Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões sobre o Acesso Livre (OA)

Distribuição de servidores: por que?

O edital publicado pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) não constitui mero instrumento de distribuição de recursos tecnológicos às universidades e instituições de pesquisa públicos.

O IBICT ao promover essa distribuição de recursos tecnológicos às instituições de ensino superior e de pesquisa públicos estimula não apenas o simples desenvolvimento de repositórios institucionais ou implementa a estratégia da via verde no país. Mais do que isso, o Ibict resgata o seu papel de instituição promotora do fluxo de informação em ciência e tecnologia e executora de políticas nacionais de informação científica. Em outras palavras, ainda que sem qualquer mandato legal, o Ibict promove uma forma  sistemática de registro e disseminação da produção científica brasileira, tendo como resultado o fornecimento acesso livre à informação científica produzida pela comunidade científica desta nação.

No passado, o Ibict fez uma tentativa análoga mas que não teve o resultado esperado por diversas razões. Uma destas razões foi o momento tecnológico vivido pelo país. O modelo centralizado utilizado pelo IBICT não econtrava suporte tecnológico que viabilizasse tal iniciativa, a das bibliografias especializadas. As bibliotecas especializadas participantes daquela iniciativa eram também desprovidas de infra-estrutura capaz de suportá-la.

Diferentemente daquele modelo e daquele momento, hoje o cenário tecnológico é outro e as soluções tecnológicas existentes são capazes de suportar o modelo que ora o Ibict vem propondo. Um modelo totalmente descentralizado e baixíssima demanda de investimento em infra-estrutura tecnológica. Portanto, vivemos um cenário oposto ao daquele em que as bibliografias especializadas brasileiras naufragou.

A única coisa que não mudou foi a dependência dos provedores de informação, ou seja, das bibliotecas universitárias e dos autores da produção científica brasileira, os pesquisadores.

Neste processo, é importante entender o papel do IBICT. O Instituto desempenha o papel de facilitador e integrador. Assim, o Ibict fornece à comunidade as ferramentas, software e padrões de integração ou interoperabilidade. Ao fornecer essas ferramentas, o Instituto coloca à disposição das bibliotecas o instrumental necessário para que se promova o registro e a disseminação da informação.

Cabe, assim, às bibliotecas universitárias a discussão e estabelecimento de uma política institucional de informação que garanta o registro e a disseminação da produção científica institucional. Cabe ainda às bibliotecas sensibilizar os pesquisadores e todas as instâncias diretivas da universidade ou do instituto de pesquisa a importância desse regsitro e de sua respectiva disseminação.

Ao IBICT caberá o fornecimento de todo o instrumental (software, mecanismos de integração e referências capazes de subsidiar as bibliotecas para a discussão e estabelecimento de políticas institucionais de informação.

Caberá ainda ao IBICT a integração e o incremento de disseminação das informações depositadas em cada repositório institucional.

Ao comentar todos os meandros embutidos nesta iniciativa aderente ao movimento do acesso livre, vislumbro que o IBICT não apenas empunha a bandeira do acesso livre, mas principalmente, o Instituto planta a semente do registro e disseminação da produção científica, em acesso livre. Esta semente deverá proporcionar a colheita de frutos maduros como os que seguem:

- Maior visibilidade à produção científica brasileira;

- Maior visibilidade às nossas instituições de ensino e pesquisa;

- Maior uso e impacto aos resultados de nossas pesquisas;

- Maior incremento no registro de patentes;

- Maior integração entre os grupos de pesquisas brasileiros e seus congêneres atuantes no estado-da-arte;

- Maior transparência aos investimento em ciência no país;

- Maior governança na gestão de ciência no país;

- Menor espaço para plágios e manipulação de resultados;

- Maior qualidade nos resultados de nossas pesquisas.

Enfim, o que foi proposto e que se encontra em execução, mais do que simplesmente desenvolver e implantar o acesso livre no País, é um modelo de registro e disseminação da produção científica brasileria que dá subsídios para a discussão e estabelecimento de políticas nacionais de informação científica.

Enfim, o IBICT resgata o seu papel, a sua missão e, principalmente o respeito institucional perdido nos últimos 20 anos.

março 17, 2009 Publicado por | Sem categoria | , , | 8 Comentários

Debates Desafios da Conjuntura

Ação Educativa e GPOPAI/USP convidam para o debate Desafios da Conjuntura “Direitos autorais e educação”.  A possibilidade de acesso à informação e ao conhecimento tem sido ampliada pelas tecnologias digitais e a internet.  Paralelamente a este processo, persistem mecanismos restritivos que dificultam o pleno desenvolvimento dos processos educativos.  Quais são os principais focos de polêmicas, conflitos e interesses neste campo? Quais são as regras que orientam o uso educacional de obras literárias e científicas? Qual o seu impacto na educação básica? Estes e outros temas estão em debate em mais uma edição da série Desafios da Conjuntura.  Participe!

24 de março – 3ª feira 9h30 – 11h30 Mesa 1 – Livro didático e acesso ao conhecimento

Célia Cassiano – Autora da tese de doutorado “O mercado do livro didático no Brasil”

José de Nicola Neto – Autor de livro didático e presidente da Associação brasileira dos autores de livros educativos (ABRALE)

Coord.: Pablo Ortellado – Grupo de pesquisa em políticas para acesso à informação (GPOPAI/USP)

13h30 – 15h30 Mesa 2 – Experiências de material didático para livre acesso

Jairo Marçal – Coordenador do Livro didático público: Projeto Folhas da Secretaria de Estado da Educação do Paraná

 Hélio Kuramoto – Coordenador geral de pesquisa e manutenção de produtos consolidados do Instituto brasileiro de informação em ciência e tecnologia (IBICT): Ministério da Ciência e Tecnologia

Helder Geovane Gomes de Lima – Colaborador do Wikilivros Coord.

Vera Masagão Ribeiro – Coordenadora de programas da Ação Educativa

16h – 18h Mesa 3 – Indicações para a formulação de políticas públicas

Pablo Ortellado – Grupo de pesquisa em políticas para acesso à informação (GPOPAI/USP)

Egon Rangel – Membro da comissão técnica do livro didático: Ministério da Educação

Jamila Rodrigues Venturini – Jornalista Coord: Sérgio Haddad – Coordenador geral da Ação Educativa Data:

Local: Auditório da Ação Educativa Rua General Jardim, 660, Vila Buarque, São Paulo-SP (próximo à estação do Metrô Santa Cecília)

Inscrições: candelaria@acaoeducativa.org F: (11) 3151-2333 ramal 101, com Candelária

O evento é gratuito. Transmissão ao vivo pela internet, com interpretação em libras. Acesse: www.acaoeducativa.org.br ou www.livreacesso.net Organização: Observatório da Educação/Ação Educativa GPOPAI/USP Apoio Institucional: EED Apoio: Save The Children UK Fundação Ford Avina Se você possui algum tipo de deficiência, por favor, entre em contato para que possamos garantir sua acessibilidade. Haverá interpretação em libras

março 17, 2009 Publicado por | Sem categoria | , | Deixe um comentário

   

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