A fábula do Porco-espinho
Certamente, esta fábula não tem nada a ver com o tema deste blog,
mas com toda a certeza tem a ver com o contexto que este autor está vivendo em sua vida profissional. Achei-a muito interessante e mais ainda a moral da fábula.
Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio.
Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente, mas os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam mais calor.
Por isso decidiram se afastar uns dos outros e começaram de novo a morrer congelados.
Então precisaram fazer uma escolha: ou desapareciam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros.
Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos.
Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro.
E assim sobreviveram.
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Acesso livre ou acesso aberto? Eis a questão
A tradução do Open Access é ainda uma polêmica que no final das contas não tem qualquer reflexo nas iniciativas que estamos coordenando. Apesar disto, é sempre bom pesquisar e estudar a melhor tradução para manter a cooerência, tanto do ponto de vista técnico quanto linguístico. Ao observar o movimento do Open Access em todo o mundo verifica-se por exemplo que os espanhóis e por consequência toda ou quase toda a América Latina estabeleceu que a tradução a este termo é: aceso abierto, ou em português acesso aberto. Na França a tradução dominante é: Libre Accès (acesso livre). Portugal parece ter seguido a mesma linha.
Troquei algumas mensagens com Hélène Bosc, que é bibliotecária aposentada e uma das entusiastas do Libre Accès. Na última mensagem que troquei com ela, perguntei qual era a motivação por ter adotado esta tradução. Ela me contou a seguinte historinha:
A historinha começa na época da declaração da iniciativa de Budpeste (BOAI) em fevereiro de 2002. Hélène juntamente com outros falantes da língua francesa, dentre eles, Jean-Claude Guedon e Stevan Harnad participavam do grupo que elaborou a referida declaração e para o seu lançamento internacional, esta declaração deveria ser traduzida muito rapidamente do inglês para o francês. Viviane Boulétreau (Université de Lumière – Lyon2) trabalhou dias e noites para fazer a tradução e Hélène ao revisar a tradução não gostou do termo adotado para a tradução do termo em inglês, Open Access, que era Accès Ouverte. Já naquela época, ela preferia o termo “libre Accès” (acesso livre).
Hélène disse que comparou o termo com um lugar que poderia ter uma dualidade de acesso (opções de tratamento) como em uma biblioteca onde existem estantes que podem ser de acesso livre e outras estantes que são de acesso restrito (reservado aos funcionário apenas).
A mesma coisa pode acontecer em uma loja. Na entrada você pode ser convidado para uma entrada livre. É um convite para visitar e descobrir, onde você pode pegar as coisas nas estantes e devolver. Aquilo que está na loja não te pertence, mas você pode ver tudo o que quiser.
Ela consultou outras pessoas, inclusive um especialista em informática simpatizante do software livre, que disse: “ah moi, jê suis pour tout ce qui est libre” (ah, eu sou a favor de tudo que é livre). E assim nasceu a expressão “libre accès” (acesso livre).
Ao longo desses anos Hélène tem defendido o uso do termo libre accès em lugar de Open Access. E, ela acabou por vencer essa luta após diversas publicações em que ela utilizou o termo libre accès.
Hélène diz que agora os falantes de língua inglesa tem preferido o termo libre accès porque ele é mais claro que Open Access. Ela cita inclusive que Peter Suber utiliza a expressão OA Libre e OA Gratis, mesmo em inglês.
Aliás, vale à pena reproduzir o conceito de Open Access dado por Peter Suber em seu blog: Acesso livre à literatura científica quer dizer que:
- é livre de custos;
- é livre da maioria das barreiras ao seu acesso;
- é imediato;
- é em linha.
A palavra aberta em tradução a open não significa que aquilo que se acessa possa ser reutilizado e distribuído. Enquanto que a palavra “livre” exprime a liberdade e, que apesar de uma informação não ser de sua propriedade, ela pode ser reutilizada e distribuída, que é o espírito do Open Access em inglês.
Novo sítio temático e bilíngue sobre acesso livre
Foi lançado, recentemente, um novo sítio temático sobre acesso livre. Este novo sítio poderá ser acessado, em sua versão inglesa, pelo endereço: Open Access to sicentific communication. Para aqueles que amam ou falam a língua francesa, utilizem o seguinte link: Libre Accès à la communication scientifique.
Trata-se de um sítio que se destina a selecionar, apresentar e organizar informações sobre acesso livre. É um desafio muito interessante, ainda mais se pensarmos que o sítio é em dois idiomas: inglês e francês.
Este sítio foi organizado e realizado por Hans DILLAERTS et Hélène BOSC.
Como se pode observar, eu não sou o único que utiliza o termo acesso livre, mas na França também se utiliza a tradução accès libre para open access. Alguma razão há.

