Blog do Kuramoto

Novas lideranças no Ibict?

Junho 27, 2009 · 1 Comentário

Meus caros leitores, mas uma vez peço desculpas, dado que não falarei do acesso livre de forma direta. Falarei do processo de escolha da lista tríplice que foi encaminhada ao Exmo. Sr.  Ministro de Estado da Ciência e Tecnologia, Prof. dr. Sérgio Machado Rezende. Sim, porque se o meu nome for escolhido para diretor do Ibict, o acesso livre certamente sairá fortalecido.

O processo de busca do novo diretor do Ibict foi bastante intenso e rico. Houve praticamente todos (?) ou quase todos os ingredientes de um processo eleitoral. Houve ataques anônimos, tentativas de manipulação, afimações mentirosas, tentativas de denegrir a minha imagem e, principalmente o surgimento de novas lideranças. Esta última constatação é o ponto alto do processo.

O processo de escolha e definição da lista tríplice teve quatro atos principais: 1) composição da comissão de funcionários do Ibict; 2) apresentação de cada um dos candidatos, em reunião pública. mas sem a presença dos outros candidatos; 3) entrevistas do Comitê de Busca com cada candidato separadamente; 4) elaboração da ata e do ofício encaminhando a lista contendo os 3 (três nomes) escolhidos. Há que se observar que dos 5 candidatos, uma candidata, a Sra. Laura Vilela Rezende, desistiu em função de estar grávida e dar à luz no dia seguinte (26/06). Portanto, concorreram apenas 4 (quatro) candidatos.

O primeiro ato, é preciso dizer, foi muito conturbado e, apesar de tentativas de manipulação, o Ibict promoveu uma eleição da qual emergiram 8 funcionários mais votados: Arthur, Reginaldo, Ramón, Benício, Bianca, Eny, Sueli e Regina Coeli. Esse foi um processo totalmente coordenado pelo Ibict. Em seguida, no dia 25 de junho, o Comitê de busca se reuniu pela manhã para analisar os curriculos e as proposta de plano de gestão de cada candidato. Após a reunião houve o sorteio para a definição da ordem de apresentação. Do sorteio, ficou definida a ordem de apresentação, assim como das entrevistas. Essa ordem ficou assim definida: 1)  Emir Suaiden, 2) Cecília Leite, 3) Hélio Kuramoto e, 4)  Henrique Silveira.

As apresentações tiveram a duração de 30 minutos para cada candidato. A minha apresentação pode ser vista, aqui ou na coluna à direita deste blog, no tópico Apresentações, assim como a minha proposta de gestão do Ibict, no tópico Documentos em geral. Soube por fontes fidedignas que a minha apresentação foi considerada a melhor e a mais brilhante, ficando muito acima do nível, da qualidade e da consistência das demais. 

Em seguida houve uma reunião de 45 minutos entre o Comitê de Busca e a Comissão de Funcionários. Depreendeu-se dessa reunião que a casa estava dividida, fragmentada. Não vale à pena descrever aqui todo o teor da reunião. Existem personagens que não merecem qualquer destaque neste blog.

O ponto alto desta reunião e que merece destacar neste blog, foi a participação de pessoas como Sueli Maffia, Bianca Amaro de Melo e Benício Mendes Jr. Esses funcionários, no lugar de elogiar ou destacar os pontos fortes de um ou outro candidato, fizeram uso da palavra de forma inteligente, expressando o que esperam do novo diretor do Ibict. Sueli e Bianca são servidoras atuantes no Ibict, conhecedoras e experientes. Enquanto que Benício é um servidor novo e se encontra no Instituto há muito pouco tempo. Entretanto, Benício teve uma postura mais profissional e ética, buscando mostrar as suas preocupações institucionais. São três potenciais lideranças que surgem no Ibict.

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Matéria na Nature tenta descaracterizar iniciativa Open Access

Junho 15, 2009 · Deixe um comentário

Enquanto no Brasil a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nìvel Superior (CAPES) desenvolve iniciativa em benefício do acesso livre à produção científica brasileira publicada em revistas  da Elsevier mediante acordo assinado com essa empresa, dois estudantes de doutorado tentam descaracterizar o acesso livre.

Fazendo uma análise mais fria sobre a matéria, me vem à mente algumas indagações:

1) Em um país desenvolvido onde o uso da Internet é mais intenso e o uso de mecanismos maléficos como o spam são normalmente conhecidos e evitados, teria um editor de revista científica coragem de se utilizar tais mecanismos para fazer uma chamada de artigos para a sua revista? Me parece ingênuo e mentiroso o argumento utilizado pelos autores do experimento.

2) Porque os autores não submeteram o seu artigo a uma revista cientifica bem classificada no “ranking” das revistas indexadas?

3) Por que fazer o experimento apenas com uma revista de acesso livre?

4) Quais eram as reais intenções daqueles autores?

Essas indagações me levam a crer que aquela matéria foi uma tentativa declarada e maldosa de descaracterizar as iniciativas do acesso livre, em especial aquelas que se encaixam na via dourada, ou seja, o das revistas que adotam um modelo de negócio para se manter acessível livremente. Além disso, trata-se de uma tentativa também de confundir os pesquisadores quanto aos fundamentos, princípios e propósitos do acesso livre.

É importante ressaltar que o acesso livre não propõe uma nova alternativa de comunicação científica. Os fundamentos e princípios da comunicação científica tradicional continuam válidos e sendo adotados nas revistas de acesso livre. O que muda basicamente é o suporte físico e o modelo de sustentabilidade. Por outro lado, é importante enfatizar que o acesso livre não facilita e nem dificulta a fraude. Os mecanismos de proteção e manutenção da qualidade são os mesmos daqueles preconizados por revistas comerciais.

Existe uma organização chamada OASPA – Open Access Scholarly Publishers Assotiation, que tem um código de conduta. O publisher Bentham Science não é membro desta organização, portanto, em princípio não adota os preceitos do código de conduta desta organização. E, isto significa também que não houve preocupação por parte dos autores de selecionar uma revista de comprovada idoneidade para a publicação e seu artigo. Tratou-se de uma brincadeira e como tal devemos encarar os referidos autores. Portanto, não merecem crédito algum.

Não posso deixar de me indignar com essa tentativa descarada e maldosa de descaracterizar as iniciativas do acesso livre. E, espero que os nossos pesquisadores não embarquem nessa balela. É nossa responsabilidade preservar o elevado espírito das iniciativas do acesso livre e lutar contra essa descaracterização, pois, o insucesso do acesso livre poderá projedicar a nós mesmo, os próprios pesquisadores. Nâo podemos ler matérias como aquela de forma passiva e sem o menor senso crítico.

Apesar desses ataques, continuo acreditando que o Acesso Livre é um caminho sem volta, é irreversível e está em vias de se consolidar em todo o mundo!!!

Acesso Livre significa compartilhar conhecimentos, significa construir a base para um mundo melhor e menos desigual!!

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Capes promove maior visibilidade da produção científica brasileira

Junho 11, 2009 · Deixe um comentário

Segundo o Portal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de nível Superior (CAPES), esta importante organização que coordena os programas de pós-graduação no Brasil, firmou acordo com a Elsevier, o qual “… vai permitir acesso aos artigos científicos publicados em periódicos da Elsevier por autores vinculados a instituições brasileiras”. Segundo a matéria constante no referido portal:  Desde janeiro deste ano, quando um autor submete um manuscrito para publicação em um periódico da Elsevier, ele tem a opção de escolher se o artigo pode ou não ter seu acesso liberado. Para isso, é necessário que ele esteja afiliado a uma instituição de ensino e pesquisa brasileira e que tenha seu trabalho financiado com verbas públicas. Será a Capes quem vai indicar quais artigos ficarão disponíveis para consulta. A liberação acontecerá após um período, que varia conforme a área do conhecimento da pesquisa publicada.

“O acordo é um reconhecimento da importância da parceria entre Capes e Elsevier no desenvolvimento da Pesquisa no Brasil e busca contribuir para que o País continue alcançando novos patamares de excelência em Ciência e Tecnologia”, afirmou Dante Cid, Diretor Regional de Vendas e Marketing da América do Sul da Elsevier. Segundo ele, a solução vai aumentar ainda mais visibilidade da produção científica brasileira, que estará disponível inclusive para pesquisadores e instituições que não têm acesso ao Portal de Periódicos”

Entendemos que essa iniciativa é de fundamental importância para a implantação do acesso livre no Brasil. Desta forma, parabenizamos a Capes por tal iniciativa.

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BDTD ultrapassa a marca das 100 mil teses e dissetações eletrônicas

Junho 10, 2009 · Deixe um comentário

A Biblioteca digital brasileira de teses e dissertações (BDTD) ultrapassa a marca das 100 mil teses e dissertações eletrônicas texto completo.  Esta marca deve ser creditada ao trabalho incansável de Sueli Maffia, do Gabriel Franklin e da equipe da Unicamp que nos últimos dias fizeram um verdadeiro tour de force para incluir todas as teses e dissertações daquela universidade. A todas as duas equipes os meus agradecimentos. Vale ressaltar que o grande beneficiário desse trabalho é a comunidade científica que ganha o acesso a esse precioso acervo. Um outro fator muito importante a destacar é que esse feito só foi possível porque as duas instituições, Unicamp e Ibict, persistiram e manteve a conformidade com os padrões definidos no âmbito da BDTD.

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Êxitos de uma resposta com o suporte da tecnologia

Junho 7, 2009 · Deixe um comentário

Hoje, 6 de junho de 2009, portanto, três semanas após o lançamento da minha petição, verifico que esta iniciativa conta com 295 assinaturas, das quais 175 deixaram comentários, 174 deixaram comentários de apoio e um(a) deixou um comentário negativo.

De todas as assinaturas, tentei identificar as suas procedências  verificando os e-mails declarados. Foi muito difícil, pois uma parte dos emails declarados tem o domínio localizados em provedores públicos ou privados, mas não da instituição à qual se vincula, como por exemplo: gmail.com, Hotmail.com, ig.com.br e outros. Porém,  parte se identificou, declarando o e-mail da organização em que trabalha. Essa parte identificada representa menos de 50% do total de assinaturas. Foi possível, portanto, identificar assinaturas provenientes de 62 instituições que foram classificadas e colocadas no gráfico que se segue:

 grafico_peti

 Apesar de boa parte das assinaturas não permitirem a identificação de sua procedência, devo dizer que a petição atendeu plenamente as expectativas, uma vez que a quantidade de assinaturas é relativamente grande, cerca de 300, obtidas livre de qualquer pressão ou ameaça, e envolve uma classe variada de instituições pertencentes a diversos segmentos da comunidade científica e de informação, envolvendo tanto organismos privados, quanto públicos, federais e estaduais, e internacionais.

 Dentre as unidades de pesquisa ligadas ao MCT, foram identificadas assinaturas provenientes de 6 unidades, inclusive do Ibict. É importante ressaltar também que não houve nenhuma pressão para que as pessoas assinassem a petição. As assinaturas foram apostas por livre e espontânea vontade das pessoas que me apóiam, ao contrário do que aconteceu no Ibict quando se passou o abaixo-assinado, muitos dos colegas foram pressionados a assinar. Isto me faz lembrar de tempos passados da nossa história e que pensei jamais ver isto novamente. Sim, é incrível, mas infelizmente isto  acontece em pleno terceiro milênio. Os métodos antigos são ainda empregados. O que mais me entristece é saber que uma colega, que conviveu  e  trabalhou comigo durante anos, obrigou os seus subordinados a assinarem tal abaixo-assinado. É lamentável, aliás retiro a expressão utilizada incorretamente, não posso considerá-la como “colega” , seria um elolgio se assim fosse.  Bem, mas essas coisas a gente releva, esquece, pois esse tipo de pessoa não deveria merecer  qualquer destaque em meu blog. Aliás, é bom que se diga, tanto esta ação quanto àquela do comentário negativo em minha petição demonstram o nível de meu(s) adversário(s) ou dos seus partidários, porque não acredito que alguém que queira ser diretor do Ibict se digne a baixar a tal nível.

Por outro lado, é importante considerar que as assinaturas foram provenientes tanto de organizações brasileiras quanto estrangeiras. E, isto mostra a importância que o Ibict ganha neste terceiro milênio. Vivemos um mundo globalizado e neste contexto, não se fala mais em ciência nacional. Ela também é  globalizada e todos os desenvolvimentos e iniciativas visam consolidar essa globalização. Portanto, essa  petição vem demonstrar a dimensão que o Ibict ganhou neste terceiro milênio, mormente ao liderar o movimento do acesso livre no País. É importante dizer que o Ibict vem desenvolvendo iniciativas compatíveis com os arquivos abertos desde 2002, portanto, anterior à atual gestão.  Em 2003, eu trouxe a idéia de absorver e customizar o software Open Journal System (OJS) para a língua portuguesa, e utilizá-lo e distribuí-lo à comunidade editorial científica. Assim, se começaram as iniciativas do acesso livre no Brasil. Tema que abordarei em uma próxima matéria neste blog.

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Sob o manto do anonimato

Junho 1, 2009 · 4 Comentários

Meus caros leitores, sinto importuná-los com assuntos que não sejam pertinentes ao acesso livre. Mas, este assunto certamente poderá ter reflexos futuros no acesso livre.

Na última sexta-feira, fui surpreendido pelo comentário que se segue, em minha petição:

“Vejo que as pessoas que apóiam a candidatura do Dr. Hélio nesta petição, com poucas exceções, não têm convivência com ele no ambiente de trabalho. Sua competência técnica é indiscutível, mas isso não garante a sua competência para dirigir o IBICT. Quem o conhece no dia-a-dia sabe que ele não tem habilidade política e muito menos no trato com as pessoas. A maioria sabe que o douto candidato causou um “racha” institucional, a despeito de todo o apoio que tem recebido da atual Direção, a qual lhe deu liberdade para proliferar suas idéias mesmo em veículos externos à instituição, falando em nome do IBICT e ocupando, até hoje, um alto cargo executivo. No entendimento de muitos, diante de tanta liberdade, ele não necessitaria de um cargo de diretor para continuar contribuindo com a comunidade científica, como vem fazendo. E, ainda, por seu perfil desagregador e sua incapacidade para lidar com questões político-administrativas, ele, como Diretor, seria até prejudicial à instituição. Dessa forma, considero importante que todos prestem atenção aos pré-requisitos estabelecidos no Edital colocados abaixo e reflitam se o Dr. Hélio Kuramoto tem condições de assumir a Diretoria do IBICT: – “experiência administrativa” – “capacidade de promover a agregação entre os funcionários do Ibict” – “capacidade de tratar problemas políticos relacionados com o Ibict”.

Obviamente que a pessoa que assinou a petição não teve coragem de se identificar e postou o comentário sob o manto do anonimato. Evidentemente que não se pode esperar que essa(s) pessoa(s) tenha(m) coragem de mostrar a cara e se identificar. É ou são medrosas, eu diria mesmo, covardes. 

Retirei, imediatamente, a assinatura e o comentário da minha petição em um impulso momentâneo, talvez devesse tê-lo deixado lá. Não o deixei pelo fato de a petição tratar-se de um instrumento de avaliação do apoio à minha candidatura. Portanto, não fazia sentido deixá-lo lá.

De outra forma, eu resolvi publicá-lo em meu blog para não me acusarem futuramente de ter censurado ou controlado a petição. Essa assinatura foi a única retirada da petição, e este ato se justifica pelo fato de o(s) autor(es) não terem se identificado(s) com email apropriado e nome. O restantes dos assinantes que aparecem como anonymous são aqueles que não quiseram que o seu nome e email aparecessem publicamente. No entanto,  eles registraram os seus nome e email. Assim, para evitar qualquer acusação de censura ou controle, estou publicando neste blog a íntegra do comentário.

É importante ressaltar que tenho 26 anos de dedicação a este Instituto e não será o comentário de alguém pouco comprometido com a instituição que irá denegrir a minha carreira. Diversos colegas, neste Instituto, têm o testemunho da minha lealdade institucional e da minha conduta. São colegas que trabalham há tanto tempo quanto eu e que são verdadeiros abnegados e defensores deste Instituto. O comentário apresentado, pela forma e linguagem, é proveniente de alguém que não tem compromissos com o Instituto e que ao me acusar de desagregador, na realidade usa disso para se defender.  Os últimos quatro anos mostram isso.

Quanto a ter ou não autorização da direção do Ibict para publicar minhas idéias, eu não tenho conhecimento de nenhuma formalização nesse sentido. Mas, os direitos humanos me conferem essa primazia. Não pedi e não preciso dessa autorização. Por outro lado, é bom frizar, eu não falei em nome do Ibict. Por acaso, sou funcionário do Ibict e escrevi sobre o que eu achava que o Instituto deveria fazer e o caminho que deveria empreender. Enfim, o choro é livre.

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Nota de agradecimento

Maio 31, 2009 · 2 Comentários

Após submeter a minha candidatura a direção do Ibict ao Comitê de Busca constituído pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), e diante de uma ação interna, no Ibict, de colher assinaturas de apoio a uma outra candidatura tomei a decisão de submeter a minha candidatura a avaliação da comunidade científica, assim como da comunidade de informação. Essa avaliação foi desenvolvida por intermédio de uma petição colocada no site www.ipetitions.com/petition/kuramoto.  A minha intenção era divulgar à comunidade a minha candidatura, minhas idéias e conhecer a sua reação. Portanto, é importante esclarecer e ressaltar que esta iniciativa não teve a intenção de fazer qualquer provocação, mas foi sim uma resposta a uma iniciativa interna, no Ibict, de coleta de assinaturas de apoio a uma outra candidatura. Até então estava quietinho em meu cantinho.  Além disso, publiquei um artigo no Jornal da Ciência, no qual eu falo da importância do Ibict desenvolver determinadas iniciativas, no país, as quais vêm se desenvolvendo em alguns pontos do globo terrestre. Essa iniciativa teve a intenção de divulgar idéias e propostas. Em nenhum momento, falei em nome do Ibict, falei aquilo que penso e que deveria ser feito caso tivesse a sorte de ser escolhido diretor do Ibict.

Nesse novo contexto, o Ibict assume um grande e relevante papel que é o de internalizar e promover conhecimentos e tecnologias de forma a contribuir com essa nova forma de fazer ciência. Mas, para isso, não basta absorver e internalizar conhecimentos e tecnologias, é preciso sensibilizar todos os segmentos da comunidade científica quanto à nova forma de se fazer ciência. Algo parecido com o que venho fazendo desde 2003.

Qual não foi a minha surpresa ao ver que mais de 270 assinaturas foram apostas à minha petição e, destas, mais de 160 tiveram a gentileza e iniciativa de fazer comentários. Boa parte dos comentários com palavras de elogios, apoios e expectativas. Evidentemente que fiquei muito lisonjeado, mas, o conteúdo mais relevante que pude extrair ao analisar cada comentário diz respeito às expectativas, dentre as quais, relato abaixo:

  1. Continuar e implantar o acesso livre no País;
  2. Buscar, discutir e estabelecer política de informação em C & T;
  3. Contribuir para o desenvolvimento científico do País;
  4. Melhorar a infraestrutura de TI para ampliar o registro e disseminação da informação;
  5. Contribuir para o desenvolvimento da Ciência da Informação no País;
  6. Contribuir para maior inclusão social e digital;

Coincidentemente, todas as expectativas citadas são contempladas em minha proposta de plano de gestão para o Ibict. A minha proposta de gestão define como prioridade quatro eixos: e-science, pesquisa e ensino de Ciência da Informação, informação para o desenvolvimento e inclusão social.

O eixo e-science engloba as quatro primeiras expectativas citadas.  As outras expectativas se inserem claramente nos eixos restantes. Muito provavelmente o eixo informação para o desenvolvimento não teve mencionado nenhuma expectativa pelo fato de a divulgação da petição ter sido apenas e tão somente no meio acadêmico e de informação. O eixo da inclusão social teve dois comentários. Interessante as colocações relacionadas à inclusão social e digital. Em uma delas o assinante explicitou a sua expectativa da seguinte forma: “Como bibliotecário e leitor de alguns de seus artigo espero apenas salientar que a inclusão social/digital vai além de oferecer espaços de acesso a internet, é uma mudança profunda que possa permitir aos cidadãos  a possibilidade de interferência na construção de conteúdos virtuais, de informação e conhecimento criado pelos cidadão, fazendo-os mais esclarecidos, conscientes e participantes do mundo que vivemos”. Uma outra assinante da petição expressou a sua expectativa enfatizando a necessidade de “maior acesso e socialização do conhecimento”. Os dois comentários fazem apelo  a maior acessibilidade e espaços nos quais se possam compartilhar conhecimentos a uma comunidade maior, incluindo os portadores de alguma deficiências físicas. Essas contribuições vieram ao encontro de minhas idéias relacionadas à inclusão social/digital. O foco na missão do Ibict é uma das premissas a ser adotada em minha gestão do Ibict. Portanto, não se pretende continuar no discurso e desenvolvimento de iniciativas supérfluo-demagógicas, mas desenvolver iniciativas de efetiva inclusão social, aderentes ao foco da missão institucional. O próprio Portal do Ibict deverá refletir tais iniciativas, potencializando o seu uso, também,  por parte dos hoje excluídos, em especial aqueles portadores de deficiência visual. Não dá para falar de inclusão social ou digital e ter o portal de sua própria instituição inacessível, portanto, opaco a estes excluídos, dificultando o acesso aos seus produtos e serviços.

Portanto, agradeço imensamente a todos os assinantes da petição pelo apoio e pelas contribuições colocadas em seus comentários.

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Projeto piloto de repositórios institucionais

Maio 28, 2009 · 5 Comentários

O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) e a Universidade de Brasília tentaram criar um projeto piloto de repositórios institucionais, inicialmente, convidando 6 universidades (UNICAMP, USP, UFRGS, UFRJ, UFPE e UFAm). Isto aconteceu no final do ano de 2007 e óbviamente não obtivemos sucesso e a idéia fracassou. Fizemos, agora, uma nova tentativa com a participação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Insere-se a este grupo de instituições de ensino superior a própria Universidade de Brasília (UnB). Já recebemos a confirmação de quase todas as universidades convidadas. A idéia deste projeto é implantar um repositório institucional em cada uma dessas universidade em um tempo bastante rápido, não mais do que 6 meses.

Estive, no último dia 26 de maio, em Florianópolis, a convite da Biblioteca Central da UFSC, para um evento comemorativo do primeiro ano da incubadora de revistas científicas daquela universidade que agora será mantida e gerenciada pela Biblioteca Central daquela universidade. Na oportunidade, fiz uma palestra falando sobre o e-science e também do acesso livre, em especial sobre repositórios institucionais.

Aproveitando a mesma oportunidade o reitor da UFSC, prof. Álvaro Prata, me recebeu e confirmou entusiáticamente o aceite da UFSC em participar do projeto piloto, assim como o seu apoio às iniciativas do acesso livre no Brasil.

Recentemente, estive também com o reitor da UFPE, prof. Amaro Lins, que também me recepcionou de forma entusiástica, aceitando o nosso convite e também apoiando as iniciativas do acesso livre no Brasil.

Acreditamos que a implantação do projeto piloto, assim como a distribuição de recursos tecnológicos, o acesso livre no Brasil se consolide. Quando eu digo iniciativas do acesso livre, eu me refiro às duas estratégias que estamos desenvolvendo, a via verde (repositórios institucionais) e a via dourada (publicações periódicas eletrônicas de acesso livre).

Com relação às ações da via dourada, o Ibict, por intermédio de sua iniciativa de distribuir o Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas (SEER), já promoveu o desenvolvimento de mais de 650 revistas na web. Esse feito é inédito no mundo, tornando o Brasil um dos países com maior número de revistas científicas de acesso livre.

Em recente matéria publicada pelo ministro da ciência e tecnologia, Prof. Sérgio Resende, na Folha de São Paulo e Jornal da Ciência, considera que o aumento da produção científica publicada em revistas indexadas na base internacional de dados Thomson Reuters-ISI se deve à inclusão de revistas científicas brasileiras. Segundo informações desta empresa, o número de revistas científicas brasileiras nesta base passou de 63 em 2007 para 103 em 2008. Esse é um dado curioso e importante, pois, mostra o potencial que estamos criando no País com as iniciativas do acesso livre. A nossa expectativa é que algumas das mais de 650 revistas desenvolvidas por intemédio do uso do SEER possam alcançar um nível de excelência e serem incluídas na referida base de dados. E, consequentemente, teremos uma maior participação na produção científica indexada mundial. Verficamos, portanto, que os nossos esforços não foram e não estão sendo em vão.

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Saiba a quantidade de assinaturas na minha petição

Maio 26, 2009 · Deixe um comentário

No momento, vc sabe quantas pessoas assinaram a minha petição? Clique aqui para saber.

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A importância da competência técnica

Maio 25, 2009 · 2 Comentários

O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) tem ainda um quadro de técnicos especializados muito forte e capaz, apesar do desmanche que as adminstrações públicas vêm sofrendo nas últimas décadas.  São poucos, mas tratam-se de pessoas que amam e lutam pelo instituto e apesar das dificuldades, das restrições, das condições de trabalho, da competitividade e das pressões externas. Foram esses técnicos que conseguiram manter essa organização ativa e na vanguarda. Sem esse espírito, certamente, hoje o Instituto não teria condições de:

  •  hospedar uma das maiores bibliotecas digitais de teses e dissertações do mundo;
  • absorver e formar competência técnica no uso e desenvolvimento do modelo Open Archives;
  • construir e manter a maior rede de repositórios digitais compatível com Open Archives no hemisfério sul;
  • promover o desenvolvimento de mais de 650 publicações periódicas científicas de acesso livre;
  • absorver e customizar tecnologias como o Open Journal System, o Dspcae, o Eprints, o Open Conference System;
  • promover, no país, o desenvolvimento de repositórios institucionais de acesso livre;
  • liderar todas as iniciativas de acesso livre no País.

Enfim, é evidente que sozinho eu seria incapaz de tantas realizações e elas somente foram possíveis devido a esses abnegados técnicos, os quais propositadamente não nomeio nesta matéria com receios de cometer injustiças ou omissões. É esta competência que o Instituto deve preservar e ampliar para o bem da ciência brasileira e do seu desenvolvimento científico.

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