lentidão na implantação dos repositórios no Brasil. Gostaria de conhecer a opinião dos leitores deste blog, que podem utilizar a facilidade de fazer comentários. A tribuna é livre e as contribuições serão bem vindas.

Ao mesmo tempo, me atrevo a fazer uma enquete para facilitar o trabalho dos senhores leitores.

junho 27, 2011 Publicado por | enquete | , , | Deixe um comentário

Acesso Livre para Inovar e Promover a Pesquisa Científica

Finalmente, um artigo meu encaminhado ao Jornal da Ciência, foi publicado na edição de hoje, 24/06/2011, dia de São João. Para lê-lo, basta clicar aqui.

junho 24, 2011 Publicado por | artigo | , , , , | 1 Comentário

Elsevier & IOP continuam verdes e angelicais: ignorem as cláusulas incoerentes.

A propósito das recentes modificações efetivadas pelas editoras Elsevier e IOP em suas políticas OA, Stevan Harnad, publica em seu blog, um post para esclarecer as referidas modificações. Pelo que foi publicado, não se trata de nada substancial ou preocupante. Tentei fazer uma tradução do post com o propósito de acalmar os autores que publicam nas revistas dessas editoras. Desculpem-me por eventuais erros de tradução, a linguagem é meio complicada. Leiam-na abaixo:

Vou tentar explicar da forma mais breve e simples possível, na esperança ardente de que será lida, entendida e posta em prática pelos autores e suas instituições:

Uma editora verde é aquela que permite/endossa o auto-arquivamento, por parte do(s) autor(es) da versão final do artigo(mas não a versão de registro do editor), livre para todos na web, imediatamente após a sua aceitação para publicação.

Isso é tudo o que leva uma editora a tornar-se verde (e, sentar-se, ao lado dos anjos).

Na nova linguagem que alguns editors verde adotaram, recentemente, em seus contratos para transferência de copyright, foram adicionados algumas condições, baseada em três critérios. Nem todos os editores verdes adicionaram as três condições. (Elsevier, por exemplo, adicionou duas delas, IOP adicionou as três), mas não importa, porque todas as três condições são incoerentes: elas não possuem qualquer substância legal, lógica, técnica ou prática. A única coisa que uma pessoa sensível pode e deve fazer é ignorá-las.

Seguem-nas (a forma textual pode variar, mas discutirei a essência das questões):

1) Você pode auto-arquivar a versão final do seu manuscrito (artigo submetido e aprovado), imediatamente após o aceite para publicação, livre para todos – mas você somente pode fazê-lo no seu sítio web institucional pessoal, não no seu repositório institucional.

Esta distinção é completamente vazia. O sítio web institucional e o repositório institucional são apenas instâncias diferentes no disco do servidor onde se encontram armazenados, com nomes diferentes.

2) Você pode auto-arquivar a sua versão final do manuscrito na web, imediatamente após o aceite para publicação, livre para todos – mas você não pode fazê-lo onde há “distribuição sistemática.”.

Ora, todos os sítios web são sistematicamente coletados pelo google e outros search engines, e é assim que a maioria dos usuários buscam e acessam.
(Eu penso que os redatores desta condição absurda tinham em mente que você não poderia depositar o seu artigo em um sítio que pudesse reconstruir sistematicamente o conteúdo de uma revista. Eles estão perfeitamente corretos sobre isto. Mas, um repositório institucional certamente não faz isso; ele simplesmente mostra os artigos dos seus autores, que são arbitrariamente uma fração de alguma revista, em particular. Se existe alguém que publica pode, e deve, ir atrás, este alguém são os coletadores de metadados (harvesters), de terceiros, que reconstroem o o inteiro teor da revista.)

3) Você pode auto-arquivar a versão final de seu manuscrito na web, imediatamente após o seu aceite para publicação, livre para todos – mas, não se você for obrigado por meio de mandato (ou seja, você pode, mas se você deve, você não pode).

Se alguém estiver disposto a gastar mais tempo com essa bobagem que o tempo que levou para ler este post, então eles merecem tudo o que está vindo (e não vindo) a eles.

Aos autores que publicam em revistas da Elsevier e IOP: simplesmente continuem auto-arquivando em seus repostiórios institucionais, como antes, e ignorem essas três condições idiotas, que seguramente não contém nada de essencial.

junho 23, 2011 Publicado por | conceitos | , , , , , | 2 Comentários

Manual DSPACE em espanhol

Manual Dspace

Acabo de ver a notícia de que o Manual Dspace, em espanhol está disponível, pelo blog da biblioteca da Facultad de Traducción y Documentación da Universidade de Salamanca, Espanha. Veja mais, no referido blog. Ou, quem quiser, pode baixá-lo aqui.

junho 23, 2011 Publicado por | manual | , , , | 4 Comentários

II TIEB – Taller de Indicadores de Evaluación de Bibliotecas

Começa na próxima segunda-feira, dia 27 de junho de 2011, o segundo TIEB – Taller de Indicadores de Evaluación de Bibliotecas, em português, Woarkshop sobre Indicadores de Avaliação de Bibliotecas. Este evento será realizado nos dias 27 e 28 de junho ded 2011, na cidade de La Plata – Argentina.

A grande novidade deste evento será a realização no dia 28, da mesa redonda: Para a avaliação de Repositórios Institucionais, às 15 horas e será coordenado por Paola Bongiovani do Ministerio de Ciencia, Tecnología e Innovación Productiva de la Nación. Paola Bongiovani é também coordenadora do projeto de Repositórios Institucionais na Argentina. Certamente, o tempo é curto, mas acredito que esta seja uma boa oportunidade para os nossos colegas do Sul e, quem sabe do Sudeste brasileiro, aproveitar e acompanhar mais de perto, quem sabe presencialmente, o referido evento.

Em seguida ocorrerá a conferência plenária: Visibilidad e impacto de los repositorios en la Web: indicadores y buenas prácticas. Vejam o programa.

junho 23, 2011 Publicado por | Evento | , , , , | 2 Comentários

Uma verdadeira aula sobre o acesso livre ou simplesmente OA

Não resistirei à tentação, farei uma pequena recensão da entrevista realizada pelo jornalista Richard Poynder com o reitor da Universidade de Liège (ULG), Prof. Bernard Rentier, por sinal muito bem executada. Trata-se de um bela visita aos fundamentos do Open Access (OA). Muito didático e entusiamante. A começar pela introdução Parte I e Parte II, nas quais é feita uma rápida introdução ao Open Access, discutindo a dificuldade de muitos em absorverem os fundamentos do OA, para em seguida descrever o perfil do reitor e mostrar quão rápido o Prof. Bernard Rentier conseguiu entender o OA, ainda que estivesse nos seus primórdios, o reitor percebeu que se tratava de uma solução inovadora para os problemas enfrentados em sua universidade, ainda como vice-reitor, responsável pela política de pesquisa e pelas bibliotecas da universidade.

A seguir o jornalista Richard Poynder inicia a entrevista propriamente dita, colocando questões iniciais ao reitor, de forma a fazê-lo se apresentar e mostrar como foi o começo de seus empreendimentos na ULG.

Em seguida, o jornalista indaga sobre o repositório e o mandato da ULG. Nesta parte, o reitor fala de sua motivação no desenvolvimento do ORBi e da adoção do mandato, jutificando a sua necessidade.

A seguir o Prof. Rentier fala dos incentivos necessários para que o ORBi realmente funcionasse como o depositário legal da produção científica da ULG. Ele mostra que os incentivos são estímulos naturais aos pesquisadores e, que a partir do momento em que estes experimentam o auto-depósito e, vêem os seus benefícios, as coisas tendem a se concretizar sem necessidade de qualquer castigo ou promessa. Os próprios pesquisadores entendem e são automaticamente convencidos dos benefícios proporcionados pelo auto-depósito e pelo repositório institucional.

A entrevista mostra que a construção e implantação de um repositório institucional, acrescido de um mandato é uma tarefa plenamente viável. Aliás, uma tarefa que exige baixíssimo investimento, mas infelizmente essa questão não foi abordada. Devo dizer que o investimento é praticamente zero, uma vez que os aplicativos para criação de um repositório institucional já existe e utiliza pacotes de software open source, portanto, software livre de custos. A tecnologia já é totalmente dominada e existem diversas metodologias prontas para serem utilizadas. Portanto, não existe qualquer complicação ou dificuldade. Entendo que esse empreendimento é dependente, especialmente, da boa vontade dos dirigentes universitários ou governamentais, em alguns países.

Um outro ponto importantíssimo abordado pelo jornalista com o entrevistado foi tentar desvendar qual era o argumento essencial para o OA. O Richard Poynder põe o dedo na ferida indagando ao reitor: existem cerca de 10 mil universidades ao redor do globo terrestre, por que somente a ULG e algumas outras poucas universidades perceberam a importância do OA para as suas comunidades acadêmicas? Eu iria mais longe, por que majoritariamente as universidades de países desenvolvidos aderiram ao OA, enquanto universidades de países em desenvolvimento, como o Brasil, raramente, tem aderido ou vem aderindo mais preguiçosamente? Uma excelente questão para discussão.

A entrevista entra, neste ponto, em um outro tema muito polêmico: Via Verde x Via Dourada. Conforme vem sendo discutido, internacionalmente, e indicam relatórios de estudos recentes, a Via Verde é a estratégia preferencial e que certamente levará à implantação universal do OA.

A entrevista mostra que Bernard Rentier não se contenta apenas em empreender a implantação da estratégia da Via Verde em sua universidade, ele é hoje o presidente da EOS – Enabling Open Scholarship, uma organização não governamental criada para convencer reitores e outro dirigentes a aderirem ao OA e empreender as estratégias do OA em suas universidades ou Países.

Finalmente, Richard Poynder conclui a entrevista com chave de ouro, comentando e mostrando algumas habilidades pessoais do reitor e Prof. Bernard Rentier, coloca a cereja no bolo, declarando: Não apenas uma mudança, mas uma revolução global.

junho 22, 2011 Publicado por | Entrevista | , , , , | 6 Comentários

Workshop on Innovations in Scholarly Communication (OAI7)

Começa na quarta-feira próxima, 22 de junho de 2011, o workshop Innovations in Scholarly Communication (OAI7).

Trata-se de um evento internacional que se realiza na Universidade de Genebra, Suiça, a partir de quarta-feira, dia 22 e se estenderá até o dia 24 de junho, reunindo técnicos, dirigentes, defensores do OA e pesquisadores. O workshop seguirá o formato de sucesso de workshops anteriores mistura tutoriais práticos, apresentações de projectos de alta tecnologia e pesquisa, grupos de discussão, cartazes e um intenso programa social para maximizar a interação e comunicação. Será possível se inscrever para uma parte ou a totalidade do programa.

O workshop é voltado para aqueles envolvidos no desenvolvimento do Open Access (OA) repositórios e que podem influenciar o rumo de desenvolvimentos tanto dentro de sua instituição, seu país ou a nível internacional – que inclui desenvolvedores técnicos da OA bases de dados bibliográficas e serviços relacionados, pesquisa desenvolvedores informações sobre a política na universidade ou nível biblioteca, agências de fomento a pesquisa preocupados com o acesso aos resultados de suas pesquisas, os editores OA, e pesquisadores influentes interessados ​​em levar os desenvolvimentos OA em seu próprio campo.

Workshops anteriores construíram um espírito de comunidade forte e o evento é uma oportunidade única para trocar idéias e informações de contacto com a vasta gama de pessoas ligadas ao movimento OA. A série de workshops OAI é um dos maiores encontros internacionais nesta área e ocorre aproximadamente a cada dois anos.

junho 20, 2011 Publicado por | Sem categoria | , , , , , , | Deixe um comentário

Via Verde x Via Dourada Parte VIII – Entrevista concedida pelo reitor Bernard Rentier ao jornalista Richard Poynder

RP: Você está particularmente associado à estratégia da via Verde do OA. Quais são os seus pontos de vista sobre os prós e contras das duas estratégias: Via Verde e Via Dourada?
BR: A estratégia da Via Verde do OA fornece resposta imediata às necessidades da universidade, e dá visibilidade imediata aos pesquisadores de uma instituição. Se a estratégia da Via Verde crescer de forma constante, como está fazendo atualmente, ele irá conduzir à Via Dourada do OA. Então, para mim a Via Verde é um caminho para o OA, mesmo que seja difícil de avaliar o tipo de linha de tempo enfrentaremos

RP: Os editores muitas vezes argumentam que a estratégia Via Verde do OA ameaça tanto os seus negócios individuais como as publicações acadêmicas/científicas em geral, particularmente se um grande número de artigos são colocados em acesso livre sem um período de embargo adequado. Você concorda que existem perigos aí? Em caso afirmativo, como podem ser evitados?
BR: Eu não acredito que seja o caso. Alguns exemplos demonstram isto. Certamente, para editores regionais, particularmente, em línguas locais como o francês, é uma grande vantagem.
Por exemplo as editoras de nossa universidade, que eram, naturalmente, inicialmente fortemente contrária à minha política de leitura livre, percebeu que o mandato verde OA (ou seja, depositar as publicações em repositórios como ORBI) serviu para ampliar seu perfil em outros países de língua francesa, tais como: a França, Suíça e Canadá/Quebec.
Este por sua vez, aumentou o número de assinaturas junto a pessoas que querem folhear a revista inteira, em vez de apenas ler um artigo único que eles encontraram no ORBI. Este é um efeito inesperado e indireto, mas demonstra que a tornar artigos acessíveis livremente não prejudica as vendas. Pelo contrário, aumenta a sua visibilidade fora dos mercados tradicionais.

RP: Em sua visão, qual é o período ideal de embargo?
BR: Pelas razões que descrevi acima, não vejo necessidade de qualquer tipo de embargo. Até hoje, este ponto não foi entendido pelos editores. Eles devem ver a disponibilidade imediata de um artigo, em acesso livre, como um trailer para a venda da revista completa. No entanto, reconheço que os editores verão isto como uma estratégia arriscada, por isso os benefícios terão de ser demonstradas ao longo do tempo. Nesse meio tempo, eu diria que um embargo de seis meses é razoável.

RP: A ULG apoia a estratégia Via Dourada?
BR: Não de uma forma muito coercitiva. No entanto, oferecemos a oportunidade de publicar trabalhos em OA diretamente através do PoPuPS.

RP: Isto seria o Portal for the Publication of Scientific Journals? Eu estaria correto em pensar que PoPuPS é uma plataforma de publicação desenvolvida para permitir aos pesquisadores da ULG publicar seus próprias periódicos?
BR: Sim. Já existem 13 revistas aderentes à estratégia Via Dourada do OA em linha. E desde 2006 operamos também um programa chamado Bictel/e. Este é um repositório de teses da ULG. Todas as nossas iniciativas OA estão descritos na web.
A propósito, nós apoiamos também, financeiramente, quaisquer autores que queiram publicar em revistas de acesso livre, tais como aqueles publicados pelo BioMed Central (BMC).

RP: Você quer dizer que a Universidade de Liège tem um fundo de apoio à OAVia Dourada OA, ou que se inscreve em programas de afiliação operados por editoras OA como BMC, que permite que pesquisadores publiquem em revistas OA, sem qualquer custo para si mesmos, ou pelo menos a uma taxa reduzida?
BR: Nós temos um fundo OA limitado, mas nós, de fato, compramos opções de desconto junto ao BMC, e usamos o fundo para apoiar os nossos pesquisadores que publicam em revistas do BMC.

junho 18, 2011 Publicado por | Entrevista | , , , , , , , , | 1 Comentário

Argumento essencial para o OA – Parte VII – Entrevista concedida pelo reitor Bernard Rentier ao jornalista Richard Poynder

Richard Poynder

RP: Disseram-me que há cerca de 10.000 universidades/centros de pesquisa no mundo. De acordo com o sítio ROARMAP existem apenas cerca de 120 mandatos institucionais. O que a Universidade de Liège – e as outras instituições que estabeleceram seus mandatos – perceberam que a grande maioria das instituições de ensino superior e de pesquisa parecem ainda não terem percebido?

Bernard Rentier

BR: Francamente, eu não sei. Talvez a diferença resida no grau de preocupação
sentido pelo(s) dirigente(s) universitário(s) e sua habilidade, paciência e teimosia em persuadir seus autores a jogar o jogo. Então, talvez se possa dizer que a diferença está
na capacidade da instituição em fazer da filosofia OA um grande valor moral a que a maioria dos seus membros se sintam capazes para se inscrever. No início aqui na ULG a adesão foi baixa e a resistência foi muito forte. Qualquer pretexto era considerado bom o suficiente para não participar.
Mais recentemente, comecei a receber comentários positivos freqüentes sobre quão agradável e inesperadamente útil é a ferramenta repositório.

RP: Acho que isso nos diz que os dirigentes de universidade precisam ser persistentes na defesa do OA. Mas diga-me, quando você fala sobre o “grau de
preocupação” sentido por dirigentes universitários, que tipo de preocupação você está se referindo? Dito de outra forma, qual é o argumento essencial para o OA a partir da perspectiva do dirigente de uma universidade?
BR: Preocupação com o custo de periódicos acadêmicos/científicos; preocupação em ter um inventário da produção da universidade; e preocupação em ter uma vitrine do desempenho da pesquisa da universidade.

RP: Um número de agências de fomento à pesquisa também adotou mandatos OA aderrentes à Via Verde, e alguns criaram seus próprios repositórios centrais – por exemplo, PubMed Central. Você saúda estas iniciativas?
BR: Estabelecer seu próprio repositório é certamente uma coisa útil para uma agência de fomento. É absolutamente essencial para que eles possuam cópias de toda a literatura produzida a partir da pesquisa que financiaram. Mas esta será sempre uma coleção incompleta do corpus, uma vez que conterá somente os resultados da pesquisa que eles próprios financiaram. Apenas repositórios institucionais podem fornecer cobertura completa.

RP: Essencialmente, você está falando sobre a diferença entre tentar criar um sistema centralizado (quando não há nenhuma autoridade central), em vez de explorar a natureza em rede da Web para criar (1) um modelo distribuído com base na agregação ao invés de (2) centralização. Você está dizendo que o último (1)
inevitavelmente proporciona um retrato mais completo?
BR: Sim. E por esta razão repositórios das agências de fomento devem realmente
Ter um único objetivo, o de colher metadados a partir de repositórios institucionais. Para isso, é claro, seus repositórios terão de ser compatíveis com repositórios institucionais (RI), o que significa que RIs também precisam ser construídos com os padrões reconhecidos, e obedecer a certas regras.
Por exemplo, precisamos desenvolver padrões bem definidos para que as publicações depositadas, em RI, possam identificar qualquer agência de fomento que tenha dado apoio aos pesquisadores que as produziram.

RP: Os governos têm um papel a desempenhar para facilitar o OA? Em caso afirmativo, qual o papel?
BR: Se eles financiam pesquisas, sim. Da mesma forma, se eles operam esquemas de avaliação de pesquisa para ajudá-los a decidir que subsídios oferecer a instituições de pesquisa também têm um papel a desempenhar.

RP: Estou certo em pensar que você espera persuadir o Fundo Nacional de Pesquisa da Bélgica a considerar a adoção de um mandato OA verde?
BR: Absolutamente, sim. E eu gostaria de vê-lo diretamente conectado com a sua elegibilidade para concessões futuras.

junho 17, 2011 Publicado por | Entrevista | , , , , , , , | 1 Comentário

Brasil registra o seu segundo mandato

Parece que os resultados referentes às sementinhas plantadas no passado começam a aparecer. O segundo mando brasileiro vem também do Rio Grande do Sul e é da UFRGS. Soube que este mandato já havia sido aprovado pela UFRGS desde outubro de 2010. No entanto, ele ainda não havia sido registrado. Obrigado e parabéns à Caterina e a toda a equipe que trabalha com o repositório institucional da UFRGS, o LUME, por ter registrado o seu mandato. Aos poucos a presença brasileira começa a aumentar no ROARMAP.

junho 17, 2011 Publicado por | Fontes de Informação OA | , , , , , | 2 Comentários

Enabling Open Scholarship – Parte IX – Entrevista concedida pelo reitor Bernard Rentier ao jornalista Richard Poynder

RP: Você também é presidente da organização Enabling Open Scholarship (EOS), que foi lançado em setembro de 2009. Qual é o propósito e missão da EOS, e quais os resultados obtidos até hoje?
BR: A EOS se propõe a convencer os dirigentes universitários de todo o mundo da necessidade do acesso livre (OA) e ensiná-los a como proceder.
Além de algumas “conversões” não temos tido muito sucesso, até agora. Mas só muito recentemente a EOS tornou-se pessoa jurídica de direito belga (na verdade, o processo não está totalmente concluído até o momento), então as nossas actividades têm sido um pouco limitadas até esta dara.

RP: O que os dirigentes de universidade precisam saber sobre o OA, e como a EOS procede?
BR: Eles têm que entender o quanto é importante, para a sua instituição, se libertar do pesado fardo de pagar demais para manter as coleções de revistas científicas em suas bibliotecas, especialmente à luz da atual explosão nos preços de assinaturas dessa publicações.
E eles têm que entender que seus pesquisadores produzem, controlam a qualidade e consumem conhecimento. Mas enquanto esses pesquisadores contribuem em todas as três etapas do processo, as instituições acabam pagando pelo conhecimento, pelo menos duas vezes.

RP: Você quer dizer que as instituições de pesquisa (muitas vezes financiadas pelos governos) criam o conhecimento, em primeiro lugar, seus pesquisadores, então, produzem os documentos e realizam a revisão pelos pares, mas as instituições têm que comprar de volta o conhecimento dos editores na forma de assinaturas de revistas?
BR: Exatamente! Os dirigentes de universidades também precisam perceber que a Via Verde do OA é o caminho para se alcançar a Via Dourada do OA. E eles devem ver o benefício para os seus pesquisadores e para a sua instituição ao colocar à sua disposição, uma vitrine para o seu trabalho, depositando-os em seus RI. É inconcebível nos dias de hoje que uma instituição possa permanecer Inconsciente da maioria da produção de suas próprias pesquisas publicadas. Nenhuma fábrica iria aceitar isso. Aqueles que não têm interesse em OA, por si só, deveriam pelo menos ver o valor em uma universidade da manutenção de um inventário do trabalhos que produz.
Finalmente, eles devem compreender que o RI pode agregar uma grande contribuição para a reputação da sua instituição.

RP: Que tipo de resposta que você obtem de suas contrapartes em outras universidades, quando você fala a eles sobre o OA?
BR: Cinco anos atrás, eu costumava ter uma recepção muito positiva. Eu diria que era barulho demais – e para que benefício?
Hoje, no entanto, há um grande interesse – na Bélgica, França, Itália, Espanha e Portugal, até o momento.
Outros reitores e vice-chanceleres devem agora todos se unirem para que o movimento torne-se irresistível.

junho 16, 2011 Publicado por | Entrevista | , , , , , , , , | 1 Comentário

Não apenas uma mudança. Mas, uma revolução global – Parte X – Entrevista realizada por Richard Poynder (RP) com o reitor Bernard Rentier(BR)

Para fechar esta brilhante entrevista, o Prof. fala um pouco de suas experiências pessoais e expectativa sobre o futuro do OA.

RP: Em sua opinião, hoje, quais são os principais obstáculos ao OA?
BR: Os obstáculos que eu vejo são: a insuficiente mobilização por parte de dirigentes universitários (e centro de pesquisa) em favor da causa; pesquisadores com medo das questões jurídicas levantadas pelo OA; pesquisadores preocupados que o OA signifique desistir de publicar em revistas de prestígio ou com uma grande reputação ou em revistas que eles possam conhecer seus trabalhos e que serão vistos por seus colegas em todo o mundo, e que têm um alto fator de impacto e assim por diante.
Isto significa que o que é necessário é uma transformação na cultura atual de avaliação. Só então podemos esperar que as coisas mudem drasticamente.

RP: O que você diria que aprendeu com sua experiência de introduzir o OA na Universidade de Liège?
BR: Desenvolvi uma visão mais ampla sobre os princípios de publicação. Levaria muito tempo para explicar aqui, mas construí uma filosofia pessoal sobre o assunto. E isso me levou a repensar completamente os objetivos e métodos de comunicar o progresso da ciência e do conhecimento.
Espero um dia ser capaz de explicar isso mais claramente. Talvez quando eu me aposentar eu escreva um livro sobre o assunto!

RP: Quando e como você acha que a comunidade de científica vai atingir o OA universal?
BR: Universal OA levará muito mais tempo do que eu pensava antes. Mas cada passo é útil em si mesmo.

RP: De que maneira você espera que a pesquisa mudará, no mundo, com o OA universal?
BR: Este é um tópico muito amplo para discutir, e vale à pena um segundo livro! Mas eu acredito que ele vai proporcionar maior transparência à em ciência, especialmente quando vier o open data. Espero uma tremenda mudança na forma de fazer pesquisa, e disseminá-la. Na verdade, não apenas uma mudança. Mas, uma revolução global.

RP: Finalmente, em uma nota pessoal, a sua colega – e colaboradora no EOS – Alma Swan me disse que você é jardineiro cuidadoso e um excelente fotógrafo. Gostaria de saber se essas habilidades teriam desempenhado algum papel na sua conversão OA: cada jardineiro quer uma boa loja para seus produtos acho, e cada fotógrafo quer ter um portfolio de seu trabalho para mostrar seus talentos. Eu estou na pista certa?
BR: Você está completamente errado sobre a jardinagem. Eu, ocasionalmente, só ajudo a minha esposa! Entretanto, amo fotografia – contudo, “excelente” pode ser um exagero (Obrigado Alma!). E, concordo que eu tenha um sistema de arquivamento perfeito para as dezenas de milhares de fotos que tirei ao longo dos últimos 43 anos, e são poucas aquelas que eu não seria capaz de encontrar facilmente.
Dito isto, eu antecipei o depósito de quase todos os meus trabalhos científicos de um longo periodo de tempo no repositório. Felizmente, agora se tornou uma realidade e eu gostaria que estivessem disponíveis todo esse tempo.
Você sabe, eu estou convencido de que os cientistas, hoje, são mimados pela escolha, quando chegam ferramentas, disponíveis, como agora, (incluindo ser capaz de saber a qualquer momento quem está citando o seu trabalho e como), e eu só queria que eles percebessem, plenamente, quão agradável e útil é tê-los.
Eu mesmo sou um blogueiro e um tweeteiro, por isso estou realmente convencido de que há um novo campo de comunicação aberto para a ciência, e estamos apenas testemunhando o seu início …

RP: Essa é uma boa nota para terminar. Eu só quero acrescentar que as suas fotografias são realmente fantásticas. Gostei especialmente da foto dos três homens escavando as ruas de Londres, em 1975, para colocar tubulações. Talvez seja essa a situação que o movimento OA se encontra atualmente: no processo de criação da infra-estrutura necessária para a revolução global na comunicação científica a que você se refere. E que às vezes exige sujar as mãos, aceitando o fato de que as pessoas tendem a se queixar do incômodo provocado por este trabalho, e temem que possam cair em um dos buracos temporários. Mas desde que OA é uma causa de valor, tais inconvenientes apenas deverão ser tolerados. Ah, e como todos os grandes projetos de construção, a tarefa sempre leva muito mais tempo do que o inicialmente previsto.

Foto extraída do arquivo pessoal do reitor Prof. Bernard Rentier


RP: Obrigado por ter tempo para falar comigo, e se divertir no jardim!

junho 16, 2011 Publicado por | Entrevista | , , , , , , , | 1 Comentário

Entrevista realizada por Richard Poynder (RP) com o reitor Bernard Rentier(BR)… Parte VI – Uma tarefa inteiramente viável

RP: Os pesquisadores depositam os seus artigos no ORBi, ou o processo é mediado pelos bibliotecários?
BR: Nós preferimos que os pesquisadores o façam. Em termos de qualidade, é muito melhor que se faça dessa forma, e o depósito se realiza com maior rapidez.
Aqueles que têm secretária, eventualmente, solicitam a elas que façam o depósito por eles. Outros podem até mesmo contratar alguém para depositar o artigo para eles. Infelizmente, a qualidade dos metadados é menor em tais circunstâncias, dado que os intermediários são, inevitavelmente, menos familiarizados com os detalhes das publicações.

RP: Então, depositar não é uma tarefa insignificante?
BR: Pode ser uma carga de trabalho enorme inicialmente, caso alguém tenha publicado muitos artigos, até que todos estejam dentro do ORBi. Mas, uma vez que o pesquisador tenha atingido o modo cruzeiro de operação, ou seja, tenha adquirido a habilidade necessária, é uma tarefa perfeitamente viável.
Se as pessoas estão claramente se esforçando para fazer o depósito, no entanto, iremos fornecer ajuda. Geralmente, isto acontece quando há perda dos manuscritos e, aí é necessário então digitalizar os textos e fazer reconhecimento de caracteres.

RP: Claramente o sistema funciona. Hoje o ORBi é o repositório institucional mais ativo, entre seus congêneres, no mundo (é o primeiro do ranking de 1418 RIs). Mas, há alguma evidência para mostrar que, tornando os artigos OA, tenha aumentado o impacto e/ou a contagem de citações para os pesquisadores da Universidade? E, há alguma evidência de que, tornando os resultados das pesquisas da Universidade OA, tenha melhorado a sua reputação, status ou perfil dentro da comunidade científica?
BR: No início, não havia nada para falar, e foi necessário muito convencimento de minha parte para manter o ritmo. Para ajudar nisso, eu usei meu blog, que é amplamente lido dentro da universidade, e eu aproveitava todas as oportunidades que apareciam para expor sobre o assunto.
Eu assumi um fardo muito pesado para mim, mas está provado que valeu à pena – recentemente comecei a receber uma série de comentários de pesquisadores, dizendo ter uma clara impressão de que eles estão sendo mais lidos do que eram antes.
Alguns também estão agora começando a montar alguns dados mais sólidos para mostrar que eles são citados com mais freqüência do que costumavam ser. E muitos relatam que os artigos que eles têm no repositório sob embargo temporário estão sendo solicitados reprints com muito mais freqüência do que costumava acontecer no passado.
Claro, isso tende a ser tudo bastante impressionante. Eu não tenho qualquer cálculo objetivo para demonstrar este
efeito. Mas eu acho que seria difícil, se não for possível, de qualquer forma, fazê-lo de forma convincente.
Eu acrescentaria uma outra coisa: muitas pessoas, inclusive eu próprio, tenho notado que os nossos velhos artigos começaram a viver uma nova vida. Por exemplo, um de meus artigos, publicado em 1985, e que já tinha sido completamente esquecido, começou uma nova carreira, e agora está sendo baixado (downloaded) com freqüência !

junho 16, 2011 Publicado por | Entrevista | , , , , , | 1 Comentário

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