Arquivo do mês: fevereiro 2009

IBICT promove re-edição do Edital para distribuição de equipamentos às universidades

Conforme havia adiantado na semana que passou, foi publicado hoje no DOU o novo edital para distribuição de equipamentos às universidades e institutos de pesquisa com o propósito de promover a construção de repositórios institucionais em instituições de ensino superior e de pesquisa públicas. Esse edital constitui uma das iniciativas para a implantação do cesso livre à informação científica, no Brasil, no contexto de uma das sua estratégias, a via verde - desenvolvimento de repositórios institucionais nas universidades e centros de pesquisa.

Este novo edital sofreu algumas alterações em relação aquele publicado no dia 12 de dezembro de 2008. A principal alteração diz respeito ao cronograma que previa a data final para submissão de propostas para o dia 01 de março. Esta data foi prorrogada por 60 dias e ela cai no meio da semana. Uma outra modificação diz respeito à data de validade da proposta, que neste edital, constitui a data de postagem no correio e não mais a obrigatoriedade da propsota chegar ao IBICT até a data de fechamento do prazo de submissão de propostas.

Nos próximos 10 dias, o IBICT publicará em seu site um modelo de política de informação, o qual poderá ser utilizado nas propostas, caso a instituição de ensino superior or de pesquisa a aprove em seus vários níveis decisórios, tornando-a política institucional de informação da respectiva universidade.

É importante lembrar que, as políticas institucionais de informação não precisam necessáriamente ser idêntica ao modelo, mas é preciso que ela assegure que os pesquisadores de suas instituições depositem os seus trabalhos publicados em revistas com revisão por pares.

É importante lembrar também que, neste novo edital, o conceito de instituição está bem explícito, não devendo pairar dúvidas sobre essa questão. No edital é enfatizado o aspecto de que a proposta deve ser institucional, ou seja deve ser da instituição como um todo e não apenas de um departamento, uma faculdade ou uma escola. A metodologia de implantação pode até consignar de que haverá uma implantação gradual, de departamento para deparmento ou de faculdade para faculdade ou de escola para escola, mas deverá haver a garantia de que ao longo do tempo todos os pesquisadores daquela instituição estarão depositando os seus resultados de pesquisa. 

Perdas irreparáveis? Ou ainda há tempo para recuperá-las?

Ao tomar conhecimento do anteprojeto de lei da ciência e tecnologia espanho e lê-la, observei o seguinte:

  1. esse anteprojeto de lei espanhol data de 11 de fevereiro de 2009, enquanto a PL 1120/2007 foi apresentado no plenário da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) em 21 de maio de 2007. Portanto praticamente 2 (dois) atrás;
  2. após esses quase 2 (dois) anos, o projeto ainda não cumpriu todo o encaminhamento previsto. Portanto, ainda não tem força de lei.  Este PL foi aprovado pela CCTCI e agora se encontra na Ccomissão de Educação e Cultura (CEC). Se aprovado nesta comissão, ele será encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). Ou seja, o caminho é longo e árduo;
  3. considerando a data da submissão do PL 1120/2007, se tal projeto tivesse sido aprovado com rapidez e se convertido em lei, o Brasil teria sido pioneiro na questão da legalização da ação específica que implementa a via verde no Brasil. Além disso, as universidades brasileiras e suas pesquisas teriam maior visibilidade e competitividade. Por fim, o desenvolvimento científico do País ganharia maior celeridade e com certeza este PL traria maior impacto e benfícios tanto para os pesquisadores quanto para a adminstração pública em todos os seus três níveis;
  4. Não sendo aprovado ou demorando a aprovação deste PL, corre-se o risco de se perder o bonde da história e a oportunidade de o Brasil assumir uma posição de destaque em nível internacional. Entretanto, o prejuízo maior será para toda a comunidade científica, uma vez que a não construção de repoistórios institucionais privará a comunidade como um todo do acesso aos resultados das pesquisas realizadas nas universidades e unidades de pesquisa. As próprias instituições de ensino superior e de pesquisa também perderão por deixar de ter maior competitividade e visibilidade;
  5. Eu, pessoalmente, e o Ibict vimos trabalhando em prol do acesso livre desde 2002 quando lançamos a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD) utilizando o modelo de integração Open Archives, em regime de acesso livre, portanto, em consonância com o que vem sendo estabelecido pelo movimento do acesso livre. Nestes quase 8 anos de dedicação à causa do acesso livre, realizamos diversas iniciativas como as que se seguem: 1) busca de recursos para a implantação do acesso livre no País; 2) palestras de sensibilização da comunidade científica em diversos eventos associativos e institucionais; 3) organização de diversos eventos junto à SBPC; 3) diversas reuniões com autoridades dos diversos segmentos da comunidade científica (agências de fomento, MCT, universidades); 3) prospecção tecnológica; 4) customização de ferramentas de software e sua distribuição à comunidade provedora de informação; 5) lançamento de um manifesto brasileiro de apoio ao acesso livre; 6) assinatura da Declaração de Berlin;  7) tentativa de formação de um grupo força tarefa para a implantação de repositórios institucionais que contou com a presença de universidades representativas como a USP, UNICAMP, UFRJ, UFRGS, UnB, UFPE e UFAm; 8) Elaboração de manuais metodológicos; 9) realização de cursos de capacitação no software SEER (Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas); 9 Articulação com instituições estrangeiras para o estabelecimento de cooperação técnica; 10) articulação com o legislativo com o proposito de estabelecer uma política nacional de acesso livre (PL 1120/2007); dentre outras ações.

Assim, ao olhar para trás, verificamos que muitas iniciativas foram empreendidas e pouquíssimas tiveram sucesso, a grande maioria das iniciativas bem sucedidas foram aquelas que dependiam apenas da ação do Ibict. Talvez a única organização que está convencida da importância do acesso livre para o País.

Provavelmente falhamos nas nossas articulações, uma vez que poucas das iniciativas com os diversos segmentos tiveram sucesso. Mas, com certeza, houve também falhas provocadas por fragmentação, por falta de cooperação e, mesmo for falta de um bom entendimento sobre o que é o acesso livre. A minha percepção é a de que estamos perdendo tempo e com isso, perdas vão se consolidando. Será que ainda há tempo para recuperar o espaço perdido? Ou mesmo, será que o acesso livre realmente não é importante para o País? Sim, pois essa é mais uma das constatações  a que chego. Se houve fracasso nas várias iniciativas é porque as instituições envolvidas entenderam que o acesso livre não têm a menor importância para o País ou para a comunidade científica.

Desconhecimento ou desinteresse???

Como dito na matéria anterior, o Ibict vem desenvolvendo iniciativas para a implantação do acesso livre no Brasil desde 2002, quando foi lançada Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD).  Ao longo desse tempo, o Ibict realizou quatro licitações para distribuição de 49 kits tecnológicos para que as unviversidades públicas brasileiras pudessem construir, implantar e manter as suas BDTD locais. Mas, por que realizar quatro licitações? Uma só não seria suficiente?  Seria, mas não foi o que ocorreu, em cada uma dessas licitações poucas propostas foram submetidas, aliás uma quantidade de propostas incompatível com a quantidade de universidades públicas. 

Trabalho no Ibict há 26 anos, e sempre ouvi a reclamação das universidades  de que faltam recursos tecnológicos.  E, nesse caso, chego à conclusão que houve desinteresse, uma vez que divulgamos amplamente esses quatro editais.  Devo ressaltar também que houve uma fragmentação nesta iniciativa provocada por um outro órgão público da esfera federal de um outro ministério, o qual publicou portaria obrigando o envio das teses e dissertações a um portal do referido ministério.

Bem,  novamente, o Ibict lançou um edital em dezembro passado para distribuição de recursos tecnológicos para as universidades públicas brasileiras.  Evidentemente, que se deve dar um desconto pelo fato de a vigência desse edital abranger um período de festas e de férias nas universidades.  Mas, devo que se ressaltar que o número de interessados foi mínimo, apenas uma meia dúzia de universidades entraram em contato e apenas uma proposta foi submetida. Por esta razão o referido edital foi cancelado e um edital substituto será publicado esta semana com um novo cronograma e algumas modificações no seu conteudo. Desta vez não haverá muitas desculpas, apesar de o prazo abranger o carnaval e a semana santa.  No entanto, as instituições terão 60 dias para apresentar as suas propostas. Tempo suficiente para se elaborar uma proposta completa. Como o objeto do edital refere-se à implantação de repositórios institucionais, quem sabe consigamos atingir os objetivos do edital.

A Espanha prestes a liberar o acesso à sua produção científica

Acabo de receber, agora na manhã deste início de semana, mensagem de Sigrid K. Weiss Dutra, da Universidade Federal de Santa Catarina, nossa colaboradora e parceira, informando sobre o anteprojeto de lei da ciência e tecnologia da Espanha. Consta neste anteprojeto de lei, em seu capítulo III – Difusión de resultados y cultura científica y tecnológica, artigo 33 – Publicación en acceso abierto, que os agentes do sistema espanho de ciência e tecnologia devem desenvolver os repositórios , próprios ou compartilhados, de acesso livre para conter as publicações de seus pesquisadores.

Em seguida, neste mesmo artigo, está dito que os pesquisadores deverão tornar pública  as suas publicações, em versão digital da versão final aceita para publicação, tão logo tenha sido aceita pelo editor, e num prazo não superior a 6 (seis) meses da data de sua publicação oficial.

O artigo 33 diz ainda que a versão eletrônica se fará pública por intermédio de seu depósito em repositórios de acesso livre,  reconhecidos na área de conhecimento da pesquisa desenvolvido ou em repositórios institucionais. Ao final deste artigo, está dito que esta versão poderá ser utilizada pelas adminstrações públicas  para avaliação.

Portanto, o artigo 33 é muito similar ao nosso PL 1120/2007. O anteprojeto de lei espanhol é mais um indicativo de que o acesso livre é um processo em vias de se consolidar e irreversível.

Entendendo os objetivos do Edital Finep/BDB 002/2008

Pelas questões que tenho recebido sobre o teor do Edital Finep/BDB 002/2008, chego à conclusão de que o teor do referido edital não está claro ou pelo menos não está compreensível. Assim, tentarei explicar os objetivos principais deste edital.

O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) é um órgão de abrangência nacional e, embora muitos desconheçam, tem como missão principal promover o registro e a disseminação da informação científica. Em outras palavras, entende-se como informação científica a produção científica. Ou seja, o registro e a disseminação dos resultados de nossas pesquisa científicas. A partir desta linha mestra, derivam diversas atividades que o Instituto desenvolve ou promove. Desde 2004, o Ibict vem desenvolvendo diversas ações no sentido de promover o acesso livre à informação científica, as quais não cabe nessa matéria expor ou discutí-las.

No nosso entendimento, as iniciativas promovidas no âmbito do acesso livre possibilitam mais do que simplesmente o registro e a disseminação da produção científica. Ou seja, mais do que simplemente incrementar o acesso à informação científica. Essas iniciativas promovem: maior visibilidade das pesquisas, maior uso e impacto destas, maior intercâmbio entre os pesquisadores brasileiros e seus pares internacionais, maior governança no investimento em ciência, assim como maior transparência desses investimentos. Além disso, os resultados mostram que as universidades que aderiram a essas iniciativas ganharam maior competitividade e visibilidade. Maiores detalhes sobre o acesso livre e seus resultados poderão ser obtidos na revista Liinc em revista.

Uma das estratégias para a implantação do acesso livre é a chamada via verde. Ela propõe a construção de repositórios institucionais (RI) nas universidades, assim como o estabelecimento de uma política institucional de informação que garanta a alimentação dos RI por parte dos seus pesquisadores. É dentro deste contexto que se insere a iniciativa do Ibict em distribuir equipamentos para promover a construção e implantação dos repositórios institucionais e de uma política institucional de informação nas universidades brasileiras. Trata-se de apenas mais um apoio ao que muitas universidades brasileiras já vêm desenvolvendo, sendo um dos exemplos: a Universidade de Brasília. Outros bons exemplos podem ser encontrados em universidades estrangeiras, por exemplo: Universidade do Minho, Universirsity of Southampton, entre outras iniciativas.

Para se ter uma idéia do incremento que se ganha a visibilidade das pesquisas, no site do RepositoriUM, que é o repositório institucional da Universidade do Minho, encontram-se algumas estatísticas como, por exemplo, número de downloads por ano. Ao longo de quatro anos, ou seja de 2006 a 2009, foram realizados um total de mais de 2,5 milhões de downloads, dos quais o Brasil é um dos seus maiores usuários (mais de 660 mil downloads).

Fico à disposição para quaisquer esclarecimentos que se fizerem necessários, o meu email é: kuramoto.ibict@gmail.com

Prazo para entrega de propostas ao Edital Finep/BDB 002/08 será adiado

O prazo para entrega de propostas ao edital Finep/BDB 002/08 está definico como sendo 01/03/09. No entanto, devido ao período em que esse edital foi lançado, o qual coincidiu com o período de festas de fim de ano e férias escolares, o alcance e a resposta a esse edital ficaram prejudicados. Dessa forma, um novo calendário será definido e o o edital muito provavelmente será republicado. Aguardem notícias pelo site do Ibict  e também por intermédio deste blog.

O acesso livre em busca de consolidação

Será realizado nos dias 16 e 17 de março de 2009, em Amsterdam, o International Repositories Infrastructure Workshop 2009. Trata-se de um evento aberto apenas a convidados e que vai discutir e elaborar um plano de ação global para assegurar a implantação de uma infra-estrutura de repositórios institucionais em todo o globo terrestre. Especialistas de várias partes do mundo foram convidados e já estão discutindo esse plano de ação por intermédio de uma wiki. Nesta wiki, são discutidas questões relacionadas a: ações de preservação de objetos digitais, ações de fluxos de depósitos e ambientes operacionais, ações relacionadas a acesso e ações relacionadas a reputação em linha e relatórios. Este último ítem diz respeito à reputação dos pesquisadores baseado naquilo que ele depositou nos repositórios institucionais. Então, a idéia é se utilizar os repositórios institucionais para se certificar sobre o material extraído desses repositórios por intermédio de relatórios. A idéia, portanto, é não apenas criar uma infra-estrutura que permita o auto-depósito dos trabalhos publicados pelos pesquisadores, mas criar uma infra-estrutura que permita a extração de indicadores e relatórios que possam atestar a autoridade ou reputação de um determinado pesquisador em uma determinada área do conhecimento.

Vejam que a implantação das ações do Open Access tem implicações maiores do que apenas incrementar o acesso aos resultados de pesquisa. O pesquisador deverá olhar os repositórios mais do que simplesmente um mecanismo que possa lhe propiciar maximizar a sua pesquisa ou a sua pessoa, mas como uma ferramenta que possa desenvolver e melhorar a sua pesquisa e ampliar os seus horizontes.

BDTD é indexado por serviço alemão: BASE – Bielefeld Academic Search Engine

A Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) é indexada por mais um outro serviço internacional, denominado BASE – Bielefeld Academic Search Engine. Trata-se de um provedor de serviços, observando a nomenclatura do modelo Open Archives, da Bielefeld University Library, na Alemanha. Na realidade, a BDTD é indexada por este provedor desde 02 de março de 2007, e possui hoje, em sua base de dados, mais de 80 mil teses e dissertações, para ser mais exato: 82.418. Portanto, estão de parabéns mais uma vez as universidades brasileiras que escolheram a BDTD para depositar as suas teses e dissertações, em outras palavras, aquelas que optaram por utilizar a metodologia da BDTD. A BDTD utiliza padrões adotados internacionalmente, razão pela qual as teses e dissertações depositadas em sua base estão indexadas no worldcat da OCLC, na Networked Digital Library of Theses and Dissertations (NDLTD), no Oaister, no Scirus e no Google Schoolar.

O provedor de serviço BASE possui hoje, 09/02/2009, 16.790.080 documentos indexados, provenientes de 1.113 fontes de informação, dos quais apenas 39 são textos integrais.

IBICT antecipa PL 1120/2007 e promove implantação de RI

No dia 12 de dezembro de 2008, o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) lançou um edital para distribuição de servidores (hardware) às universidades e institutos de pesquisa públicos, com o objetivo de promover a construção e implantação de repositórios institucionais (RI). Esses servidores serão distribuídos já com o sistema operacional e os pacotes de software para construção de RI instalados. Portanto, as universidades ou institutos de pesquisa que receberem tais equipamentos terão o trabalho apenas de customizar essas instalações, colocando as suas logos e definindos os metadados de seu RI de acordo com as suas necessidades.

Em princípio, todas as instituições públicas de ensino e pesquisa poderão submeter os seus projetos de RI. O único pré-requisito é que essas instituições estabeleçam as suas políticas institucionais de informação de forma a garantir o autodepósito, por parte dos seus pesquisadores, de uma cópia de seus trabalhos publicados em revistas com revisão por pares.

Esta ação do IBICT é aderente ao que determina o PL 1120/2007, ações que se tornarão obrigatórias na medida em que esse projeto de lei venha a ser aprovado.

Quais os benefícios que as instituições de ensino e pesquisa terão à partir do momento em que estas implantem os seus RI? São vários os benefícios, senão vejamos:

  • o servidor poderá abrigar além do RI, as revistas mantidas pela respectiva instituição, assim como a sua biblioteca digital de teses e dissertações;
  • a instituição e os seus pesquisadores poderão maximizar a sua visibilidade e a de suas pesquisas, aumentando a sua competitividade, não apenas em nível nacional como internacional;
  • a comunidade científica e tecnológica terá maior acesso à informação científica produzida no Brasil e também no mundo, uma vez que o Ibict integrará os RI nacionais com os correspondentes internacionais;
  • maior celeridade no desenvolvimento da pesquisa;
  • maior integração com a comunidade científica internacional;
  • maior intercâmbio com grupos de pesquisa nacionais e internacionais;
  • possibilidade de geração de indicadores de produção científica institucional, os quais poderão subisidiar o planejamento institucional e mesmo em nível nacional;
  • maior transparência e governança na administração dos recursos alocados à pesquisa científica, portanto, maior otimização nos gastos públicos com a ciência.

Por outro lado, é importante ressaltar que, hoje, 63% das revistas científicas já permitem o depósito de artigos publicados em suas revistas e, apenas 9% dos editores  não permitem o depósito, nem dos artigos (pós-prints) publicados em suas revistas e nem os pre-prints. Dessa forma, os argumentos de que os pesquisadores possam ficar pressionados contra a parede cai por terra. Instituições de ensino e pesquisa públicas de várias parte do mundo já aderiram a essas ações e vêm implantando os seus repositórios institucionais. Prova disso é o ranking ROAR, que mostrava há 2 meses atrás, o Brasil em quarto lugar em termos de quantidade de repositórios. Hoje, o Brasil ocupa o quinto lugar, tendo sido ultrapassado pelo Japão. A situação atual é a seguinte: os EUA estão em primeiro, com 263 repositórios, o Reino Unido em segundo, com 130 repositórios, a Alemanha vem em seguida, em terceiro lugar, com 97 repositórios, o Japão aparece em quarto lugar, com 64 repositórios, o Brasil está em quinto lugar, com 63 repositórios e o Canadá aparece em sexto lugar, com 48 repositórios. É bem verdade que esses quantitativos de repositórios não se referem apenas a repositórios institucionais, existem outros tipos de repositórios. Mas a grande maioria dos repositórios inscritos são institucionais.

Ao apresentar esse ranking, a idéia é mostrar que as instituições de ensino e pesquisa estão construindo os seus repositórios e disponibilizando para acesso livre os resultados das pesquisas desenvolvidas pelos seus pesquisadores. Em outras palavras, um maior acervo de informação está sendo disponbilizado para todo o mundo científico. Assim, é meu entendimento, o de que o Brasil, como país emergente e que vem incrementando a sua produção científica, deveria em contra-partida às iniciativas de outros países, também promover o registro e a disseminação de sua produção científica. Essa é uma troca salutar e integradora, uma vez que dando maior visibilidade às nossas pesquisas, conquistamos maior integração e intercâmbio com outros grupos de pesquisa estrangeiros.

É importante observar que um dos resultados dessas iniciativas em todo o mundo é o incremento nos fatores de impacto em várias áreas do conhecimento como mostra o gráfico abaixo:

grafico_fator_impacto_areas_do_conhecimento

Um outro aspecto a observar diz respeito a mudanças de paradigmas que essas ações vêm provocando na ciência em todo o mundo, conforme mostrou a última matéria que publiquei neste blog. Portanto, a construção de repositórios institucionais por parte das universidades não contribui apenas para o crescimento do Brasil no ranking do ROAR, mas principalmente para a sobrevivência da ciência brasileira.

Pulverizando as barreiras entre pesquisa e publicação

Seguindo a tradição após a assinatura da Declaração de Berlim há 6 anos atrás, em novembro do ano passado foi realizado o Berlin 6 Open Access Conference, em Dusseldorf, Alemanha. Esse evento acontece todos os anos para conhecer, discutir e avaliar o estágio global do Acesso Livre em 2008.

O que chamou a minha atenção neste evento foi o painel 6:  Open Data and Reproducible Research: Blurring the Boundaries between Research and Publication. Esse painel tem a seguinte ementa:

Em muitos domínios científicos e técnicos, a pesquisa é cada vez mais baseada em dados publicados. Os pesquisadores também freqüentemente publicam instruções detalhadas executáveis ou mesmo procedimentos para reproduzir os seus resultados. Combinado com uma rede de computadores e de armazenamento de baixo custo, estas tendências podem acelerar radicalmente o ritmo da investigação, por intermédio da redução das barreiras ao acesso  e reduzir o tempo necessário para reproduzir e ampliar inovações. Essas mudanças também podem modificar o equilíbrio entre a coleta de dados e sua análise, e entre os trabalhos experimentais e teóricos. No entanto, esses desenvolvimentos são potencialmente revolucionários e acontecem, principalmente, de forma invisível, com progressos desiguais entre disciplinas, e pouca discussão geral sobre a forma de como coordenar e reagir ao processo. O objetivo deste painel é o de divulgar a experiência de várias comunidades que têm até duas décadas de experiência com o que Jon Claerbout tem denominado “pesquisa reproduzível”, e para começar uma discussão geral dos grandes implicações para as disciplinas científicas, técnicas e acadêmicas publicação.
Sergey Fomel (Universidade do Texas em Austin), lido por Mark Liberman
 
O fato é que em muitos países essas inovações já vêm ocorrendo no vácuo do movimento do acesso livre à informação científica. Tais inovações provocarão uma mudança radical de paradigmas na ciência, fazendo brotar uma nova maneira de se fazer ciência. Talvez essas inovações sejam um passo muito grande a ser dado por nós, uma vez que temos uma cultura totalmente diferente. Uma cultura onde a posse daquilo que se coletou é assumida por parte do pesquisador como sendo de sua propriedade. Quando, na realidade, a coleta desses dados só foi possível graças ao salário que o estado paga a esse pesquisador, assim como, os recursos que possibilitaram tal coleta em sua grande maioria serem provenientes de finaciamentos oriundos de recursos públicos. Portanto, os dados brutos de uma pesquisa deveriam ser considerados um bem público, de forma que outros pesquisadores possam ter acesso a eles e re-utilizá-los.

Bem, essa é uma polêmica que será levantada no momento em que essas inovações chegarem por aqui. Além disso, haverá aquele sentimento patriótico de não dar de graça, aos estrangeiros, os dados coletados pelos pesquisadores brasileiros. Ou em última instância, como algumas pessoas chegaram a dizer com relação ao acesso livre à informação científica, entregar os resultados de nossas pesquisas, gratuitamente, aos estrangeiros. Puro ufanismo, os resultados de uma pesquisa já são publicados em revistas científicas, portanto, apesar de acesso restrito, de relativa circulação em todos os países desenvolvidos. Não é o acesso livre que entrega esses resultados aos estrangeiros. Imaginem o que acontecerá quando essa onda de abrir os dados brutos à comunidade na internet? 

Apesar de tudo isso, vale à pena começarmos a refletir sobre essas inovações e seus impactos, vantagens e desvantagens. Certamente, o open data, promoverá: 1)economia no investimento em pesquisa científica, dado que isso evitará o financiamento do retrabalho; 2)a auditagem e maior governança sobre esses investimentos; 3)maior integração e interação entre grupos de pesquisa brasileiros e estrangeiros; 4)aceleração no desenvolvimento das pesquisas científicas; 5) maior quantidade de recursos (devido à economia na coleta de dados) para financiar outras pesquisas, etc.

 Taí um belo tema para reflexão neste início de 2009 e, portanto, uma ótima oportunidade para o Ministério da Ciência e Tecnologia estudar, discutir, refletir e empreender iniciativas semelhantes com o propósito de seguir a evolução da ciência no mundo, e absorver novas tecnologias da informação que as suportem.